Tottenham segue roteiro de rebaixado e demite ‘salvador’ Tudor após 40 dias
Croata foi contratado em fevereiro, após a saída de Thomas Frank, mas não foi capaz de tirar equipe de momento ruim no Campeonato Inglês
Igor Tudor chegou ao Tottenham em fevereiro, logo após a saída de Thomas Frank. A ideia do clube, que lutava — e ainda luta — contra o rebaixamento, era de que o croata, conhecido por sua fama de “bombeiro” e “salvador” de times na ponta debaixo da tabela, fosse capaz de tirar os Spurs da situação delicada na temporada. Quarenta e quatro dias depois, o clube de Londres volta ao mercado em um busca de um novo comandante.
A informação foi confirmada pelo Tottenham por meio de um comunicado oficial. Tudor deixa o clube em meio à Data Fifa, e o Tottenham busca um novo treinador para assumir a equipe no duelo com o Southampton, em 12 de abril, pela Premier League. Será o terceiro treinador dos Spurs neste ano. Tomislav Rogic e Riccardo Ragnacci, treinador de goleiros e preparador físico, respectivamente, também deixam Londres neste domingo (29).
Tudor também deixa o Tottenham em meio a um momento delicado em sua vida pessoal. Depois da derrota diante do Nottingham Forest por 3 a 0, na última partida antes da Data Fifa, ele viajou às pressas para a Croácia em função da morte de seu pai, Mario. Ele não esteve presente na entrevista coletiva após o duelo na ocasião.

— Agradecemos a Igor, Tomislav e Riccardo pelo empenho demonstrado nas últimas seis semanas, durante as quais trabalharam incansavelmente. Também gostaríamos de expressar nossa solidariedade pelo luto que Igor sofreu recentemente e enviar nosso apoio a ele e à sua família neste momento difícil — afirmou o Tottenham, por meio de nota.
Tudor não conseguiu salvar Tottenham do rebaixamento
A chegada de Tudor em fevereiro foi acompanhada pela ideia de que “pior do que está, não fica”. Depois de iniciar a Premier League, entre os primeiros colocados, o Tottenham iniciou uma série negativa que dura até hoje, e que faz com que o time se encontre na 17ª posição, a apenas um ponto de distância do West Ham, 18º colocado e primeiro na zona de rebaixamento.
Em suas seis semanas em Londres, Tudor comandou o Tottenham em apenas sete partidas. Duas pelas Champions League, diante do Atlético de Madrid, e cinco na Premier League. O saldo desse período é negativo: eliminação nas oitavas do torneio continental, com direito a goleada sofrida na Espanha, e nenhuma vitória no Campeonato Inglês.

Na Premier League, que era a principal necessidade do Tottenham ao contratar Tudor, o croata somou quatro derrotas e um empate. Este ponto somado, no entanto, indicava que o treinador teria uma “sobrevida”, já que foi capaz de segurar o Liverpool em Anfield, e deu sinais de evolução na equipe — mas que não se mostraram suficientes para o dono Daniel Levy.
Partidas do Tottenham sob o comando de Tudor
- 22/2 – Tottenham 1 x 4 Arsenal (Premier League)
- 1º/3 – Fulham 2 x 1 Tottenham (Premier League)
- 5/3 – Tottenham 1 x 3 Crystal Palace (Premier League)
- 10/3 – Atlético de Madrid 5 x 2 Tottenham (Champions League)
- 15/3 – Liverpool 1 x 1 Tottenham (Premier League)
- 18/3 – Tottenham 3 x 2 Atlético de Madrid (Champions League)
- 22/3 – Tottenham 0 x 3 Nottingham Forest (Premier League)
A estreia de Tudor, contra o Arsenal, também reforçou os motivos pelo qual ele foi contratado: apagar o incêndio em que o Tottenham se encontrava. Apesar de chegar a empatar a partida por 1 a 1, não conseguiu evitar a goleada para o rival e líder da Premier League.
A única vitória, entretanto, de pouco serviu para as ambições do Tottenham neste ano, já que resultou na eliminação nas oitavas de final da Champions League. Por outro lado, deu uma “injeção de ânimo” diante do Liverpool. Mas que foi novamente por água abaixo no jogo seguinte, e que se somou aos problemas pessoais do treinador.
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Tudor chegou como uma ruptura ao estilo do Tottenham
Com um estilo mais “sisudo”, sem enrolações, Tudor foi uma mudança drástica no que o Tottenham estava acostumado com Frank, que chegou a dizer, em uma de suas primeiras coletivas, que a equipe “iria perder jogos”. Algo normal, mas que incomodou uma parcela de torcedores já que o Arsenal, maior rival, é o único clube a conquistar a Premier League de maneira invicta.
O estilo descontraído de Frank contrasta com a “ordem e disciplina” imposta por Tudor. Ex-treinador da Juventus e do Olympique de Marseille, o croata também fica marcado pela decisão de substituir seu goleiro Antonin Kinsky na partida de ida contra o Atlético de Madrid aos 16 minutos, com 3 a 0 no placar e logo após ele falhar em dois dos três gols.

Pragmático, Tudor tentou justificar a decisão com base na ideia de “preservar o jogador e a equipe”, com a entrada do titular Vicario. Kinsky havia disputado apenas partidas da Copa da Liga Inglesa com o Tottenham, antes de ser alçado para iniciar o duelo com o Atleti, no Estádio Metropolitano, pela Champions League.
Quando Tudor chegou, o Tottenham somava 29 pontos na Premier League. Agora com 30, o clube — que seria um claro favorito ao descenso de atuasse no Campeonato Brasileiro — busca um salvador para as sete últimas rodadas do Inglês. Roberto De Zerbi, ex-Olympique de Marseille, era um dos cotados para assumir a posição, antes mesmo da queda de Tudor.
“Em breve, divulgaremos informações sobre o novo treinador principal”, afirmou o clube. Até lá, 14 dias separam o Tottenham do duelo que pode colocar a equipe, pela primeira vez, na zona de rebaixamento para a Championship.



