Itália

‘Entendi o que significa defender’: Bremer aponta diferenças na adaptação ao futebol italiano

Com vaga garantida na Copa do Mundo, defensor ex-Atlético Mineiro celebrou trajetória na Itália

Há oito temporadas no futebol italiano, Bremer soma passagens pelo Torino e pela Juventus. A longa relação com o Calcio não apenas rendeu a conquista do seu primeiro título como profissional da carreira (a Copa da Itália 2023-24), mas também ajudou a moldar o jogador, que conseguiu um posto entre os convocados definitivos da seleção brasileira para a Copa do Mundo.

Bremer deixou o Atlético Mineiro aos 21 anos, em 2018, para ir ao Torino. O defensor conta que na sua primeira temporada esteve, naturalmente, mais concentrado na adaptação. Agora, mais experiente, o brasileiro reflete sobre o que aprendeu na sua trajetória pelo país.

— Quando cheguei na Itália, percebi que a visão sobre o zagueiro era muito diferente daquela que eu tinha no Brasil. Lá, muitas vezes se valoriza mais o lado técnico, sair jogando, dar chapéu, fazer gols. Aqui eu entendi de verdade o que significa defender. Foi uma escola muito importante para mim, tanto no Torino quanto na Juventus –, explicou em entrevista ao podcast Futebol no Mundo, da “ESPN”.

Eleito o melhor defensor do Campeonato Italiano na edição 2021/2022, quando ainda defendia o Torino, o zagueiro revela que teve que aperfeiçoar diversos aspectos para se encaixar na alta exigência defensiva do Calcio.

–Trabalhei com o Walter Mazzarri [no Torino], que me ensinou muito. Ele falava bastante sobre posicionamento corporal, marcação dentro da área, atenção ao atacante nas costas. Pequenos detalhes que fazem toda diferença para um defensor. Cheguei muito jovem, com 20, 21 anos, e foi nesse período que comecei a criar a casca para me tornar o zagueiro que sou hoje — relembrou.

Bremer em ação pela Juventus
Bremer em ação pela Juventus (Foto: Buzzi / Imago)

Enquanto iniciava a sua trajetória na Europa, Bremer também contou com a ajuda de grandes defensores do futebol italiano. Entre eles, Leonardo Bonucci, ídolo da Juventus, e que foi peça fundamental na conquista da Eurocopa em 2020 com a Azzura.

— A Itália sempre foi referência tática no futebol, especialmente para defensores. Basta olhar a história da seleção italiana e os grandes zagueiros que surgiram lá.  Claro que a Itália perdeu um pouco de força nos últimos anos e acabou ficando fora das últimas Copas do Mundo, mas para um zagueiro é um lugar muito importante para evoluir. Você aprende muito jogando lá. Joguei com o Leonardo Bonucci já na reta final da carreira dele. Ele fez parte de uma das maiores defesas da história recente da Itália, ao lado de Giorgio Chiellini, Andrea Barzagli e Gianluigi Buffon. Sempre trocava mensagens com ele e ele também me ajudava bastante –destacou.

Após quatro temporadas na Velha Senhora, a permanência de Bremer no clube italiano é incerta. O técnico Luciano Spalletti, que assumiu o comando da equipe de Turim em 2025, indicou que tem preferência por um perfil diferente no setor.

Diante das incertezas sobre seu futuro na Itália, o jornal “Gazzetta dello Sport” informou que o brasileiro entrou no radar do Manchester United e Liverpool para a temporada 2026/27. O futuro de Bremer dependerá, naturalmente, do desfecho da Juventus, que está ameaçada de ficar fora da Champions League e não depende apenas dela para conseguir o posto na última rodada do Campeonato Italiano, que acontece neste final de semana.

Proximidade com Ancelotti e disputa por vaga na seleção brasileira

Convocado para a Copa do Mundo de 2026 por Carlo Ancelotti, Bremer revelou o medo de perder o Mundial devido às lesões. Em outubro de 2025, o zagueiro rompeu o menisco medial do joelho esquerdo um ano após a grave lesão no ligamento cruzado anterior no mesmo local, e precisou passar por uma nova cirurgia.

No entanto, o defensor se recuperou bem e viveu uma grande temporada pelo clube. Além disso, Bremer aproveitou as oportunidades com a seleção brasileira, o que foi decisivo para ter seu nome no grupo definitivo para o Mundial que começa no mês que vem.

— Sempre tive na cabeça que voltaria à Seleção. O que eu não esperava era ter uma segunda lesão. Aquilo me preocupou bastante, porque normalmente quem rompe o ligamento cruzado fica muito tempo fora e, quando volta, costuma sofrer bastante com problemas musculares. Fiz tudo pensando em chegar bem no período da Copa e das convocações. Depois veio a lesão no menisco, uma nova cirurgia, e ali fiquei preocupado. Naquele momento, muitas coisas passam pela cabeça, mas eu entendia que o que cabia a mim era trabalhar–, revelou.

Bremer defendeu o Brasil na Copa do Mundo de 2022
Bremer defendeu o Brasil na Copa do Mundo de 2022 (Foto: Pablo Morano / BSR Agency / Imago)

Mesmo em boa fase, Bremer entende que há uma forte concorrência pela vaga no setor defensivo e uma disputa pela titularidade na equipe nacional, especialmente com Marquinhos e Gabriel Magalhães. Ainda assim, o defensor destaca a alegria de estar no grupo e poder reencontrar ex-companheiros da Juventus.

— Será muito legal reencontrar o Danilo e o Alex Sandro. A gente brincava que formava o ‘Muro Brasiliano’. Na última vez em que estive com o Danilo, até falei: ‘pô, o Alex Sandro não vai voltar para reformar o Muro Brasiliano?’. Naquele momento ele tinha sido cortado por lesão. Agora vamos nos reencontrar novamente e relembrar os velhos tempos — comentou.

Por fim, o brasileiro também elegeu as seleções que considera favoritas ao título. Além da equipe comandada por Ancelotti, Bremer acredita que França, Argentina, Espanha e Inglaterra também chegam fortes na disputa pela taça.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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