Serie A

Musah amplia um mercado do Milan que recheia o elenco e aposta em muitos jovens

Yunus Musah tem apenas 20 anos, mas três temporadas em La Liga e destaque com os EUA na Copa do Mundo

O Milan continua a direcionar seu mercado de transferências em jogadores jovens. Os rossoneri não trouxeram reforços tão caros, mas investiram o seu dinheiro em opções para diversos setores do campo. A equipe titular de Stefano Pioli ganha boas alternativas, enquanto o elenco estará bem mais recheado para enfrentar as diferentes competições. E, nesta sexta-feira, os milanistas ganharam uma polivalente alternativa para a sua faixa central. Yunus Musah tem apenas 20 anos e uma boa experiência, sobretudo pelas três temporadas em La Liga com o Valencia. Também disputou a última Copa do Mundo com os Estados Unidos. Vira opção em San Siro ao assinar por cinco temporadas, num negócio que custou €20 milhões ao italianos.

Musah passou a infância na Itália. Assim, a oferta do Milan tinha um apelo especial para o americano. Ele não negou que voltar ao país o atraiu, assim como a chance de ser companheiro de Christian Pulisic, seu parceiro de seleção. Apesar do tempo fora do país, o jovem deu sua primeira entrevista num italiano fluente. Disse que seu irmão é torcedor milanista e revelou sua própria admiração por vários jogadores rossoneri – Clarence Seedorf, Alexandre Pato, Ronaldinho Gaúcho. O número 80, inclusive, foi escolhido por causa do Bruxo.

O mercado amplo da Red Bird

Os €20 milhões pagos por Musah são repetidos no mercado do Milan. Três reforços custaram esse valor, incluindo também Samuel Chukwueze e Christian Pulisic. Os rossoneri totalizam €110,5 milhões em gastos até o momento, incluindo também Tiijani Reijnders, Ruben Loftus-Cheek e Noah Okafor, enquanto Luka Romero e Marco Sportiello chegaram sem custos. São oito novos nomes para um time que, de seus protagonistas, só perdeu mesmo Sandro Tonali rumo ao Newcastle. Os €64 milhões recebidos pelo meio-campista são direcionados em várias frentes e encorpam o grupo.

Um conflito no Milan durante os últimos meses foi a política de mercado adotada pelos americanos da RedBird, atuais proprietários dos rossoneri. Os dirigentes queriam buscar jovens talentos que se desenvolvessem e se valorizassem no clube, enquanto Paolo Maldini preferia mais contratações de peso. O executivo deixou a direção e, de fato, a visão da RedBird prevalece. Ainda assim, o saldo do mercado dos milanistas é positivo. A base titular pode não ter dado um salto tão grande e boa parte dos protagonistas deve se repetir – entre Mike Maignan, Theo Hernández, Rafael Leão e Olivier Giroud. Entretanto, como conjunto, não se nega que Stefano Pioli possui bem mais recursos para buscar uma boa campanha na Serie A e aguentar o ritmo na Champions.

Os reforços do Milan até o momento

Musah tem experiência em vários países

Embora defenda a seleção americana, Musah passou sua vida praticamente inteira na Europa. Os Estados Unidos não são mais do que o país natal do meio-campista. Filho de ganeses, o garoto nasceu quando sua mãe passava férias em Nova York. Cresceu na Itália, na região do Vêneto, e por lá se tornou apaixonado pelo futebol. Quando tinha nove anos, Musah mudou-se com a família para Londres e ingressou nas categorias de base do Arsenal. O americano chegou a compartilhar a equipe sub-18 dos Gunners com Bukayo Saka, um ano mais velho.

O sucesso no Arsenal levou Musah às seleções de base da Inglaterra. O meio-campista defendeu todas as categorias do sub-15 ao sub-18, por vezes usando a braçadeira de capitão. Um ano mais novo, Jude Bellingham foi seu companheiro nos Three Lions. Outro jogador de Copa do Mundo que compartilhou os vestiários com o americano é Jamal Musiala, também mais novo. Aquela geração inglesa ainda incluía mais algumas figuras que despontam atualmente – Fabio Carvalho, Noni Madueke, Cole Palmer e Tino Livramento. Musah era visto como uma das principais promessas, mas seu caminho seria outro.

Em 2019, Musah aceitou uma proposta do Valencia e se mudou à Espanha antes de completar 17 anos. Neste momento, deixou de ser convocado para as seleções inglesas de base. E, enquanto progredia no Mestalla, com sua estreia na equipe principal em setembro de 2020, a seleção dos Estados Unidos entrou em seu caminho. O US Team contatou o meio-campista e o convenceu a defender a seleção principal, mesmo sem grandes laços com o país além do nascimento. Gareth Southgate tentou entrar na conversa, mas as portas na Inglaterra só estavam abertas na base e o adolescente preferiu seguir seu sonho americano.

Destaque no Valencia e na Copa do Mundo

Musah de início defendeu a segunda equipe do Valencia. Sua entrada na equipe principal aconteceu a partir de 2020/21. Foram três temporadas como um nome frequente dos Ches. O meio-campista ficava mais no banco de início e teve sua maior sequência em 2022/23. Seus números não foram tão espantosos, mas o nível de desempenho agradou. O que não ajudava mesmo era a draga dos valencianos, numa fase de muitos riscos na tabela de La Liga. No máximo, teria o gosto de disputar a final da Copa do Rei.

A melhor vitrine de Musah foi a seleção dos Estados Unidos. O meio-campista já soma 27 partidas com o US Team. Ganhou a titularidade em 2020, mas foi reserva na conquista da Liga das Nações em 2021. Depois disso, o garoto brilhou na campanha dos americanos nas Eliminatórias. Tornou-se nome certo também no Mundial do Catar, titular nas quatro partidas. Fez grandes apresentações, numa faixa central muito jovem dos EUA. Mais recentemente, conquistou a Liga das Nações como uma figura importante do time.

Um dos trunfos de Musah é o seu dinamismo. O meio-campista se movimenta muito bem e consegue preencher uma grande faixa do campo. Durante a Copa, ocupou mais o lado esquerdo e influenciou na organização dos americanos. Também apareceu no ataque algumas vezes, mas sem necessariamente garantir gols ou assistências. Sua utilidade, de qualquer maneira, não depende apenas disso. É a intensidade, unida a uma boa capacidade técnica, que torna o garoto uma alternativa bastante interessante.

Como fica o meio-campo do Milan

O Milan ganhou três meio-campistas nesta janela de transferências. Yunus Musah é o mais versátil deles, já que pode ser encaixado de diferentes maneiras e também atuar mais aberto na ponta. Reijnders é uma opção mais técnica, enquanto Loftus-Cheek possui boa presença física e também mais rodagem. O trio de novatos deve se revezar com Ismaël Bennacer, Rade Krunic e Tommaso Pobega na faixa central.

A maior parte das adições do Milan aconteceu do meio para frente. As alternativas nas pontas estão bem mais qualificadas, especialmente pelas chegadas de Pulisic e Chukwueze, enquanto Luka Romero é uma aposta mais jovem – mas que mostra serviço nas primeiras chances. Enquanto isso, Okafor pode ser encaixado pelos lados do campo, mas a tendência é que ele se reveze com Giroud na linha de frente. De fato, os argumentos de Maldini em sua saída continuam na mesa. Mas a RedBird também pode provar sua razão, especialmente se alguns desses jovens derem o salto de qualidade.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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