Futebol inglês

Como uma possível permanência de Bruno Guimarães pesa para o futuro do Newcastle

Meio-campista brasileiro é alvo do campeão inglês Arsenal, que sinaliza proposta de 75 milhões de libras

A possível saída de Bruno Guimarães do Newcastle é uma das principais novelas da atual janela de transferências. O Arsenal, atual campeão inglês, balançou o brasileiro com uma proposta, já recusada pelos Magpies. Os Gunners fizeram outra investida por 75 milhões de libras, entre fixo e bônus, e esperam retorno.

O valor ainda é abaixo do que o clube do norte da Inglaterra espera. De toda forma, eles não querem negociar o jogador da seleção brasileira, e há boas razões. O que se tornou um novo peso a favor da sua saída é a despedida surpreendente do técnico Eddie Howe. O treinador inglês decidiu deixar o clube, um baque no projeto dos Magpies e que afeta diretamente a situação do brasileiro.

Nesta análise, a Trivela explica como Guimarães se tornou tão decisivo para o Newcastle a ponto de sua saída também significar um golpe para as pretensões futuras do clube.

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Bruno Guimarães seria terceiro titular de saída

Bruno Guimarães comemora vitória do Newcastle
Bruno Guimarães comemora vitória do Newcastle (Foto: IMAGO / Every Second Media)

O Newcastle tem se destacado mais pelas vendas do que pelas contratações nesta janela. O clube lucrou 188 milhões de euros com as saídas de Sandro Tonali, rumo ao Tottenham, e Anthony Gordon, ao Barcelona. Os dois jogadores eram, como ainda é Guimarães, absolutos pilares no estilo de jogo do técnico Eddie Howe.

O atacante terminou como o artilheiro da temporada, com 17 gols, sanando a crise de camisas 9 no clube após a saída de Alexander Isak e os problemas de adaptação de Nick Woltemade e Yoane Wissa. Já o italiano é parte essencial em fazer o meio-campo dos Magpies ser um dos mais intensos e combativos do mundo.

Dois duros golpes dentro de campo que resultaram no pedido de demissão do técnico inglês. O Newcastle terá uma temporada que promete ser de reconstrução e foco na Premier League após terminar em 12º lugar na última edição.

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Newcastle perderia liderança em momento sensível

Mesmo com menos de 30 anos, o meio-campista se consolidou entre as lideranças do clube desde sua chegada, em janeiro de 2022. Ele ingressou no clube como um dos primeiros grandes investimentos na gestão do Fundo Soberano da Arábia Saudita e se provou a partir do momento em que pisou no St. James’ Park, sendo sempre titular.

Chegou, brilhou, firmou-se na seleção brasileira e, após dois anos, virou o capitão do time. Ser o dono da braçadeira em um time inglês costuma ter um valor simbólico maior do que visto, por exemplo, no Brasil. É o cara para ser o porta-voz da torcida e virar a cara do clube para o ambiente externo.

Em alguns meses como capitão, Guimarães foi o responsável por levantar a primeira taça do Newcastle em 70 anos, a Copa da Liga Inglesa, vencida em março de 2025.

Bruno é uma liderança no quesito comunicação, mas também tecnicamente. É o jogador de elite que “sobrou” no elenco. Isak, no ano passado, Tonali e Gordon, em 2026, eram os outros.

Isso fica ainda mais forte com a janela que os Magpies fizeram até aqui na preparação para a temporada 2026/27. Foram contratados quatro nomes: os meio-campistas Aladji Bamba, de 20 anos, e Sean Steur, 18, o goleiro Ewen Jaouen, 20, e o ponta Bazoumana Touré, 20.

Ou seja, a reposição às saídas visa o futuro, não o agora. A presença do volante da seleção brasileira, sexto jogador mais longevo no elenco, é a mais importante para um time que também perdeu Kieran Trippier, que, mesmo longe da forma ideal, era outro líder no vestiário.

Recado ao mercado seria negativo como foi com Isak

Contratar quatro garotos e perder três titulares com idades entre 25 e 28 anos indica o perfil de um clube vendedor, que quer contratar jovens, potencializá-los e vendê-los a clubes maiores. Um exemplo, na Premier League, é o Brighton.

O Newcastle, se realmente vender Bruno depois de Tonali e Gordon, passa esse recado ao mercado e a futuros jogadores. Não será visto como um “destino final”, mas como uma ponte. A saída de Isak para o Liverpool, com direito ao atleta se recusando a participar da pré-temporada e divulgando comunicado para pedir a negociação, deu o primeiro indício disso.

Não deveria ser o cenário dos Magpies, que, quando foram adquiridos pelo bilionário fundo do governo da Arábia Saudita, em 2021, tinham a expectativa de serem um novo gigante no Big Six pelo investimento. Quase seis anos depois, duas classificações à Champions League e um título, a situação não é essa.

Eddie Howe é técnico do Newcastle desde 2021
Eddie Howe deixou o Newcastle (Foto: IMAGO / Pro Sports Images)

Claro que o fair play financeiro da liga inglesa, que impede prejuízo maior do que 105 milhões de libras no recorte de três anos, freou a ânsia de montar um time estrelado. Tanto que, em 2024, foram obrigados a vender Elliot Anderson ao Nottingham Forest (que depois se tornaria a terceira maior venda da Premier League com a ida ao Manchester City) e Yankuba Minteh ao Brighton para evitarem punições.

O Aston Villa, melhor vendedor da liga no momento, tem sofrido do mesmo problema ao tentar furar a bolha do sexteto mais rico, mas tem tido mais sucessos regulares, sempre presente em competição continental e atual campeão da Liga Europa. O Newcastle precisa se mostrar mais ganancioso para seu futuro.

Enquanto isso, a novela Guimarães-Arsenal-Newcastle deve seguir pelas próximas semanas. A janela de transferências da Inglaterra segue aberta até 1º de setembro, mas o meio-campista brasileiro irá se reapresentar nesta sexta-feira (31). A estreia do atual campeão da Premier League ocorre em 21 de agosto; dos Magpies, dois dias depois.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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