Escolhemos um técnico que pode salvar a seleção italiana, mas sob uma condição
Saída de Gennaro Gattuso após terceira ausência seguida na Copa do Mundo é chance de recomeço do país no futebol
A derrota para a Bósnia na repescagem europeia resultou em mais uma ausência da Itália na Copa do Mundo — a terceira consecutiva. Como consequência, Gennaro Gattuso foi incluso na lista de dispensas. Agora, a Azzurra procura por um novo treinador para mudar o contexto caótico no próximo ciclo.
A Trivela selecionou nomes que têm potencial de recolocar a seleção italiana no principal palco do futebol mundial. Entretanto, por mais que a escolha do técnico seja importante, não é a única prioridade da federação para consertar velhos problemas que assolam a realidade do esporte profissional nos últimos anos.
Treinadores que seriam ideais para a Itália
Antes de eleger três nomes que seriam ideais para a Itália, cabe ressaltar alguns critérios utilizados. O primeiro deles é que o sucessor de Gattuso tenha experiência com o futebol do país, seja como jogador ou técnico — estrangeiro ou não.
Além disso, que seja uma opção que possar representar um recomeço da seleção em sua forma de jogar e que esteja mais alinhada às demandas do esporte atual. A falta de maior intensidade no calcio, por exemplo, é uma das reclamações que precisam ser resolvidas. Ou que, no mínimo, apresentem solidez coletiva.
Por fim, elencamos treinadores em três cenários: a melhor plausível, porém, a mais difícil de se concretizar; o mais ousado com base na identidade italiana; e quem de fato é o favorito a assumir a seleção, de perfil um pouco mais conservador. Sem mais delongas, vamos à lista.
Pep Guardiola
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Se tem alguém que é capaz de impactar a filosofia de jogo de um país, esse alguém é Pep Guardiola. O técnico de 55 anos já o fez na Espanha, com o Barcelona; na Alemanha, com o Bayern de Munique; e agora na Inglaterra, com o Manchester City.
Quando ainda era um meio-campista, Guardiola passou por Brescia e Roma. Já na área técnica, ele provou que consegue se adaptar às mais diferentes ligas, sendo campeão por onde passou. E a seleção italiana representaria uma tarefa inédita em sua carreira.
O grande entrave é: Pep Guardiola tem contrato com os Citizens até junho de 2027. A ideia de largar um projeto de uma década e se aventurar em uma gigante em crise pode parecer inconcebível, ou até mesmo, uma loucura. Ao mesmo tempo, tem potencial para ser um casamento perfeito para ambas as partes.
Guardiola já revelou que tem o sonho de comandar uma seleção na Copa do Mundo. Nos últimos anos, o treinador deu indícios de que está cansado da rotina exaustiva dos clubes. Então, por que não ser o responsável por recolocar a Itália, uma tetracampeã, de volta aos trilhos?
É claro que a chance desse plano sair do papel é mínima, para não dizer nula. Contudo, a Federação Italiana de Futebol (FIGC) não tem nada a perder ao tentar Pep Guardiola. Mostraria ambição e desejo por mudanças profundas em seu futebol.
Gian Piero Gasperini
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Utopia à parte, Gian Piero Gasperini seria uma novidade interessante para a seleção. A história do italiano de 68 anos é toda ligada à terra natal, seja como atleta ou treinador. Logo, conhece o calcio como poucos, ciente do que pode ser mantido e o que é preciso ser repaginado.
Talvez o grande trunfo de Gasperini seja um estilo de jogo bem diferente de seus colegas de profissão na Itália. Desde quando comandou um empolgante Genoa entre 2006 e 2010, o técnico sempre prezou pelo futebol ofensivo, apostando na fluidez tática e no gosto pela posse de bola.
Foi com essas características que Gian Piero Gasperini transformou a Atalanta numa força não só na liga nacional, como também no continente. Além de campanhas históricas na Serie A, o treinador italiano levou La Dea ao título inédito da Liga Europa em 2023/24, que foi também a primeira conquista de sua carreira.
No início da atual temporada, Gasperini foi para a Roma com a mesma missão. Em meio aos altos e baixos, o técnico não tem futuro garantido nos Giallorossi, apesar de ter assinado um vínculo válido até junho de 2028. A seleção poderia tirar proveito dessa situação.
