Premier League: Por que técnico que encarou Big Six merece clube maior e quais os destinos ideais?
Iraola deixará o Bournemouth após campanhas históricas na liga onde sua filosofia de jogo casou perfeitamente
Após bater o Arsenal, líder da Premier League, e colocar fogo na disputa pelo título, o Bournemouth divulgou uma notícia que desanimou os torcedores. Em fim de contrato, o técnico Andoni Iraola deixará o modesto time do sul da Inglaterra após três anos e estará livre no mercado para a próxima temporada.
O basco de 43 anos, um dos técnicos mais promissores dessa geração, bateu duas vezes o recorde de melhor pontuação dos Cherries na história do Campeonato Inglês. No primeiro ano, esteve entre os cinco indicados a melhor treinador da elite inglesa. Na atual edição, busca uma inédita classificação a um torneio europeu.
Os resultados para um time que era acostumado a ser um coadjuvante na metade de baixo da tabela da primeira divisão inglesa já são impressionantes, mas Iraola chama ainda mais atenção pelo seu estilo de jogo moderno que o credencia a dar um salto para um time com orçamento maior.
Iraola mostrou que é técnico de time maior
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2FAndoni-Iraola-em-jogo-do-Bournemouth-scaled.jpg)
Nessas três temporadas do técnico espanhol, o Bournemouth acumulou vitórias marcantes. Venceu quase todo o Big Six: Arsenal e Tottenham, três vezes cada, Manchester United, duas vezes (ambos por 3 a 0 em pleno Old Trafford), e Liverpool e Manchester City, uma. Só o Chelsea não perdeu para os Cherries de Iraola, mas empatou em três oportunidades.
O Newcastle, um dos melhores fora dos seis gigantes, levou 4 a 1 dentro do St. James’ Park, o território mais hostil como visitante na Inglaterra, junto de Anfield.
Tudo isso foi construído por um estilo de jogo muito intenso, definido por Pep Guardiola como um dos exemplos do futebol moderno. O Bournemouth é um time extremamente agressivo sem bola, pressionando o adversário desde a saída de bola, dando poucos espaços para pensar.
Na última Premier League, foi o segundo time em roubadas de bola no campo de ataque a 40 metros do gol adversário (337), sendo que 68 dessas recuperações terminaram em finalizações, o líder nesse recorte segundo a “Opta”.
Ainda terminou como quem menos permitiu passes do adversário (9,9) antes de realizar uma ação defensiva buscando roubar a bola — estatística conhecida pelos analistas como PPDA (“Passes Per Defensive Action”, traduzido como passes por ação defensiva).
A linha de defesa está sempre alta para buscar a bola e raramente os Cherries recuam para só defender sua área. “Quando estou no banco e todo mundo está em bloco baixo, muito compacto, com 10 jogadores atrás da bola, não me sinto muito confortável“, disse Iraola ao “The Guardian” em 2024.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2FAndoni-Iraola-faz-grande-trabalho-no-Bournemouth-scaled.jpg)
A agressividade nos times do técnico vem desde quando começou no futebol, seja no modesto cipriota AEK Larnaca ou nos espanhóis Mirandés e Rayo Vallecano. Na Inglaterra, porém, foi obrigado a elevar isso a outro patamar pelo contexto local.
— Tivemos que ser ainda mais agressivos aqui porque o nível é realmente alto. Todas as equipes pressionam muito para recuperar a bola o mais alto possível. Tivemos que reforçar nossa mensagem, assumir ainda mais riscos, jogar com uma linha ainda mais alta, porque, caso contrário, não conseguiríamos realmente fazer a diferença — reiterou, na mesma entrevista.
A velocidade para pressionar na fase defensiva é a mesma quando estão no momento ofensivo. A equipe, que só soma média de posse de bola acima de 50% nesta temporada, não quer ficar com a bola só por ficar. Quando está, precisa ser vertical e rápida para finalizar.
— Prefiro um pouco de caos a um pouco de organização. Prefiro jogar em ritmo acelerado, mesmo que isso signifique um toque de pressa, do que jogar em ritmo mais lento e ter um pouco mais de controle — detalhou o técnico espanhol quando estava no Rayo.
Na atual temporada, o time do litoral soma a quinta melhor média de chutes na Premier League (13.8) e é o sexto atacante com mais gols (48). Os dados são do “SofaScore”.
— Precisamos assumir riscos quando recuperamos a bola. Não gosto desse ‘passe de segurança’, de tocar para o goleiro para começar a construir desde trás. Somos perigosos em ataques rápidos quando recuperamos a posse o mais alto possível — reiterou Iraola à emissora “Sky Sports” no ano passado.
