Do protagonismo à decadência: Entre clubes e seleção, o que explica a crise do futebol italiano?
Futebol da Itália vive altos e baixos e pode ver seleção longe da Copa do Mundo pela terceira vez seguida
O momento delicado vivido pela seleção da Itália em mais uma Eliminatória da Copa do Mundo reascendeu o debate sobre a crise do futebol no país tetracampeão do mundo.
Disputando uma vaga na repescagem para o Mundial de 2026, a Azzura não participa do torneio há duas edições e corre risco de não garantir vaga na competição realizada nos Estados Unidos, México e Canadá.
Na equipe nacional, o momento negativo já se apresenta desde 2010, quando a equipe não conseguiu passar da fase de grupos do torneio de classificação para a Copa — um cenário que se repetiu em 2014. Alguns desses episódios ainda seguem frescos na memória dos italianos.
Entre os fracassos marcantes e recentes da Nazionale estão o “desastre de San Siro” — um empate de 0 a 0 com a Suécia, que venceu por 1 a 0 o jogo de ida pela repescagem; e o “naufrágio de Palermo”, se referindo à derrota por 1 a 0 para a Macedônia do Norte, também na última fase de classificação. Ambos os resultados impediram a Itália de disputar as Copas de 2018 e 2022.
Atualmente comandada pelo ex-jogador e ídolo do Milan, Gennaro Gattuso, a Itália vive uma crise de identidade, com trocas recentes de treinadores, por mais que alguns técnicos do país tenham tido sucesso em competições de clubes recentes. Contudo, a Azzura perdeu relevância no mercado.
O que aconteceu entre o título de Mancini e o sufoco de Gattuso
Nos últimos anos, nomes como Antonio Conte e Luciano Spalletti, que foram campeões nacionais, tiveram rápida passagem pela Seleção.
Conte chegou a comandar entre 2014 e 2016, mas decidiu voltar ao cenário de clubes, onde treinou o Chelsea e foi campeão da Premier League na época. Spalletti venceu a Serie A com o Napoli em 2023, assumiu a Itália em seguida e saiu em 2025 — hoje treina a Juventus.
Outros nomes tão conhecidos quanto sequer chegaram a assumir o selecionado. Simone Inzaghi, por exemplo, deixou a Inter de Milão, onde foi campeão italiano em 2024, para treinar o Al-Hilal.
Já Carlo Ancelotti afirmou nunca ter sido chamado para estar à frente da Azzura. Em contrapartida, foi convidado pela seleção brasileira e comanda o time rumo a 2026.
Roberto Mancini: por pouco, a exceção
O mais bem-sucedido nos anos de crise foi Roberto Mancini, que chegou ao comando da seleção principal masculina em 2018. A Itália teve momentos importantes com ele, apesar do tormento que se repetiu nos últimos anos. Em 61 jogos, ele contabilizou 37 vitórias, 15 empates e nove derrotas. Conquistou a Eurocopa de 2021, mas não se classificou para a Copa de 2022.

