Futebol inglês

Iraola: ‘Vejo Wirtz nessa posição no Liverpool. Vamos começar a trabalhar com ele assim’

Adaptação à intensidade da Premier League não foi simples, e Iraola agora busca um cenário mais favorável às características do alemão

A primeira pré-temporada de Andoni Iraola no comando do Liverpool começa a oferecer pistas mais concretas sobre a identidade que o treinador pretende dar à equipe. Depois das vitórias sobre Sunderland, em Nashville, e Wrexham, em Nova York, o espanhol revelou nesta quinta-feira (30) um dos planos mais relevantes para 2026/27: reposicionar Florian Wirtz como um jogador que atue atrás do centroavante, função na qual acredita ser possível extrair a melhor versão do alemão.

— Obviamente, como todos os outros, mas com ele em especial precisamos de uma boa versão do Florian. Sabemos o que ele pode nos dar, ele se encaixa no nosso modelo de jogo. Eu o vejo numa posição atrás de um atacante, vamos começar a trabalhar com ele nessa posição. Ele é um jogador bastante completo. Queremos adicionar mais coisas ao que ele já tem, que é muito bom. Ele está num bom momento mental — afirmou Iraola.

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A declaração chama atenção porque representa mais do que um simples ajuste de posicionamento. Ela reforça a intenção do novo treinador de reconstruir a confiança de um atleta que chegou cercado por enorme expectativa, mas que viveu uma temporada de adaptação abaixo do esperado.

Contratado como um dos jogadores mais caros da história do Liverpool durante a agressiva janela de verão de 2025/26 — que também contou com os investimentos em Alexander Isak e Hugo Ekitike —, Wirtz não conseguiu reproduzir imediatamente o futebol que o transformou em uma das grandes estrelas do Bayer Leverkusen.

Embora tenha apresentado evolução nos meses finais da temporada passada, o alemão esteve longe do jogador decisivo, criativo e dominante que encantou a Bundesliga. Agora, com um novo treinador e uma nova ideia de jogo, o Liverpool acredita que a temporada 2026/27 pode marcar uma virada de chave.

Como Iraola pretende potencializar Wirtz no Liverpool?

Wirtz em ação pelo Liverpool
Wirtz em ação pelo Liverpool (Foto: David Rawcliffe / Propaganda Photo / IMAGO)

Quando Iraola diz que enxerga Wirtz “atrás de um atacante”, a tendência é que esteja falando de uma função central, próxima daquilo que tradicionalmente se associa ao camisa 10 moderno. Não necessariamente um meia clássico, responsável somente pela criação, mas um jogador livre para ocupar os espaços entre as linhas adversárias, acelerar ataques e chegar constantemente à área.

Na prática, essa função também pode assumir características de um segundo atacante, dependendo da estrutura utilizada pelo Liverpool. Em equipes treinadas por Iraola, é comum que o jogador central tenha liberdade para pressionar a saída rival, atacar profundidade e alternar constantemente de posição com os homens da frente.

Essa mobilidade conversa diretamente com as principais virtudes de Wirtz. No Leverkusen, ele brilhou justamente recebendo entre os volantes e a defesa adversária, girando rapidamente, encontrando passes verticais e aparecendo como elemento surpresa dentro da área. Sua inteligência para interpretar espaços sempre foi um diferencial maior do que a velocidade em longas arrancadas.

Na temporada passada (a primeira pelos Reds), porém, o alemão acabou desempenhando diferentes funções. Atuou predominantemente como meia ofensivo, mas também apareceu pela ponta esquerda, foi utilizado em alguns momentos pela direita, exerceu a função de segundo atacante e chegou até mesmo a atuar como falso centroavante em situações específicas.

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A adaptação à Premier League e o desafio de Iraola

Iraola e comissão técnica após amistoso do Liverpool
Iraola e comissão técnica após amistoso do Liverpool (Foto: David Rawcliffe / Propaganda Photo / IMAGO)

A dificuldade encontrada por Wirtz também está longe de ser um caso isolado. A adaptação de jogadores vindos de outras ligas para a Premier League costuma exigir tempo, sobretudo quando o atleta construiu sua carreira em um contexto tático diferente.

O Campeonato Inglês combina intensidade física elevada, transições extremamente rápidas, pressão constante sem bola e um número muito maior de disputas individuais do que ligas como a Bundesliga. Para um jogador essencialmente técnico, que faz da leitura dos espaços, dos giros curtos e da criatividade suas maiores armas, esse processo naturalmente demanda ajustes.

Isso não significa que suas características sejam incompatíveis com a Premier League. Pelo contrário. Diversos meias criativos passaram por um período semelhante antes de atingirem alto rendimento na Inglaterra. A diferença costuma estar justamente na capacidade do treinador de criar um ambiente em que essas qualidades apareçam com maior frequência.

E é nesse ponto que a fala de Iraola ganha importância. Ao definir publicamente onde pretende utilizar Wirtz, o treinador sinaliza que deseja oferecer estabilidade tática ao jogador, algo que pode acelerar sua evolução. O próprio espanhol reconhece que vive período de adaptação ao assumir um clube com outro nível de exigência — bem diferente do Bournemouth, seu ex-time.

— Quero acreditar que estou melhor do que estava no ano passado, com mais um ano de experiência na Premier League. Agora é um desafio diferente, as expectativas são maiores e é um desafio para mim, como treinador, adaptar-me taticamente a novos cenários. Já demos os primeiros passos, a turnê está indo bem, estou feliz, mas ainda precisamos ver os jogadores mais experientes se integrarem e isso tem sido bastante progressivo. Estamos no caminho certo.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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