Esperar Liverpool ou fechar com Chelsea: Qual o melhor destino para Xabi Alonso
Técnico espanhol estaria aberto para assumir Blues; Para fechar com o Liverpool, provavelmente precisaria esperar uma temporada
Xabi Alonso está entre os cotados no momento para assumir o Chelsea, segundo informações do conceituado site “The Athletic” — Andoni Iraola, de saída do Bournemouth, é o outro especulado. O espanhol está sem clube desde janeiro após a demissão do Real Madrid e estaria “aberto à possibilidade” de fechar com a equipe londrina.
O ex-meio-campista de sucesso também é frequentemente vinculado ao Liverpool, clube que defendeu durante cinco temporadas quando jogador. O atual campeão inglês faz uma temporada desastrosa no segundo ano de Arne Slot, que tem sido pressionado pelo desempenho do time e declarações controversas em entrevistas coletivas.
O técnico dos Reds, porém, não deve sair agora. As principais fontes da Inglaterra apontam para uma permanência de Slot até o meio de 2027, quando finaliza o seu contrato e o dos diretores Richard Hughes e Michael Edwards.
Então, surge a questão para Alonso: ter um ano sabático e aguardar assumir um clube onde já é respeitado pela torcida ou se aventurar no Chelsea, com um elenco recheado de opções? A Trivela lista os prós e contras e chega a uma conclusão neste artigo.
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Xabi Alonso no Chelsea
Elenco encaixa com ideia do técnico
Há poucos clubes no mundo como o Chelsea no quesito jovens no grupo de jogadores prontos para serem potencializados. Estão à disposição nomes como Jorrel Hato, Roméo Lavia, Andrey Santos, Moisés Caicedo, Cole Palmer, Estêvão e João Pedro, todos abaixo dos 25 anos, além de Enzo Fernández.
Alonso, mesmo com poucos anos de carreira à beira do campo, já tem um lastro de jogadores mais novos que brilharam sob seu comando, como Florian Wirtz, Piero Hincapié e Jeremie Frimpong no Bayer Leverkusen, trio que entrou para o top-5 maiores vendas do clube — Wirtz como o primeiro –, e Gonzalo García e Arda Güler em poucos meses no Real Madrid.
O elenco blue ainda tem jogadores a serem resgatados e que nunca brilharam em Stamford Bridge. Benoit Badiashile, Tosin Adarabioyo, Wesley Fofana, Alejandro Garnacho e Liam Delap, caso não saiam na próxima janela de transferências, entram nesse quesito.
Não seria difícil imaginar como seria uma escalação sob o comando do espanhol, em especial no 3-4-3 que fez sucesso na Alemanha entre 2022 e 2024, com direito a título inédito e invicto da Bundesliga, além de ter conquistado a Copa da Alemanha e ter sido vice na Liga Europa. O técnico ainda mostrou mais alternativas na Espanha, também atuando em linha de quatro defensores.
Seria uma equipe agressiva e intensa, a partir de jogo posicional mais fluido, que tem repertório para atacar de forma vertical — mais difícil no Chelsea porque não há um centroavante rápido como Victor Boniface nem um meia criativo como Wirtz — ou de forma mais pausada, rodando a bola em busca dos espaços (cenário mais possível).
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Blues também somam muitos poréns
Alonso ainda teria em Londres, talvez mais do que em Liverpool, um enorme poder de investimento, com 1 bilhão de euros gastos só nas três temporadas anteriores. A questão é se tudo isso de dinheiro jorrado, com enorme prejuízo, limitará os investimentos do clube por conta do fair play financeiro da Premier League.
Outro problema, o que é uma certeza, é a instabilidade de uma gestão perdida. O consórcio BlueCo adquiriu o Chelsea em 2022 pela pressão no oligarca russo Roman Abramovich e iniciou uma sequência de decisões questionáveis. As contratações são alvos de questionamentos, pois parece um projeto de pensar apenas na revenda dos jovens do que em títulos — a contratação de um técnico pesado como Alonso poderia passar o recado de que as taças são importantes.