Contudo, a um ano para a Euro de 2024, o técnico renunciou ao cargo para assumir a seleção da Arábia Saudita, citando divergências com os dirigentes da Federação Italiana de Futebol.
— Se eu pudesse voltar atrás, não repetiria a decisão de deixar a Nazionale porque treinar essa seleção é o que há de mais bonito. Talvez não tenha me entendido bem com o presidente da Federação Italiana [Gabriele Gravina], talvez estivéssemos em um momento difícil, talvez tudo pudesse ter acontecido de forma diferente –, declarou em entrevista ao canal “RAI”.
Crise começou com Spalletti
Com a saída de Mancini, a seleção anunciou a chegada de Spaletti em agosto de 2023. Conhecido pelos seus trabalhos no cenário de clubes, especialmente com Inter de Milão e Roma, ele tinha como missão conquistar a vaga na Copa do Mundo de 2026. Entretanto, em junho de 2025, o treinador anunciou que foi demitido do cargo.
O italiano deixou a seleção italiana após a derrota por 3 a 0 para a Noruega na estreia das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. Pela Azzura, Spalletti participou de 23 partidas, somou 11 vitórias, seis derrotas e seis empates. Ele comandou a equipe nas Eurocopa 2024, que foi eliminada nas oitavas de final.
Operação resgate com Gattuso e Buffon
Foi então que a Federação Italiana alçou Gennaro Gattuso como novo técnico da seleção, ainda no mês de junho. Como atleta, Gattuso disputou 73 jogos pela seleção como atleta, onde esteve presente nas Copas do Mundo de 2002, 2006 e 2010, além das Eurocopas de 2004 e 2008.
A escolha pelo ex-jogador gerou questionamentos. Isso porque, em 2013, quando se aposentou como atleta, Gennaro iniciou a carreira de treinador. Desde então, comandou dez times, entre eles Milan e o Olympique de Marselha, mas conquistou apenas um troféu neste período: a Copa da Itália de 2019/20 com o Napoli.
Gattuso, então, chegou ao lado de Buffon, atual chefe de delegação da Itália, na expectativa de ser mais uma opção para motivar os jogadores do que desenvolver grandes ideias de jogo.

Com relação à Copa de 2026, há um peso ainda maior caso a Nazionale não se classifique. Isso porque o Mundial de 2026, que será realizada no Canadá, México e Estados Unidos em junho e julho do próximo ano, contará, pela primeira vez, com 48 seleções.
— Mesmo com uma Copa do Mundo expandida, que será maior do que nunca, a Itália ficar de fora… Foi considerado apocalíptico da primeira vez que eles ficaram de fora em 2017, não sei em que estágio do apocalipse estamos agora –, afirmou o jornalista italiano James Horncastle, falando no podcast “Euro Leagues”, da “BBC”.
Gatusso, que já vive sob pressão, acumulou polêmica nos últimos meses, quando chegou a afirmar que, caso a equipe não se classifique, sairia do país. Ele ainda fez reclamações da fórmula de disputa das Eliminatórias Europeias e fez um paralelo com a tabela das Eliminatórias Sul-Americanas.
— É normal que precisemos entender os critérios. Olhando para a tabela sul-americana, que tem 10 equipes, das quais seis se classificam, a sétima disputa um playoff contra a equipe da Oceania, essa é a decepção. Temos que repensar as coisas –, declarou.
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Título da Euro iludiu em meio à desastre da Itália
A conquista da Eurocopa de 2021 teve o seu tom de dramaticidade, para fazer jus às décadas vividas pelo Calcio. Naquele momento, a Itália conquistava pela segunda vez na história o título continental, diante da Inglaterra, em Wembley.
Tetracampeã mundial, a Azzura voltou a conquistar a Eurocopa depois de 53 anos. Até então, o único título continental havia sido conquistado em 1968, quando foi país-sede do torneio. O tempo regular terminou em 1 a 1, enquanto as penalidades resultaram em 3 a 2 para os italianos.
Naquela edição, a equipe de Roberto Mancini parecia determinar aos fantasmas do passado: os tabus das ausências na Copa e o jejum de títulos continentais.
Dona da maior série invicta de uma seleção na história do futebol, com 37 jogos, a seleção conquistou o título de forma impactante — diante do histórico recente– e trouxe expectativas de que a geração poderia ser uma das dominantes no continente.

Contudo, não foi o que aconteceu. A Nazionale não conseguiu conquistar a vaga para a Copa de 2022 e frustrou a nação que viveu momentos de glória no futebol mundial.
E se os fãs de futebol, especialmente os italianos, esperavam que a conquista continental se tornaria o renascimento da seleção, se enganaram. No ciclo seguinte, a equipe nacional iniciou uma renovação profunda.
Chiellini e Bonucci se aposentaram e jovens considerados como esperança da nova geração, não alcançaram o desenvolvimento esperado após o torneio. A renovação fracassou frente também, entre outros processos, às sucessivas trocas de técnicos.
Clubes italianos provam que problema vai além da Seleção
Mas a falta de resultados vai além das dificuldades apresentadas pela equipe comandada por Gennaro Gattuso, se tornando um problema nacional. Isso porque o rendimento dos clubes teve uma queda em meados 2010, após a implementação do Fair Play Financeiro da Uefa.
O impacto negativo no setor financeiro dos clubes refletiu diretamente no Milan e Juventus, as agremiações mais populares do país, que perderam protagonismo na Europa.
Estruturas defasadas de estádios, por exemplo, mostravam que a liga ficou para trás em comparação a países como Inglaterra, Alemanha e França, por exemplo.

