Liga Europa

Lookman faz história com hat-trick, Atalanta derruba invicto Leverkusen e leva Liga Europa

Em final memorável, Atalanta extermina gigantesca invencibilidade do Bayer Leverkusen e conquista primeiro título desde 1963

A Dublin Arena foi o palco do maior momento da história da Atalanta nesta quarta-feira (22). Pela final da Liga Europa, o time de Bérgamo tinha pela frente o Bayer Leverkusen, até então invicto em 51 jogos na temporada, e não temeu seu adversário. Muito pelo contrário, entraram em campo a fim de acabar com a invencibilidade dos alemães e conseguiram com louvor: um 3 a 0 espetacular, construído todo pelos pés do nigeriano Ademola Lookman, autor do primeiro hat-trick em uma final europeia desde 1975.

A maior conquista da história de La Dea foi encaminhada com apenas 25 minutos – em momento que já era melhor no jogo. Na sobra de um escanteio, Charles De Ketelaere deu a vida para não deixar a bola sair pela direita e ainda achou um ótimo passe em profundidade para Davide Zappacosta. Por lá, o ala cruzou rasteiro e, na segunda trave, Lookman cravou.

O mesmo nigeriano seria o responsável pelo segundo. Aí, mostrando uma das grandes falhas de hoje, o Leverkusen tentou sair jogando pelo alto e perdeu a bola, que sobrou para Lookman na entrada da área. Ele deu uma canetaça em Granit Xhaka cortando para direita e bateu colocado na bochecha da rede.

Já aos 29 do segundo tempo, quando parecia não ter mais forças para atacar, La Dea encaixou uma transição perfeita, Gianluca Scamacca recebeu por dentro e acionou o camisa 11 à esquerda. Lookman encarou, pedalou e mandou uma bomba de canhota, direto no ângulo.

Uma conquista incontestável, história e memorável para um time que tem um trabalho ótimo de Gian Piero Gasperini. O título quebra um tabu de 61 anos sem título da Atalanta, desde a Copa da Itália de 1963.

Dessa vez, nem toda mística do Leverkusen de Xabi Alonso, que 12 vezes na temporada saiu atrás do placar e buscou o empate ou a vitória. Ao menos, eles conseguiram superar a maior sequência invicta da história do futebol europeu e ainda poderão conquistar a Copa da Alemanha, disputada no próximo domingo (25), contra o Kaiserslautern.

Atalanta tem 1º tempo de time grande na primeira final europeia

Nem parecia ser a primeira final europeia da Atalanta em 116 anos de história. Jogou como se fosse apenas mais uma rodada da Serie A, não uma partida para decidir um título inédito. Desde o início, buscou subir as linhas e sufocar o Leverkusen na saída de bola. E deu muito certo, forçando vários erros pelo chão ou lançamentos – o segundo gol sai dessa forma. Quando o adversário conseguia encaixar passes para sair, era parado com uma falta. Foi uma estratégia perfeita, também compactando as linhas para impedir que Wirtz aparecesse no espaço entre a defesa e o meio-campo.

Além dos gols, chegou em boas tramas, quase sempre envolvendo Lookman, Scamacca ou De Ketelaere. Em uma, antes mesmo do placar ser inaugurado, o centroavante dividiu com Hincapié para dar a primeira finalização, uma cabeçada sem perigo. Depois, já com 1 a 0, o mesmo italiano finalizou colocado da meia-lua após erro na saída do Leverkusen. No fim da etapa inicial, foi a vez do jovem belga finalizar de fora e exigir a única defesa mais complexa de Matej Kovar, tendo que ir ao chão para encaixar.

Já o Leverkusen…

O time de Xabi Alonso foi quase irreconhecível. Desconcentrado, mal na marcação, saída precária e ataques previsíveis. A estratégia do técnico em ter Josep Stanisic mais por dentro no momento com bola para dar superioridade no meio não deu certo pelo ótimo encaixe individual os italianos.

Os jogadores estavam bem abaixo tecnicamente também. Jeremie Frimpong era um dos poucos sóbrios. Na primeira subida perigosa, aos 18, cruzou rasteiro para trás e Alejandro Grimaldo ia pegar a bola de frente na meia-lua. Ia porque furou de forma inacreditável e na sobra Stanisic mandou nas mãos de Juan Musso. O mesmo espanhol ficou na cara do gol após meia hora. Viu o arqueiro sair e tentou uma cobertura que foi direto nas mãos do argentino. Primeiro tempo, no mínimo, estranho de Grimaldo, Xhaka e outros destaques da temporada.

2º tempo tem alemães mal novamente, enquanto La Dea crava mais um

Nem a entrada de Victor Boniface no intervalo ajudou muito o Leverkusen no retorno à etapa final. Ainda sofria muito com a pressão adversária e pouco chegava ao ataque. Tinha muito a bola, é claro, mas faltava ser mais incisivo. Até por isso, não criou nenhuma chance realmente clara nesses 45 minutos finais – algo quase inédito na temporada.

A Atalanta fez seu papel. No início pressionou como no primeiro tempo, só que com o passar do tempo perdeu o fôlego e passou apenas se fechar no 5-4-1 bem recuado e compacto. Único ataque perigoso dos italianos antes do terceiro gol veio com apenas três no relógio, quando um cruzamento rasteiro de Teun Koopmeiners poderia ter chegado em De Ketelaere para marcar se não fosse o corte de Hincapié.

Atalanta poderia ter 23/24 frustrante, mas título europeu salvou

Até hoje, La Dea só tinha vencido um título de primeira prateleira em sua centenária história: a Copa da Itália de 1963. Na atual temporada, oitavo ano de Gasperini no cargo, o clube de Bérgamo teve a oportunidade de ganhar de novo o mata-mata nacional, mas caiu para Juventus por 1 a 0 há uma semana. Ao menos, a Liga Europa salvou e coroa o trabalho do técnico italiano – que já era espetacular com ou sem taça.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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