Conte: ‘Se eu tivesse que sugerir um nome para seleção italiana, diria Guardiola. Mas…’
Técnico deixa Napoli, despista sobre possível acordo com a Azzurra e questiona capacidade financeira da Federação Italiana
A última entrevista de Antonio Conte como técnico do Napoli teve tom de despedida, mas também abriu espaço para um debate que domina o futebol italiano desde a eliminação da Azzurra na repescagem da Copa do Mundo.
Após a vitória por 1 a 0 sobre a Udinese, neste domingo (24), pela rodada final da Serie A, Conte comentou pela primeira vez de maneira mais direta os rumores que o colocam como possível novo treinador da seleção italiana — e deixou respostas que repercutiram imediatamente no país.
— Não há nada entre mim e a Federação Italiana para me tornar treinador da seleção italiana. Nada até agora. Vamos ver no futuro. Ainda nem há presidente da Federação… mas deixe-me dizer: a Itália está pronta para contratar um treinador de topo? — questionou o treinador que comandou a Azzurra entre 2014 e 2016.
Conte ainda citou Pep Guardiola ao comentar os nomes especulados para assumir a Azzurra. “Li sobre o Pep Guardiola. Se eu tivesse que sugerir um nome, diria o Pep. Mas… eles têm os fundos para fazer isso acontecer? É cedo demais para dizer. Não tenho nenhum acordo até agora”, completou.
A Itália falhou, pela terceira vez consecutiva, na tentativa de voltar à Copa. A eliminação para a Bósnia e Herzegovina na repescagem ampliou a crise esportiva e política dentro da FIGC (Federação Italiana) e culminou na renúncia do então presidente Gabriele Gravina, em abril. Desde então, a entidade passou a ser conduzida de forma interina até a eleição marcada para 22 de junho.
Conte surge como nome natural para reconstrução da seleção italiana
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Mesmo sem admitir qualquer negociação, Conte é tratado nos bastidores como um dos favoritos para assumir a seleção. O peso do nome, a identificação com o futebol italiano e o histórico de reconstruções rápidas fazem dele um candidato praticamente natural neste cenário de instabilidade.
Foi sob seu comando que a Itália recuperou competitividade após o fracasso na Copa do Mundo de 2014. Entre 2014 e 2016, Conte reorganizou a equipe nacional e levou a Azzurra a uma campanha sólida na Eurocopa, encerrada nos pênaltis diante da Alemanha, nas quartas de final. Desde então, consolidou ainda mais a reputação como técnico capaz de transformar equipes em pouco tempo.
Nos clubes, repetiu esse padrão em diferentes contextos. Empilhou três troféus de Serie A com a Juventus, encerrou o jejum de títulos da Internazionale, conquistou a Premier League com o Chelsea e levou o Napoli de volta à conquista do Scudetto na temporada passada.
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Guardiola entra no debate, mas cenário é complexo
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A menção a Guardiola ajudou a ampliar ainda mais as discussões sobre o futuro da seleção italiana. O espanhol encerrou neste domingo sua trajetória de dez temporadas no comando do Manchester City, clube no qual construiu uma era histórica marcada por títulos nacionais em sequência e pela conquista inédita da Champions League.
Apesar do impacto que um nome desse porte causaria, a possibilidade é vista com cautela na Itália. O próprio Conte indicou isso ao levantar dúvidas sobre a capacidade financeira da federação em bancar um treinador do nível de Guardiola. A declaração, para alguns, soou como uma crítica indireta à situação institucional da FIGC.
Outro nome citado pela imprensa italiana é o de Massimiliano Allegri, atualmente no comando do Milan. Experiente e multicampeão no país, Allegri aparece como alternativa caso a federação opte por um perfil mais conservador.
Enquanto isso, a indefinição segue. Sem presidente eleito, pressionada por fracassos recentes e diante da necessidade de reconstruir a credibilidade da seleção, a Itália ainda busca entender qual direção pretende tomar. E, mesmo negando qualquer acerto neste momento, Conte continua no centro dessa discussão.