A Juventus, então, deu o primeiro passo com relação à reformulação dos estádios com a construção do Juventus Stadium, após o estádio Delle Alpi de Turim ser considerado um fracasso e não ter agradado os torcedores, resultando na sua demolição em 2008 para criação de uma arena mais moderna.
A iniciativa da Velha Senhora iniciou uma corrida pela modernização por parte dos outros clubes. A Roma conseguiu um aval da prefeitura para erguer o seu próprio estádio, que substituiria o Olímpico de Roma.
O mesmo conseguiram Milan e Inter, que querem construir uma nova arena perto do San Siro, atual estádio dividido pelos rivais. Mesmo assim, os últimos anos dos rivais, que decidiram a Liga dos Campeões de 2003, diz muito sobre o momento do futebol italiano.
A decadência do Milan
Individualmente, os clubes também protagonizaram os seus próprios conflitos e tiveram escândalos para chamar de seu. No Milan, Silvio Berlusconi abriu uma nova era com a compra dos Rossoneros, em 1986.
Magnata e empresário do ramo de comunicações, Berlusconi salvou o Milan da falência e formou o que seria a principal potência da Europa. Primeiro, com a compra de jogadores como Gullit, Van Basten e Rikjaard. Depois, renovou o domínio com o time formado por Maldini, Pirlo, Seedorf, Kaká, Shevchenko e outros craques.
No período de comando de Berlusconi, que durou de 1986 a 2017, o rubro-negro conquistou cinco taças da Champions League, oito títulos do Campeonato Italiano, dois Mundiais interclubes e uma Copa da Itália.
Com o sucesso do clube, Silvio foi impulsionado na carreira política, chegando a ser eleito primeiro-ministro da Itália. Mas a série de escândalos de corrupções ligadas ao seu nome fez com que os investimentos por parte do empresário para o clube caíssem, até que vendesse a sua participação no Milan após 30 anos.

Após a venda de Silvio, o clube se meteu em um novo problema. Isso porque o empresário anunciou a venda das suas ações para o empresário chinês Li Yonghong. No entanto, o chinês não pagou os 32 milhões de euros que pegou emprestado para viabilizar a transação, e entregou o clube como garantia para o fundo de investimentos norte-americano Elliott Management Corporation.
Sem interesse em gerir o clube, a Elliot buscou novos compradores para o Milan ao longo de quatro anos, resultando na venda para o fundo de investimentos norte-americano RedBird Capital Partners, por 1,2 bilhão de euros. A venda foi oficializada em 2024.
Segundo maior vencedor da história da Champions League, os Rossoneros sofreram com a perda da força financeira do futebol italiano após os anos polêmicos. O resultado impacta no clube até os dias atuais.
Na temporada 2021/22, o clube teve uma receita total de 297,7 milhões de euros — quantia menor do que a entrou em seus cofres 15 anos antes, em 2005/06, quando arrecadou 305,1 milhões de euros.
O Milan também nunca mais voltou a uma decisão de Champions League, que disputou em 2003, 2005 e 2007. O mais longe foi uma semifinal em 2022/23. Em outras competições, apenas mais um troféu relevante: a Serie A de 2021/22.
Apesar de auge recente, Juventus vive momento parecido
Enquanto o Milan vivia o auge, a Juventus precisou passar por um momento de recuperação. Punida pelo escândalo de manipulação de resultados, o maior time da Itália precisou recomeçar na segunda divisão em 2006/07.
Apesar de toda a crise, naquela época a Juventus tinha em seu plantel atletas que atuaram na seleção italiana em 2006, durante o tetracampeonato, além de jogadores que participaram do elenco principal de outras seleções — que ajudou no acesso imediato.