O comandante, com sua filosofia, conseguiu desenvolver vários talentos e trazer muito dinheiro para o Bournemouth. Sua linha defensiva na última temporada, que garantiu a posição de sexto time menos vazado (46), era formada por Dean Huijsen, que foi para o Real Madrid, Ilya Zarbanyi, PSG, e Milos Kerkez, Liverpool.
Mesmo perdendo pilares, Andoni manteve o time competitivo em 2025/26 e, com sua velocidade para armar, potencializou Antony Semenyo a ponto de o atacante ser vendido em janeiro ao Manchester City por 72 milhões de euros. Há mais novos talentos brilhando, como Rayan e Éli Junior Kroupi. A dois pontos da posição que dá vaga para a Liga Europa e um da Conference League, pode fazer ainda mais história ao fim da temporada.
🏴 O Bournemouth só empatou, mas seu estilo de jogo traz o contexto perfeito para o desenvolvimento de Rayanhttps://t.co/93vJ6NVTMV
— Trivela (@trivela) January 19, 2026
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Onde ele poderia se encaixar? Premier League tem bons 4 destinos
A intensidade que Iraola coloca em seus times o faz ter um perfil perfeito para permanecer na Premier League. Por isso, os possíveis destinos que a Trivela indica estão na elite inglesa e com dúvidas em relação a seus futuros técnicos. Todos, claro, também seriam um upgrade à carreira do técnico, que merece um clube com maior poder de investimento e objetivos distintos dos do Bournemouth.
Manchester United
Com Michael Carrick como interino até o fim da temporada, os Red Devils ainda não sabem se efetivarão o comandante que foi muito vencedor por lá como jogador. O jovem técnico tem tido sua primeira experiência contínua na Premier League — em 2021 foi temporário por uma semana — e dá para dizer que é positiva, com sete vitórias e apenas duas derrotas nos primeiros 11 jogos.
Com ele, o Manchester United se colocou como um dos favoritos a ficar com uma vaga na próxima Champions League. Esse trabalho de Carrick, porém, ainda é o primeiro em um clube da elite inglesa, o que pode gerar um “hype” exagerado no técnico, privilegiado em comparação aos concorrentes ao ter semanas livres de treino porque disputa apenas o Campeonato Inglês desde que chegou. Antes, o inglês fez um bom trabalho de quase três anos no Middlesbrough, da Championship.
Portanto, não é absurdo dizer que Iraola está mais pronto e testado na Premier League do que Carrick, além de ter um repertório tático maior. Se o clube de Old Trafford optar pela não permanência do ex-meio-campista, o espanhol poderia ser uma boa opção.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2Fcarrick-iraola-scaled.jpg)
Chelsea
O técnico dos Blues, Liam Rosenior, tem contrato até o meio de 2032, tipo de vínculo comum firmado pelo clube londrino com jogadores. Ele chegou apenas em janeiro e seria injusto dizer que é um trabalho ruim, tendo que conciliar quatro competições assim que chegou.
Os resultados, porém, não têm agradado. A equipe caiu na Copa da Liga Inglesa e na Champions League. Na Premier League, só venceu duas desde fevereiro, com quatro derrotas nas últimas cinco rodadas. O time londrino se distanciou pela luta por uma vaga na próxima Liga dos Campeões, o que liga o alerta em Stamford Bridge para um clube que gasta tanto e precisa faturar.
A cultura resultadista do Chelsea, pouco paciente para treinadores, pode encurtar a passagem de Rosenior. Surge, então, Iraola como uma opção. O espanhol teria um elenco muito jovem para potencializar e peças de velocidade, como Estêvão e Pedro Neto, para implementar seu estilo de jogo intenso.
Assim como a comparação com Carrick, o espanhol é mais testado que o técnico atual dos Blues, vindo de bom trabalho no Strasbourg, na Ligue 1, tendo passado por Hull City e Derby County antes.
A questão é o ex-Bournemouth aceitar um clube com um projeto tão pouco claro e muito disfuncional — o United também não é um contexto muito simples de trabalhar.
Newcastle
Em Newcastle, Iraola poderia encontrar um clube em crescente — esteve em duas Champions nos últimos três anos e foi campeão da Copa da Liga Inglesa após 70 anos –, um projeto consolidado com investimentos da Arábia Saudita e uma base construída por Eddie Howe.
O técnico inglês, há quatro anos e meio no cargo, não tem sua permanência garantida e parece haver um desgaste após campanhas históricas. O time é apenas o 14º colocado na Premier League, só à frente de quem luta contra o rebaixamento, sentindo a pesada temporada com calendário lotado.
— Se sair for para ajudar o clube, então é claro que farei isso, não tenho problema nenhum em fazê-lo. Não se trata de mim — disse Howe sobre seu futuro nesta sexta-feira (17).
Há a expectativa de uma reformulação no elenco, e Iraola, com sua visão de mercado e a capacidade de tirar o melhor dos jogadores, poderia encabeçar uma nova era no St James’ Park.