A grande questão, porém, é a paciência com os treinadores, algo já comum com Abramovich, mas mascarado pelos títulos — cinco Premier Leagues, duas Champions Leagues e mais algumas taças em 18 anos. Thomas Tuchel, Graham Potter, Frank Lampard, Mauricio Pochettino, Enzo Maresca e o mais recente, Liam Rosenior, com apenas 104 dias no cargo, foram demitidos no período.
O último técnico a ficar no cargo mais de dois anos nos Blues foi José Mourinho, que comandou o time na última passagem entre o meio de 2013 e o fim de 2015.
Alonso precisa de estabilidade e apoio para implementar suas ideias e filosofias. No Real Madrid, ele falhou em decisões com jogadores, acumulou problemas no vestiário e, sem o apoio de Florentino Pérez, foi demitido. No Chelsea ou no Liverpool, a tendência é o técnico ser o “maior” nome e ter o respeito natural.
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E no Liverpool?
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Com Alonso ou Slot, clube precisa de novos nomes para a próxima temporada
Além das lesões, da queda de desempenho dos jogadores e erros de Slot, o Liverpool sofreu nesta temporada com um elenco curto e sem tantas opções. O problema é agravado com os desfalques de longo prazo de Hugo Ekitiké, Conor Bradley e Giovanni Leoni, todos com graves problemas físicos.
O clube ainda terá que lidar com as saídas confirmadas dos ídolos Mohamed Salah e Andrew Robertson, a quase certa de Federico Chiesa e a possível de Alisson, alvo da Juventus.
Se Slot ficar ou, mais improvável, Alonso chegar para 2026/27, de todo jeito o time vai precisar de reforços em praticamente todos os setores: nomes na zaga, no meio-campo e nas duas pontas. E será muito dinheiro gasto para isso, afinal, substituir o craque egípcio exigirá um nome à altura.
Será, novamente, um elenco precisando se adaptar, criar uma cultura e buscar o melhor encaixe, forma parecida ao que tem sido em 2025/26.
Técnico espanhol ainda teria que ter paciência
Se quiser retornar ao clube onde conquistou a Champions de 2005, Alonso precisaria ter a paciência de ter um ano sabático, o que nem sempre é o que um técnico, ainda mais jovem como ele, quer.
A indicação de que Alonso estaria aberto ao Chelsea pode ser interpretada também como falta de paciência para algo que não é certo. A saída de Arne Slot até é provável no contexto atual, mas quem garante que, se ele não vencer o título da Premier League ou da Champions na próxima temporada, o cenário não mude e ganhe um novo contrato?
No entanto, isso seria muito surpreendente por todo o contexto de elenco e pelo que o holandês apresentou como soluções desde agosto do ano passado.
Após temporada desastrosa, Liverpool precisa de reflexão sobre mercado e mudanças internas
— Trivela (@trivela) April 15, 2026
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Nos Reds, o técnico espanhol, diferente do Chelsea, também teria uma estabilidade no cargo talvez incomparável no futebol mundial. Ao longo de 133 anos de história, o clube só teve 22 técnicos. Slot, no auge da pressão e cenário quase insustentável, é um exemplo.
Alonso poderia virar a cara do time, como foi Jürgen Klopp por quase uma década, e ter o tempo necessário para testar, errar e colher os frutos em uma longa trajetória. Ainda teria o fator identificação com a torcida em um local onde jogou muito e conquistou uma Champions League. Os fãs até cantaram seu nome após uma derrota no último mês.
Por longo prazo, Xabi Alonso deveria escolher o Liverpool
Ter uma carreira rotativa, com muitos times, demissões e altos e baixos, nem sempre é o sonho de um técnico. Alonso, se buscar estabilidade, o Liverpool deveria ser sua escolha, podendo moldar um clube à sua filosofia e ter um longo reinado, com poder de investimento e apoio de torcedores e da gestão.
Caso queira o imediato, talvez sem tanta paciência para fracassos — como experimentou em Madri –, o técnico espanhol poderia se aventurar no Chelsea e ter à disposição um elenco com enorme potencial.