Premier League

Como Bournemouth gerou desconforto e crise ao Arsenal antes de ‘final antecipada’

Cherries anulam ataque do líder da Premier League e amplia crise antes de confronto com o Manchester City na próxima rodada

Se o Arsenal não se sagrar campeão da Premier League ao final da temporada, o torcedor dos Gunners irá se lembrar do duelo com o Bournemouth neste sábado (11), no Emirates Stadium. Mesmo depois de vencer o Sporting nas quartas de final da Champions League, a equipe de Mikel Arteta foi irreconhecível, e se viu anulada pelo sistema montado por Andoni Iraola na derrota por 2 a 1, que deixa a competição em aberto antes de “final antecipada” com o Manchester City.

O Arsenal não conseguiu escapar da defesa do Bournemouth, que foi melhor durante a maior parte do jogo e forçou os donos da casa a fazerem ligações diretas para tentar chegar ao ataque, desde o primeiro minuto de jogo. Além disso, o setor ofensivo, montado por Evanilson, Rayan, Marcus Tavernier e Éli Junior Kroupi, também se mostrou capaz de manter a posse e manter a proposta que anulou o Arsenal: marcação com linhas altas, forçando os erros do rival.

Kroupi marcou o primeiro gol do jogo, mas o Bournemouth foi capaz de manter a pressão, que só foi superada por Viktor Gyökeres, de pênalti, para igualar o marcador na segunda etapa. Mas Alex Scott, no melhor momento dos Cherries na partida, sacramentou a vitória no segundo tempo.

Arsenal e Bournemouth se enfrentam pela Premier League
Bournemouth dominou o Arsenal no Emirates Stadium (Foto: PA Images/Iconsport)

Esta é a segunda vez seguida, pela Premier League, que o Arsenal se vê pressionado em casa. Diante do Everton, só chegou à vitória nos minutos finais do segundo tempo, com Gyökeres e Max Dowman. Seja pelo desgaste na temporada, ou por um momento desfavorável nas ideias propostas por Arteta, os Gunners

Com a derrota do Arsenal, o Manchester City é quem sorri, e pode terminar a rodada a seis pontos do rival, em caso de vitória sobre o Chelsea neste domingo (12), no Stamford Bridge. Líder e vice-líder se enfrentam na próxima rodada, no Etihad Stadium, no último confronto direto entre as equipes até o final da temporada.

Arsenal se vê incomodado com postura do Bournemouth no primeiro tempo

Líder da Premier League, o Arsenal teve um primeiro tempo longe de seus padrões ideais de qualidade. Depois da sequência de resultados negativos na temporada (vice-campeonato na Copa da Liga Inglesa e eliminação na FA Cup), os Gunners se viram pressionados para dar uma resposta contra o Bournemouth. Mesmo com o Emirates Stadium lotado, no primeiro horário de sábado, foi o Bournemouth quem iniciou melhor na partida.

O Bournemouth tem sido uma grata surpresa na temporada, sob o comando de Iraola. Décimo primeiro colocado na Premier League, os Cherries costumam vender caro suas derrotas; não à toa, é a quarta equipe que menos perdeu nesta temporada (sete reveses). Também é a que mais empatou (16 vezes). No primeiro turno, em janeiro, já havia dado trabalho ao Arsenal, que venceu por 3 a 2, com dificuldades fora de casa.

Gyokeres, atacante de Arsenal, marca de pênalti
Gyokeres igualou o marcador para o Arsenal diante do Bournemouth (Foto: PA Images/Iconsport)

No ritmo lento, o Arsenal pouco criou na primeira etapa. E viu o Bournemouth, com seu ataque repleto de qualidade, dar o tom da partida de Londres. Logo aos 17 minutos, Adrien Truffert avançou pela ponta-esquerda e cruzou na pequena área. A bola resvalou em William Saliba e sobrou limpa para Éli Junior Kroupi, embaixo das traves, abrir o marcador fora de casa. Foi a primeira finalização da partida.

O Bournemouth também anulou quaisquer chances do Arsenal criar chances reais com a bola. Os principais lances dos donos da casa vinham de bola parada, diante da dificuldade de entrar na área por meio de jogadas trabalhadas. Kai Havertz, logo após o primeiro gol do jogo, foi quem teve a chance mais clara de igualar o marcador — justamente em jogada de escanteio.

Mesmo com esse desconforto, diante do esquema defensivo montador por Ariola — linhas compactas e baixas —, o Arsenal encontrou seu gol de empate. De pênalti. Gabriel Magalhães, depois de confusão na área, chutou na mão de Ryan Christie. Viktor Gyökeres, artilheiro do clube na Premier League, cobrou forte no canto direito, aos 35 minutos, para dar fôlego ao Arsenal no final da primeira etapa e para o segundo tempo.

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Bournemouth mantém domínio na segunda etapa e rouba vitória do Arsenal

Um lance, no início do segundo tempo, ajuda a explicar as dificuldades que o Arsenal encontrava na partida. Com a bola nos pés, David Raya se viu marcado por seis jogadores do Bournemouth na entrada da área, sem opções para o passe. Ele tentou forçar uma bola longa, mas entregou nos pés do meio-campo dos Cherries, que não avançou porque foi rapidamente contido pelos Gunners.

O mesmo ocorreu poucos minutos depois. O Bournemouth manteve as linhas altas na saída de bola dos Gunners. Raya, novamente, errou o passe na área, interceptado por Evanilson, mas que não conseguiu segurar a bola para marcar. Essas dificuldades de sair jogando fizeram com que o goleiro fosse “obrigado” a dar chutões e lançamentos diretos para o ataque.

O Arsenal tinha dificuldades no meio-campo, para movimentar a bola em direção ao ataque. Por isso, logo no início da segunda etapa, Mikel Arteta mexeu suas peças: mudou todo o setor ofensivo, mantendo apenas Gyökeres, e promoveu as entrada de Leandro Trossard, Eberechi Eze e a promessa Max Dowman.

Mikel Arteta, técnico do Arsenal
Arteta não encontrou formas de superar domínio do Bournemouth em campo (Foto: PA Images/Iconsport)

As mudanças não tiveram impacto imediato no desenrolar da partida. O Arsenal continuou com dificuldades para trocar passes na zona intermediária, e viu o Bournemouth atuar como um “mandante” no Emirates Stadium, com mais posse de bola e passes trocados do que o rival. Conseguiu, inclusive, fazer aquilo que os Gunners não conseguiram durante os 90 minutos: criar jogadas no ataque.

Durante a maior parte do segundo tempo, o Bournemouth foi conservador. Não forçou passes ou jogadas que pudessem perdesse a posse no campo de ofensivo. Mas de tanto se manter no campo do Arsenal, foi, aos poucos, se aproximando do gol de Raya.

Foi dessa forma que Scott marcou o gol da vitória. Evanilson recebeu o passe de David Brooks, atraiu a marcação e, com um pivô, permitiu que o volante tivesse um corredor livre para marcar, cara a cara com Raya, o gol da vitória do Bournemouth. Superando as estatísticas e as probabilidades favoráveis aos líderes ingleses.

Os Cherries vinham de cinco empates seguidos na Premier League, e sem vitórias desde o confronto com o Everton, em fevereiro. Mesmo com esse retrospecto negativo, o Arsenal não conseguiu se impor. Arteta também foi para o “tudo ou nada” no final, com Gabriel Jesus e até Magalhães como um “atacante”, mas não conseguiu reverter o cenário.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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