Fica na Arábia Saudita ou volta para a França? Entenda a situação de Benzema
Benzema quer sair, dirigentes da Arábia Saudita querem mantê-lo, e clubes europeus monitoram
Dentre os clubes que receberam os milhões do Fundo Soberano da Arábia Saudita, o Al-Ittihad foi a maior decepção e isso passa muito por Karim Benzema. Contratado como atual Bola de Ouro, o francês se destacou mais pelo o que fez fora do campo do que dentro dele. Até entregou alguns gols (15 em 24 partidas, além de seis assistências), mas ficou marcado por problemas de relacionamento, primeiro com o ex-técnico Nuno Espiríto Santo, que foi demitido em novembro do ano passado, e agora com o novo comandante Marcelo Gallardo, afastando o camisa nove da intertemporada após faltas em treinamentos.
Nesse momento, a mídia europeia veicula que o francês está insatisfeito e quer sair. O Chelsea e outros clubes da Premier League são alguns dos interessados, mas agora parece ter um novo concorrente. A rádio francesa RMC revelou que o Lyon busca repatriar Benzema, que foi revelado pelo clube. O grupo que é dono da equipe da França, encabeçado por John Textor, do Botafogo, teria bom relacionamento com os sauditas, o que pode ajudar nas conversas. No entanto, o salário, que se especula ser de 172 milhões de libras por temporada, pode ser um empecilho e para se adequar a realidade do OL deveria ser drasticamente reduzido.
Ainda há um outro fator para atrapalhar a negociação. O Ittihad não quer perder o principal craque – mesmo com a relação tensa, conforme publicou o jornalista Fabrizio Romano -, enquanto os dirigentes da liga saudita pensam em formas de manter uma das principais atrações, nem que seja com uma troca de equipe.
?? More on Benzema.
?? OL owner Textor trying to find a way since December as revealed yesterday — but package still too expensive.
?? Only way for return to Europe is huge salary cut.
?? SPL insist to keep Karim in Saudi.
More from yesterday ? https://t.co/JRghl3m7CZ pic.twitter.com/XhgfwING8q
— Fabrizio Romano (@FabrizioRomano) January 22, 2024
A saída de Benzema, apenas seis meses após chegar à Saudi League, seria um golpe pesado para o projeto de sportswashing da Arábia Saudita, nação autoritária onde praticamente não há direitos humanos, jornalistas, opositores ao regime e pessoas LGBTQIA+ são perseguidos e presos e as mulheres têm direitos limitados.
Dentre umas dessas derrotas recentes do projeto saudita foi a saída do meio-campista Jordan Henderson, que estava no Al-Ettifaq, não se adaptou ao país e fechou com o Ajax. Depois, Aymeric Laporte, do Al-Nassr, fez diversas críticas a falta de profissionalismo dos dirigentes sauditas e até ao trânsito da capital Riade, além de revelar que há muitos jogadores insatisfeitos – com a repercussão negativa, tentou justificar as falas com desculpas, no mínimo, questionáveis.
Se já tinham dúvidas sobre o futuro do projeto do futebol saudita, essas saídas pioram muito a situação. Conseguir manter seus talentos é algo essencial para que o futebol seja melhor difundido no país, ainda de um futebol tecnicamente bem abaixo e de uma lacuna técnica enorme entre os quatro times do governo (Al-Nassr, Al-Hilal, Al-Ittihad e Al-Ahli) para o restante. Após gastar 800 milhões de euros na janela de verão, a liga adotou uma postura de segurar as finanças em janeiro e gastar apenas o que os clubes arrecadaram – por isso, não houve nenhuma movimentação de peso, contraste gigante de seis meses antes com as chegadas de Benzema, Neymar e outros.
Ao menos há um legado inegável, construído ou em construção, na estrutura das equipes, hoje com estádios e centros de treinamento modernos. As categorias de base também são o foco desses investimentos, visando ter uma seleção competitiva na Copa do Mundo de 2034, na Arábia Saudita.