Apesar da volta, o clube demorou a retomar o protagonismo nacional, que só voltou por completo em 2011. A Juventus conseguiu retornar ao seu momento de glória quando um membro da família, Andrea Agnelli — uma das dinastias mais fortes da Itália — chegou ao cargo de presidente. Com dinheiro e influência, os bianconeri montou elencos competitivos e empilhou títulos.
A influência e a admiração histórica da Fiat –empresa da família Agnelli– no país fez com que o número de torcedores da Juventus dobrasse em comparação ao Milan ou Inter, ficando conhecida na Itália como “time do povo”.

Para além da construção do Juventus Stadium, Andrea também modificou políticas internas do clube, contratando novos dirigentes, além de Antonio Conte adiantou os resultados positivos tão esperados pelo clube.
O resultado se deu com a conquista de nove títulos a partir de 2012 e chegou a ficar com o vice-campeonato da Champions em 2015 e 2017, perdendo para Barcelona e Real Madrid. No ano seguinte ao segundo vice, a Juve fechou a contratação do carrasco Cristiano Ronaldo, uma das maiores estrelas do futebol.
Além do craque português, durante esse período passaram pelo clube jogadores como Andrea Pirlo, Carlos Tevez, Arturo Vidal, Juan Guillermo Cuadrado, Paul Pogba, Álvaro Morata e Paulo Dybala.
Mas em 2023, o fantasma das polêmicas retornou ao quintal bianconero. Naquele ano, o ex-presidente Andrea Agnelli foi suspensos pelo Tribunal Federal de Apelação da Federação Italiana de Futebol em mais um caso de corrupção, dessa vez por fraudes fiscais em contratações de jogadores.
A Juve tinha sido absolvida em abril de 2022, assim como outros clubes, depois que a Comissão Supervisora da Serie A (Covisoc) investigou 62 transferências suspeitas feitas durante as temporadas de 2018/19, 2019/20 e 2020/21.
Com isso, o órgão teria descoberto que 42 fraudes que envolviam a Juventus. Entre elas, a troca entre os meio-campistas Pjanic e Arthur, com o Barcelona. Durante os anos de investigação, promotores identificaram indícios de contabilidade falsa, faturas inexistentes de transferências e manipulação de mercado.

Naquela época, fiscais da Guarda de Finanças realizaram operação de busca e apreensão de documentos no Centro de Treinamento Continassa e na sede da Juventus.
Seis pessoas foram alvos da operação, entre elas Agnelli e o vice-presidente Pavel Nedved. Além deles, membros da administração do clube pediram demissão do clube um mês após a conclusão das investigações. O time ainda foi punido em 10 pontos no Italiano de 2022/23, terminando em 7º lugar.
A confusa administração tampouco conseguiu estabelecer um projeto esportivo que salvasse o time. Depois de duas eras vitoriosas — Conte (2011 a 2014) e Allegri (2014 a 2019) –, a Juve apostou em Maurizio Sarri, que saiu campeão italiano em 2020. Isso porque “só” o Scudetto já não era suficiente para a ambição do projeto. Mal sabiam os bianconeri que aquele seria o último título da Serie A.
Nos anos seguintes, revezaram no comando Andrea Pirlo, Allegri (de novo, mas sem o mesmo sucesso), Thiago Motta, Igor Tudor e, agora, Spalletti. Escolhas confusas, à exceção de Allegri, que não duraram mais de seis meses.
Apesar de duas Copas da Itália, conquistadas em 2021 e 2024, o time ficou longe dos holofotes anteriores. A crise nos bastidores refletiu em campo e não permitiu que a maior campeã italiana voltasse a erguer o Scudetto.
Juventus após último Scudetto:
- 2020/21: 4º lugar
- 2021/22: 4º lugar
- 2022/23: 7º lugar
- 2023/24: 3º lugar
- 2024/25: 4º lugar
E o futuro do futebol italiano?
Entre crises, escândalos, luto e reestruturação, há um fator em comum no país da bota: o sonho de que o futebol nacional retome o protagonismo mundial, seja por clubes ou seleção.
Para Fabio Larosa, jornalista do site “Calcio d’Angolo”, o declínio do Calcio se dá pela falta de incentivo e investimento em academias de formação de novos jogadores, além de oportunidade para novos talentos dentro dos próprios clubes.
— As razões do declínio do futebol italiano devem ser buscadas principalmente na falta de investimento no desenvolvimento de jovens talentos. Há algumas décadas, a Itália tinha que escolher entre jogadores como Baggio, Totti e Del Piero. Hoje, produzir jogadores de alta qualidade tornou-se cada vez mais difícil, em grande parte porque para muitos clubes é mais conveniente “reciclar” jogadores estrangeiros no final de suas carreiras do que investir em jovens talentos — afirma em entrevista à Trivela.
Larosa pontua que a chegada de grandes nomes do futebol mundial no fim da carreira traz preocupação sobre como o futebol italiano tem lidado com as escolhas dos jogadores durante as janelas de transferências.
— Só na última janela de transferências, a Série A recebeu jogadores como De Bruyne, Vardy e Modric. O que é ainda mais preocupante é que todos eles são titulares indiscutíveis em seus respectivos times. Eles não são contratados para trazer experiência, mas para ditar o ritmo do jogo apesar da idade, o que sugere que algo não está funcionando em um nível muito mais profundo — analisa.

