O Rei Egípcio: Salah se despede do Liverpool com legado imensurável e como lenda do clube
Atacante de 33 anos deixará Reds ao fim da atual temporada como um dos maiores da história do clube de Anfield e da Premier League
“Infelizmente, chegou o dia“. Assim Mohamed Salah iniciou a sua despedida do Liverpool, em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça (24). O “Rei Egípcio”, como foi apelidado pela torcida dos Reds, deixará o time ao fim da atual temporada, completando nove anos em Anfield.
Era difícil imaginar em 2017 que aquele ponta vindo da Roma, conhecido mais por sua velocidade, se tornaria um dos maiores jogadores da história do clube e da própria Premier League, superando a desconfiança do valor de sua contratação, 42 milhões de euros, e da passagem frustrante pelo Chelsea entre 2014 e 2015.
Ele se provou mais do que um típico atacante de lado de campo, sendo decisivo com gols, assistências e a maior liderança técnica que marcou a era recente vencedora dos Reds. Mais do que um atleta histórico, ele virou uma extensão dos torcedores do Liverpool em campo.
— Jamais imaginei o quão profundamente este clube, esta cidade, estas pessoas, se tornariam parte da minha vida. O Liverpool não é apenas um clube de futebol. É uma paixão. É uma história. É um espírito que não consigo explicar em palavras para ninguém que não faça parte deste clube — se declarou.
— Mohamed Salah (@MoSalah) March 24, 2026
Nem as polêmicas entrevistas nos últimos anos, como a cobrança por uma renovação em 2025 e a exposição de como se sentia ao ser reserva com Arne Slot nesta temporada, ou a queda de desempenho recente, diminuem o legado e a importância de Salah.
O atacante, com 255 gols em 435 jogos até o momento, nove títulos e o terceiro maior artilheiro da história do Liverpool, chegou em um momento diferente do clube.
Salah foi a cara da era vencedora do Liverpool
Quando foi contratado em 2017, Mohamed Salah encontrou um time que não conquistava a Premier League desde 1990, a última Champions League tinha sido 12 anos antes e até nos tornais locais o jejum era de várias temporadas — Copa da Liga Inglesa 2012, Copa da Inglaterra 2006. O gigante Liverpool estava adormecido.
O jogador, comandado por Jürgen Klopp, foi o responsável pela reconstrução dos Reds, e parte de um trio histórico de ataque com Roberto Firmino e Sadio Mané — contratados em 2015 e 2016, respectivamente –, tratou de mudar essa realidade.
O atacante, mesmo que antes tratado pelos críticos como um “pontinha” que só corria, se mostrou um goleador a cada temporada pelos Reds. Ele entregou mais de 40 gols em uma oportunidade, 30 ou mais quatro vezes e 20 em outras três.
— Mo Salah! Mo Salah! Mo Salah! Correndo pela ponta. Mo Salah la-la-la la-ahh, o rei egípcio! — canta a torcida do Liverpool em homenagem a seu maior craque nos últimos dez anos.
Não à toa, acumulou prêmios individuais. Foi artilheiro da Premier League em cinco edições, eleito o melhor jogador do futebol inglês pela associação de jogadores em três anos e em dois pela própria organização da liga. Só faltou um reconhecimento maior no The Best da Fifa — terceiro lugar em 2018 e 2021 — e na Bola de Ouro — quarto no ano passado.

Boa parte dos gols do ponta pelo Liverpool vieram em um movimento que marcava a era Klopp. Firmino, como falso nove, flutuava para fora da área e o egípcio atacava em diagonal da direita para dentro. Em sua primeira Premier League, marcou 31 vezes e bateu o recorde de gols em uma só edição com 20 times, que era de Cristiano Ronaldo, Luis Suárez e Alan Shearer — Erling Haaland, em 2023, o superou, com 36 tentos.
A temporada 2017/18, no entanto, terminou de forma traumática, com Salah se lesionando na derrota por 3 a 1 na final da Champions contra o Real Madrid. Ele seria recompensado no ano seguinte, com o título europeu, a primeira taça de sua passagem, em cima do Tottenham, marcando cinco gols na campanha, incluindo na final.
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Reds voltaram ao topo do futebol inglês após 30 anos com o Rei Egípcio
O craque, como parte decisiva novamente, participou de 29 gols na trajetória que devolveu o título inglês ao clube de Anfield em 2020 após três décadas. Doeu ao atacante, porém, o contexto de pandemia que não o deixou comemorar a taça com os torcedores.
Para compensar isso, Salah fez uma das temporadas mais brilhantes da carreira em 24/25, marcando 29 gols e distribuindo 18 assistências — recorde de participações na história da liga com 20 times –, e o Liverpool levou a Premier League pela 20ª vez, igualando o maior campeão Manchester United.

A celebração com a torcida reforçou a identificação com uma cidade acostumada a abraçar pessoas de diferentes origens. Em outras músicas sobre o craque, os fãs dos Reds tratam com respeito a religião dele.
— Se ele é bom o suficiente para você, ele é bom o suficiente para mim. Se ele marcar mais alguns gols, eu também me tornarei muçulmano. Sentado na mesquita, é lá que eu quero estar! Mo Salah-la-la-la, la-la-la-la-la-la-la.
— Mohamed Salah, uma dádiva de Alá. Ele veio de Roma para Liverpool. Ele está sempre marcando gols, é quase entediante. Então, por favor, não levem Maomé embora.
A queda na atual temporada e sua possível despedida
O desempenho no último ano o fez ganhar um novo contrato até 2027, mas que não será cumprido até o fim.
O Rei Egípcio não manteve a mesma regularidade na atual temporada, o que pode ser uma queda física pela idade e o impacto psicológico pela trágica morte de Diogo Jota no meio do ano passado, o que também marcou a derrocada coletiva do time.
O camisa 11 ainda conseguiu ter atuações históricas mesmo em meses abaixo. O Liverpool avançou às quartas de final da Champions com um golaço de fora da área dele — como fez vários nesses nove anos — e uma assistência.
A taça europeia (enfrenta o PSG) e a FA Cup (Manchester City é o adversário, também nas quartas) são as últimas chances de Salah se despedir com título do grande clube de sua carreira. Se não conseguir avançar, sua despedida pode ser na última rodada da atual Premier League, em 24 de maio, quando o time de Slot recebe o Brentford em Anfield.
A casa vermelha deve ser palco de uma festa à altura do tamanho de Salah. O Liverpool, diferente de outros clubes, tem conseguido fechar de forma bonita os ciclos de seus ídolos recentes, como foi com Klopp, em 2024.
— Partir nunca é fácil. Vocês me proporcionaram os melhores momentos da minha vida. Sempre serei um de vocês. Este clube sempre será meu lar, para mim e para minha família. Obrigado por tudo. Graças a todos vocês, eu nunca caminharei sozinho — finalizou Salah em seu vídeo de anúncio da saída.
Mohamed Salah is to bring the curtain down on his illustrious career with Liverpool Football Club at the end of the 2025-26 season.
— Liverpool FC (@LFC) March 24, 2026
The time to fully celebrate his legacy and achievements will follow later in the year when he bids farewell to Anfield ❤️
Naturalmente, a Arábia Saudita parece um destino para o jogador, pois já negociou com executivos da liga nos últimos anos. Não seria impossível, porém, ele entregar mais alguns anos de alto nível na Europa, afinal, só tem 33 anos.



