Por que São Paulo considera a contratação de James Rodríguez um bom negócio
As atuações até dizem que não, mas acredite: James também deu certo no São Paulo
Cada exibição de luxo de James Rodríguez pela Colômbia na Copa América só faz crescer a sensação de que a contratação do meia pelo São Paulo foi um fracasso. Mas o clube não entende assim. Nos bastidores, o Tricolor considera que a chegada do colombiano é um negócio que deu certo — fora de campo, claro.
Antes de mais nada, que se diga o óbvio: James decepciona o São Paulo por seu rendimento. Especialmente na comparação com as suas atuações pela seleção colombiana.
O meia é pela Colômbia o protagonista que nunca conseguiu ser pelo clube, a ponto de não fazer parte dos planos de Luis Zubeldía. O meia soma apenas 22 jogos pelo clube, com dois gols e quatro assistências.
O James Rodríguez de dentro de campo decepciona. Mas a avaliação muda quando o São Paulo leva em conta tudo o que a sua contratação trouxe de positivo para o clube.
Por que o São Paulo vê James como contratação que deu “certo”
- clube vê James como jogador que extrapola o mundo do futebol;
- James ampliou alcance do São Paulo e exposição da marca nas redes sociais;
- a avaliação é de que negócios fechados pelo clube foram impulsionados por James;
- nos bastidores, clube entende que chegada de James ajudou a “convencer” Lucas;
- chegada do colombiano também mudou ambiente para semifinal da Copa do Brasil.

James mudou São Paulo de patamar
O São Paulo entende que James Rodríguez mudou o clube de patamar tão logo ele foi oficializado como reforço. A começar pelas redes sociais. O vídeo do anúncio do atleta publicado pelo Tricolor supera as 11 milhões de visualizações no “x”.
No Instagram, as publicações em colaboração com o meia ajudaram a impulsionar o perfil do clube. James tem 51,1 milhões de seguidores — quase dez vezes mais do que os 6,6 milhões de seguidores do São Paulo.
Clube e atleta prometeram “coisas incríveis” no anúncio. Elas não aconteceram dentro de campo, mas sim nos negócios feitos pelo São Paulo.
🇨🇴 Futebol puro. Bem-vindo, @jamesdrodriguez!#JamesTricolor #SejaSócioTorcedor#VamosSãoPaulo 🇾🇪 pic.twitter.com/R7nRAYBFi5
— São Paulo FC (@SaoPauloFC) July 29, 2023
A avaliação interna é de que toda essa exposição global ajudou o clube a “furar a bolha” do futebol e atingir outros seguimentos do mercado. E isso se refletiu diretamente nos negócios com patrocinadores e parceiros firmados pelo São Paulo no início do ano.
A diretoria entende que o clube só alcançou as cifras mais elevadas nestas negociações porque tinha o meia como chamariz em seu elenco.
Foi assim que o Tricolor fechou, por exemplo, o acordo com a Superbet para ser sua patrocinadora máster por um valor de R$ 52 milhões por temporada. O mesmo vale para a venda dos naming rights do MorumBIS, por R$ 75 milhões em três anos.
Negócios fechados pelo São após James
- Naming Rights do MorumBIS — R$ 75 milhões por três anos;
- Superbet como patrocinadora máster — R$ 156 milhões por três anos;
- Exploração do MorumBIS para shows — R$ 60 milhões por cinco anos.
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E acredite: James também “ajudou” em campo
Aí vai uma frase no mínimo polêmica (para não dizer contraditória): o São Paulo só conquistou o título inédito da Copa do Brasil graças a James, mesmo que ele não tenha atuado um minuto sequer no decorrer da campanha.
É que o São Paulo acredita que a contratação de Lucas Moura só foi possível pela chegada anterior do colombiano. Na janela de meio de temporada no ano passado, a contratação de Lucas era tratada como um sonho bastante distante — se não, impossível.
Mas o clube anunciou James no dia 29 de julho. E três dias mais tarde, chegava a um acordo com o atacante. E o camisa 7 viria a ser decisivo no título da Copa do Brasil. Ele marcou o gol da classificação sobre o Corinthians na semifinal.

São Paulo cogita reintegrar James
As boas atuações pela Colômbia na Copa América (ainda) não alteram os planos do São Paulo para James. O clube ainda pretende negociar o atleta e conta com seu destaque na competição para isso.
O trabalho da diretoria do clube a partir de agora será reduzir o prejuízo ao mínimo possível. James tem contrato com o São Paulo até o junho de 2025.
A grande questão é que ele tem 2 milhões de euros (R$ 11,12 milhões) a receber referentes a luvas e a uma cláusula em seu contrato. Este é o valor que o Tricolor precisará resolver para liberá-lo.
Com tudo isso, o Tricolor até cogita reintegrar James caso não surjam equipes interessadas em sua contratação. Mas a utilização do meia dependeria também de uma conversa com Zubeldía.
— Terminando a Copa América, se não tiver nenhuma proposta de saída que nos atenda, ele volta ao elenco. Óbvio que a escalação do James ou não é uma decisão do treinador. A gente não se mete nisso. Nós estamos observando. O James nunca nos deu nenhum tipo de problema
— É mais uma questão de adaptação ao futebol brasileiro, que não é tão simples. O futebol brasileiro é voltado à intensidade, e isso o James tem sofrido um pouco. Mas ainda há possibilidade de ser reintegrado ao elenco, ele se dá bem com todo mundo — Carlos Belmonte, diretor de futebol, à CazéTV.
> Os próximos três jogos do São Paulo
- São Paulo x Red Bull Bragantino — Brasileirão — sábado (6), às 21h (horário de Brasília);
- Atlético-MG x São Paulo — Brasileirão — quinta-feira (11), às 21h30 (horário de Brasília);
- São Paulo x Grêmio — Brasileirão — quarta-feira (17), às 20h (horário de Brasília).