O maior obstáculo é: o próprio Gian Piero Gasperini já sinalizou resistência à ideia de comandar a seleção italiana ao analisar outro vexame nas Eliminatórias. O treinador argumentou que o sucesso do país depende de uma “reformulação completa”. Se a FIGC estiver disposta a atender esse pedido, ele seria um ótimo acréscimo.
Antonio Conte
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Entre todos os rumores de quem será o substituto de Gennaro Gattuso na Itália, quem está à frente na corrida é Antonio Conte. Mesmo com contrato no Napoli até 2026/27, o técnico de 56 anos disse estar “lisonjeado” com a possibilidade de retornar à seleção.
Após a eliminação ainda na fase de grupos na Copa de 2014, no Brasil, Conte se juntou à seleção italiana. Ao todo, foram dois anos no cargo, com campanha tranquila nas Eliminatórias para a Eurocopa e alguns tropeços nos amistosos contra países da Uefa.
Só que, antes mesmo do início da Euro, o treinador italiano avisou à federação que se despediria ao término do torneio na França. A queda para a Alemanha nas quartas de final antecedeu sua ida ao Chelsea, onde ergueu a taça da Premier League logo em 2016/17.
Aliás, Antonio Conte é um multivencedor por onde passou na última década, com exceção do Tottenham. Por outro lado, o treinador é conhecido por largar trabalhos no médio prazo, a exemplo do que aconteceu na própria seleção, que mesmo assim o tem no radar.
Conte, com sua famosa famigerada linha de três zagueiros, alas incisivos para dar amplitude e uma marcação com cinco homens na primeira linha em momentos sem bola, tem aspectos que já são tradição na Itália. É uma solução apropriada caso a seleção não queira inventar a roda na busca por uma vaga na Copa do Mundo de 2030.
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A seleção é só a ponta do iceberg
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Gabriele Gravina, presidente da Federação Italiana de Futebol, renunciou ao cargo, cujo sucessor será eleito no dia 22 de junho. Entretanto, antes de abandonar a posição de liderança, o dirigente expôs que a seleção é só um reflexo do calcio como um todo.
Gravina divulgou um relatório sobre o estado de saúde do futebol italiano. Com dados e estudos, o presidente da FIGC apresentou sintomas que ajudam a explicar que os recorrentes fracassos em se classificar para a Copa do Mundo têm raízes muito mais profundas. Confira abaixo alguns pontos evidenciados:
- Serie A é a liga com a 8ª maior média de idade na Europa (27 anos) — fonte: Observatório de Futebol CIES;
- Na atual Serie A, estrangeiros são responsáveis por 67,9% do total de minutos jogados (6º pior da Europa) — fonte: Observatório de Futebol CIES;
- Na última década, Itália está atrás de França, Espanha, Portugal, Países Baixos, Inglaterra e Alemanha em receitas gerais geradas com transferências de jogadores formados localmente — fonte: Observatório de Futebol CIES;
- Apenas Atalanta e Juventus estão entre as 50 bases que mais faturaram com vendas de jogadores formados em clubes europeus nos últimos 10 anos — fonte: Observatório de Futebol CIES;
- De 50 ligas monitoradas mundialmente, a Serie A é a 2ª do ranking entre aquelas que menos utilizam jogadores sub-21 elegíveis à seleção nacional (1,9%) — fonte: Observatório de Futebol CIES;
- A Serie A está fora do top-10 entre as ligas europeias em termos de metros percorridos em sprints;
- Na Série A, a velocidade média da bola na partida é muito menor (7,6 m/s) do que a média da Champions League (10,4 m/s) e a dos outros campeonatos europeus mais importantes (9,2 m/s);
- A Serie A é a pior entre as 5 principais ligas europeias em dribles por jogo (26,69 contra 29,97);
- A Serie A é a pior entre as 5 principais ligas europeias em termos de agressividade durante as fases de pressão, permitindo um maior número de passes para a equipe adversária que está com a posse da bola;
- O futebol profissional italiano registra um prejuízo anual superior a 730 milhões de euros (cerca de R$ 4,3 bilhões)
Não importa quem seja anunciado pela seleção italiana. Se não houver esforços para para tentar reverter o status da pirâmide que constitui o calcio, o resultado nas próximas Eliminatórias Europeias pode ser o mesmo.