Entenda por que novo contrato de Arboleda com o São Paulo é histórico
Arboleda assina novo vínculo até 2027 e pode completar uma década de clube se cumprir acordo
Quando assinou a renovação de contrato com o São Paulo até 2027, Arboleda fez muito mais do que dar um ponto final a uma arrastada negociação com alguns bons percalços pelo caminho. O equatoriano se permitiu também a chance de escrever (ainda mais) história com a camisa do clube que defende desde 2017.
Se cumprir a totalidade do vínculo, o zagueiro campeão do Paulista de 2021, da Copa do Brasil de 2023 e da Supercopa do Brasil Rei de 2024 completará uma década de Tricolor. Uma marca emblemática por si só, mas especialmente para um jogador estrangeiro no futebol brasileiro. O feito é um privilégio reservado a um seleto grupo de gringos que atuaram no país.
“Agradeço por todos os anos que eu tenho no São Paulo. Por todas as coisas boas que vivi aqui. Só queria agradecer e falar que seguirei mais uns anos aqui. Se Deus quiser, vou completar 10 anos no São Paulo. Podem ter certeza de que sempre vou dar a vida dentro do campo e serei sempre esse jogador que vocês gostam”. (Arboleda)
Arboleda busca feito alcançado por apenas quatro gringos na história
Antes de Arboleda, apenas quatro jogadores estrangeiros alcançaram a marca de defender um mesmo clube no Brasil por uma década ininterrupta. Curiosamente, dois deles vestiram a camisa do São Paulo – inclusive, o recordista. O goleiro argentino José Poy defendeu o Tricolor por 13 anos entre 1949 e 1962 e somou impressionantes 542 jogos pela equipe.
O segundo colocado também é argentino, mas não são-paulino. D’Alessandro foi multicampeão e jogou 12 anos seguidos pelo Internacional entre 2008 e 2020 – com a ressalva de que ele foi emprestado ao River Plate em 2016. D’Ale ainda voltaria em 2022 para se aposentar pelo Colorado.
Em terceiro, outro são-paulino (que virou ídolo): Dario Pereyra. O uruguaio atuou 11 anos seguidos pelo São Paulo e entrou para a história como bicampeão brasileiro e tetracampeão paulista entre 1977 e 1988. A lista seleta de estrangeiros com uma década de futebol brasileiro é fechada por Modesto Bria, que defendeu o Flamengo por 10 temporadas entre 1943 e 1953.
Muitas memórias de 2017 pra cá. E a história continua até 2027!
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— São Paulo FC (@SaoPauloFC) April 2, 2024
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Acredite: Arboleda não é o estrangeiro mais longevo do país
Arboleda persegue uma marca para pouquíssimos, mas ele não está sozinho na busca por este sonho. O paraguaio Gatito Fernández chegou ao Botafogo em janeiro de 2017, meses antes de o equatoriano desembarcar no Morumbi. Ele também pode chegar a uma década de clube, mas seu contrato vai apenas até o final de 2024.
Estrangeiros mais longevos da história
- José Poy (São Paulo): 13 anos (de 1949 a 1962) e 545 jogos
- D’Alessandro (Inter): 12 anos (de 2008 a 2020) e 517 jogos*
- Dario Pereyra (São Paulo): 11 anos (de 1977 a 1988) e 453 jogos
- Modesto Bria (Flamengo): 10 anos (de 1943 a 1953) e 359 jogos
- Atílio Ancheta (Grêmio): 8 anos (de 1971 a 1979) e 427 jogos
- Pedro Rocha (São Paulo): 8 anos (de 1970 a 1978) e 393 jogos
- Gatito Fernández (Botafogo): 7 anos (de 2017 a 2024) e 211 jogos
- Arboleda (São Paulo): 7 anos (de 2017 a 2024) e 264 jogos
Ao término de seu contrato, Arboleda tem também chances consideráveis de ser o jogador com mais tempo em seu clube no Brasil. Hoje, ele ocupa a oitava colocação no ranking liderado por Cássio, que chegou ao Corinthians em dezembro de 2011. Dos jogadores que estão a sua frente na lista, nenhum possui um vínculo tão longo quanto o equatoriano.
Jogadores em atividade com mais tempo em seus clubes
- Cássio – Corinthians – dezembro de 2011
- João Paulo – Santos – outubro de 2013
- Pedro Geromel – Grêmio – dezembro de 2013
- Thiago Heleno – Athletico-PR – janeiro de 2016
- Gatito Fernández – Botafogo – janeiro de 2017
- Juninho – América-MG – fevereiro de 2017
- Luan – Palmeiras – abril de 2017
- Arboleda – São Paulo – junho de 2017
- Tinga – Fortaleza – dezembro de 2017
- Ganso – Fluminense – janeiro de 2019
Arboleda pode entrar em top-3 de estrangeiros do São Paulo
A renovação de contrato dá a Arboleda também boas chances de entrar no top-3 de jogadores estrangeiros com mais jogos com a camisa do São Paulo. Atualmente, o equatoriano ocupa a quarta colocação, com 264 partidas. Ele está a 129 de alcançar o uruguaio Pedro Rocha, que soma 393 aparições.
Para isso acontecer, o zagueiro precisa alcançar uma média de 32 partidas em cada uma das quatro temporadas restantes de contrato. Trata-se de um número que ele superou em quase todos os anos cheios que teve no MorumBIS. A exceção foi 2022, quando sofreu uma grave lesão e atuou apenas 22 vezes.
Estrangeiros com mais jogos pelo São Paulo
- José Poy – 525 jogos (1949-1962)
- Darío Pereyra – 453 jogos (1977-1988)
- Pedro Rocha – 393 jogos (1970-1978)
- Arboleda – 264 jogos (2017-atual)
- Pablo Forlán – 243 jogos (1970-1975)
🇪🇨 Atleta mais longevo do elenco, Arboleda renovou até 2️⃣0️⃣2️⃣7️⃣, quando completará 🔟 anos de Tricolor!#VamosSãoPaulo 🇾🇪
📸 Rubens Chiri / saopaulofc pic.twitter.com/ANVnYyIGXZ
— São Paulo FC (@SaoPauloFC) April 2, 2024
A longa negociação do São Paulo com Arboleda
O São Paulo se permite comemorar o acerto encaminhado com Arboleda pela complexidade que envolveu a negociação. O clube teve a sua primeira oferta recusada pelo estafe do atleta, e seu empresário, Pepe Chamorro, teve de vir ao Brasil para conseguir avançar nas conversas. Enquanto isso, o Al-Nassr, clube de Cristiano Ronaldo na Arábia Saudita, apareceu como interessado na contratação de Arboleda – um movimento que causou certa estranheza nos bastidores do Tricolor, justamente por surgir em meio às tratativas.
Mas tudo isso foi superado. Aos 32 anos e com sete anos de casa, Arboleda pretendia uma valorização à altura de seu status no clube, até por ser também um dos últimos contratos que fará como protagonista na carreira. O equatoriano é o jogador mais longevo do elenco, titular absoluto e grande pilar do sistema defensivo (especialmente após a saída de Lucas Beraldo). Além disso, acaba de ser campeão da Copa do Brasil. Um combo que fez o São Paulo abrir o bolso para definir a renovação.