Havertz colocou Raya no topo — mas quem são os melhores goleiros da temporada?
Declaração do atacante do Arsenal reacende debate sobre a posição; a Trivela elenca os principais destaques do gol na temporada 2025/26
A atuação de David Raya na vitória do Arsenal sobre o Sporting, em Lisboa, na última terça-feira (7), recolocou o nome do goleiro espanhol no centro de um debate que já vinha ganhando força ao longo da temporada. Depois de segurar o 1 a 0 dos Gunners com defesas decisivas nos minutos finais, ele foi exaltado por Kai Havertz, autor do gol da partida, e também por Mikel Arteta.
— Inacreditável. Acho que ele ainda é subestimado no mundo do futebol, mas para mim, nas últimas duas temporadas, ele foi o melhor goleiro do mundo. Ele é excepcional, nos salvou tantas vezes e estamos muito felizes por tê-lo — disse Havertz.
Arteta foi na mesma linha: chamou o camisa 22 de “extraordinário, magnífico, incrível”. Os elogios ajudam a colocar em perspectiva o tamanho da temporada de Raya. Mais do que isso: serve como gancho para uma discussão justa neste momento de 2025/26.
Afinal, quais goleiros têm jogado mais bola no futebol europeu até aqui? A Trivela elencou os principais nomes — e o arqueiro do Arsenal, sem dúvida, está entre eles.
Raya é o goleiro que dá base ao Arsenal de Arteta
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2Fdavid-raya-arsenal-scaled.jpg)
Raya talvez seja um daqueles casos em que a estética da defesa interfere na percepção pública. Ele não é o goleiro que domina a área pelo porte físico ou que transforma todo lance em imposição corporal. Pelo contrário: muitas vezes precisa se esticar mais, acelerar mais o gesto e dar à defesa um ar de dificuldade maior do que goleiros mais altos talvez dariam.
Mas isso não diminui seu nível — na verdade, ajuda a explicar por que ele causa tanta impressão. A elasticidade, a velocidade de reação e a leitura de curto espaço fazem dele um goleiro de altíssimo rendimento, sobretudo em lances quebrados e finalizações próximas.
No Arsenal de Arteta, o espanhol é muito mais do que um bom finalizador de jogadas defensivas. Raya é peça estrutural. A equipe londrina construiu uma das defesas mais seguras da Europa com uma linha alta, compactação agressiva e muito controle territorial, mas esse sistema exige um goleiro capaz de sustentar risco. Raya faz isso com os pés, com o posicionamento e com a frieza para intervir quando o plano falha.
Na Champions League, os números ajudam a dimensionar o tamanho de sua temporada: ele sofreu apenas três gols e já acumula sete clean sheets em dez partidas, além de ter a melhor porcentagem de defesas entre todos os goleiros que jogaram dois ou mais jogos na atual edição do torneio continental.
Dito tudo isso, Raya não entra nessa discussão por empolgação de pós-jogo. Entra porque vem sendo decisivo com frequência e porque sustenta muita coisa em um Arsenal que concede pouco, mas cobra muito do próprio goleiro quando é exigido. Não é um personagem lateral da fortaleza defensiva do time de Arteta — é parte central dela.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Courtois segue sendo a referência do ‘impossível’
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2Fcourtois-real-madrid-scaled.jpg)
Se Raya representa o goleiro funcional de elite, Thibaut Courtois continua sendo o arquétipo do goleiro que distorce a lógica do jogo. E mesmo em uma temporada em que o Real Madrid vem oscilando mais do que o esperado, o belga segue como uma espécie de garantia de sobrevivência.
Há algo de desanimador para qualquer atacante em encará-lo. Não somente pelo tamanho, pela envergadura ou pela capacidade quase absurda de ocupar o gol, mas pela sensação de que ele sempre consegue chegar onde parecia impossível. É um arqueiro que impõe desconforto antes mesmo da defesa acontecer. Muitas vezes, o adversário acerta a finalização e, ainda assim, sai com a impressão de que escolheu a opção errada.
O mais impressionante, porém, talvez nem seja a elasticidade. Courtois domina o espaço com uma naturalidade rara, fecha ângulos com inteligência e quase nunca parece em descontrole, mesmo quando o lance pede reação imediata.
