Crise na Itália: Vexame na Copa do Mundo cria efeito dominó nos bastidores
Eliminação na repescagem faz com que seleção tetracampeã seja ausência no Mundial pelo terceiro ano consecutivo
O efeito dominó da queda da Itália na repescagem da Copa do Mundo de 2026 continua. Nesta quinta-feira (2), Gabriele Gravina, presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC, na sigla em italiano), renunciou ao cargo durante reunião extraordinária realizada em Roma, com a presença dos demais dirigentes. Com a derrota diante da Bósnia-Herzegovina, Gravina se tornou alvo do governo italiano a respeito da situação do futebol no país.
O novo presidente será eleito em Assembleia Extraordinária da FIGC, marcada para o próximo dia 22 de junho na capital italiana. Gravina, diante da pressão do governo italiano, também comparecerá em um audiência na Comissão de Cultura, Ciência e Educação na Câmara dos Deputados, no qual apresentará um relatório sobre o futebol italiano.
O presidente da FIGC não foi o único a renunciar a seu cargo na federação italiana nesta semana. Chefe de delegação italiana, Gianluigi Buffon é outro a deixar sua função diante da pressão sofrida pela ausência da Itália pela terceira Copa do Mundo consecutiva. Ex-goleiro e campeão mundial em 2006, na Alemanha, ele chegou a deixar seu cargo à disposição ainda nesta terça-feira (31), logo após a derrota na Bósnia, mas foi convencido a “esperar, para refletir”.
A saída de Gravina permitiu a Buffon seguir o mesmo destino. “Sinto-me livre para fazer o que considero um ato de responsabilidade. O objetivo principal era levar a Itália de volta à Copa do Mundo. E não conseguimos”, afirmou o ex-goleiro, por meio de suas redes sociais.
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— É justo deixar para quem vier depois (próximo presidente da FIGC) a liberdade de escolher a pessoa que considerar mais adequada para ocupar o meu lugar. Representar a seleção nacional é para mim uma honra e uma paixão que me domina desde que eu era criança — escreveu.
Gattuso também deve deixar a função de treinador da seleção italiana
Gravina estava à frente da FIGC desde outubro de 2018; Buffon, por sua vez, ocupava sua função desde 2023, logo após a ausência da Itália no Mundial do Catar. Com as duas respectivas saídas, a tendência é que Gennaro Gattuso, que sucedeu Luciano Spalletti no comando da seleção italiana em 2025, também deixe de ser treinador da Itália nos próximos dias.
Já há outros nomes na mira, segundo revelou o jornal italiano “Gazzetta dello Sport” nesta quinta-feira. Pep Guardiola, treinador do Manchester City, é o grande sonho da FIGC para suceder Gattuso. Em um cenário mais realista, Antonio Conte, do Napoli, e Massimiliano Allegri, do Milan, também surgem como opções. Assim como Roberto Mancini, campeão da Eurocopa com a Itália em 2021.
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Gattuso chegou à função na seleção italiana depois de derrota sobre a Noruega, por 3 a 0. O desempenho ruim no início das Eliminatórias ameaçou a equipe de não se classificar até para a repescagem. A eliminação da Copa do Mundo se deu após empate diante da Bósnia, por 1 a 1, e posterior derrota nos pênaltis.
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Momento negativo da seleção italiana é acompanhado por pressão do governo
Gravina chegou à função após a eliminação da Itália na repescagem para a Copa do Mundo de 2018, diante da Suécia — última partida oficial disputada por Buffon na seleção. Com a terceira ausência consecutiva do Mundial, o presidente da FIGC se tornou alvo do governo italiano.
Andrea Abodi, ministro de Esporte e Juventude da Itália, cobrou mudanças na federação — incluindo a saída de Gravina. Também em função deste pedido que o ex-presidente irá à audiência na Câmara dos Deputados. Durante o prêmio “Città Italiana dei Giovani 2026”, o político chegou a dizer que poderia ser forçado a tomar decisões junto ao Parlamento italiano para intervir na FIGC.
— É claro para todos que o futebol italiano precisa de ser reconstruído. Este processo deverá envolver uma renovação na liderança da FIGC. O Governo demonstrou concretamente, ao longo destes anos, o seu compromisso com todo o movimento desportivo italiano — afirmou o ministro.
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Esta pressão política também chegou aos olhares de Aleksander Ceferin, presidente da Uefa. A Itália será sede da Eurocopa em 2032, em conjunto com a Turquia, mas pode “perder” a candidatura diante dos últimos acontecimentos, como afirmou o mandatário, em entrevista à “Gazzetta dello Sport”.
— A Euro 2032 está agendada e vai acontecer, disso não há dúvida. Espero que a infraestrutura esteja pronta. Caso contrário, o torneio não será realizado na Itália. As autoridades políticas italianas deveriam perguntar a si mesmas por que a infraestrutura do futebol italiano está entre as piores da Europa — declarou.