Para o jornalista, o espaço dado aos jogadores mais experientes em detrimento de “arriscar” dar novas chances aos jovens promissores do país revela a mentalidade baseada no medo dos dirigentes.
— Francesco Pio Esposito é um dos talentos mais promissores, mas só começou a jogar na Série A este ano, aos 20 anos, e nem sequer regularmente. É claro que qualquer comparação com Lamine Yamal não se sustenta por razões óbvias, mas o craque do Barcelona é dois anos mais novo e é titular absoluto desde os 16. O problema, portanto, também reside na mentalidade e no medo: os clubes tendem a confiar em jogadores experientes em vez de arriscar em jovens promessas — explica.
Com relação à seleção italiana, Fabio reforça o sentimento nacional de desilusão diante dos resultados negativos que acompanharam os últimos anos, além do impacto nas tradições para a nova geração.
— Outro fator que não deve ser subestimado é o sentimento de desilusão entre os torcedores italianos em relação à seleção nacional. A ausência em duas Copas do Mundo consecutivas, com o risco de uma terceira, significa que quase toda uma geração nunca experimentou a emoção de torcer pela Itália em uma Copa do Mundo: assistir aos jogos com os amigos, comer pizza, pendurar bandeiras tricolores nas varandas — declara.

De acordo com o jornalista, sem a Azzura como referência, resta os jovens italianos se apegarem aos clubes, o que não é um sentimento suficiente para um país que conquistou quatro títulos mundiais.
— Para os italianos de hoje, o futebol se resume principalmente aos clubes, que por sua vez não vivem um período de grande sucesso em nível internacional (a última conquista da Liga dos Campeões data de 15 anos atrás, com a Inter de Milão). A seleção nacional se tornou quase um incômodo, algo a ser suportado durante as pausas para jogos internacionais — comenta.
Larosa indica que o futebol italiano só deve trazer resultados positivos com investimentos concretos e planejamento a longo prazo, o que, na opinião dele, vai exigir coragem para conseguir reavivar o espírito de paixão nacional pelo futebol.
Encontrar uma fórmula para a revitalização certamente não é fácil, mas deve envolver investimentos sensatos e concretos: estádios privados, academias de jovens, planejamento a longo prazo e coragem. Ninguém quer assistir a uma terceira Copa do Mundo consecutiva sem a Itália, mas mesmo que a Azzurra vencesse a repescagem e se classificasse, isso não seria suficiente. O futebol é um esporte em que simplesmente participar não basta. É preciso competir para vencer e sentir emoções, seja dentro de um estádio ou em frente à TV. Essas emoções, os torcedores italianos agora vivenciam quase que exclusivamente com seus clubes, e apenas no contexto nacional.