Há goleiros que fazem defesas difíceis. Courtois, muitas vezes, faz parecer que o gol ficou menor. E esse talvez seja um dos maiores elogios possíveis para um arqueiro desse nível. Mesmo quando o Real dá brechas, ele segue sendo o tipo de nome que mantém o time vivo em jogo grande. Não precisa viver da espetacularização para se impor: a própria presença já intimida.
Joan García já entrou na primeira prateleira
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2Fjoan-garcia-barcelona-scaled.jpg)
Joan García é outro nome que já não pode mais ser tratado como surpresa. Em sua primeira temporada pelo Barcelona, o goleiro espanhol se firmou rapidamente como um dos destaques da posição no país e passou a receber elogios frequentes da torcida e da imprensa local.
Os números ajudam a sustentar esse status. Joan lidera LaLiga em percentual de chutes defendidos, clean sheets e xG evitado, um retrato bastante claro do impacto que vem tendo até aqui. Em um time que ainda alterna momentos de controle e vulnerabilidade, ele virou um dos pontos mais confiáveis da equipe de Hansi Flick.
Em campo, chama atenção pela explosão, pela velocidade de reação e pela forma como ataca os lances. É um goleiro muito rápido para sair do chão, forte em defesas de curta distância e seguro nas saídas. Também passa a impressão de jogar com personalidade, sem ficar preso à linha ou hesitar em momentos de pressão.
O nível mostrado nos primeiros meses de Barcelona já teve reflexo também fora do clube. Em março, Joan recebeu sua primeira convocação para a seleção espanhola, mais um sinal de que seu nome já entrou de vez na disputa entre os principais goleiros do país. Inclusive, é concorrente de Raya na La Roja.
O pódio da Trivela, até aqui
Se a matéria pede um recorte honesto da temporada 2025/26 até este momento, a trinca mais sólida parece ser formada por David Raya, Thibaut Courtois e Joan García. São três goleiros diferentes entre si, mas que chegam ao mesmo lugar por caminhos distintos.
Raya entra pela consistência dentro de um sistema exigente e por ser a base silenciosa de uma das estruturas defensivas mais confiáveis da Europa. Courtois entra porque ainda é, talvez, o goleiro mais intimidador do futebol em contexto de sobrevivência. E Joan García entra pela combinação rara entre rendimento estatístico, impacto visual e crescimento competitivo.
Nenhum dos três depende apenas de hype. Todos têm argumento técnico e contextual para sustentar a presença nessa lista.
Menções honrosas que merecem estar no bolo
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2Fgregor-kobel-borussia-scaled.jpg)
Jan Oblak também merece lugar nessa discussão. O goleiro do Atlético de Madrid permanece entre os nomes mais consistentes da posição no futebol europeu, sustentado por uma base técnica muito sólida: posiciona-se muito bem, é fortíssimo em defesas de média altura e transmite enorme segurança até em partidas nas quais participa pouco. Talvez já não esteja no auge mais impressionante da carreira, mas ainda atua em altíssimo nível.
E mesmo quando Oblak esteve lesionado, o Atlético esteve bem servido de goleiro, já que Juan Musso teve excelentes atuações, impressionando com as chances que teve, especialmente contra Getafe (vitória por 1 a 0) e Tottenham (derrota, 3 a 2).
Manuel Neuer, por sua vez, é um caso à parte. Aos 40 anos, ainda entrega atuações de elite e mostrou isso novamente na última terça-feira (7), no Santiago Bernabéu, na vitória do Bayern por 2 a 1 sobre o Real Madrid. Foram nove defesas, várias delas decisivas, em mais uma atuação que mostrou como o alemão ainda consegue ser determinante em jogos grandes.
Mesmo sem a explosão de outros tempos, Neuer permanece como um dos arqueiros mais influentes do futebol pela soma entre defesa, leitura de espaço, comando de área e personalidade.
Se a lista fosse um pouco mais ampla, também haveria espaço para dois nomes menos badalados, mas muito relevantes até aqui: Jordan Pickford e Gregor Kobel. O inglês talvez ainda seja subestimado por atuar fora do centro das atenções do futebol europeu, mas faz mais uma temporada muito forte pelo Everton e oferece um repertório técnico mais completo do que normalmente se reconhece.
Kobel, por outro lado, aparece como um goleiro muito confiável em jogos de exigência alta. Forte fisicamente, ágil para o tamanho que tem e muito competente em situações de um contra um, o suíço do Borussia Dortmund costuma responder bem quando é mais exigido.