‘Donos do Chelsea transformaram uma máquina de ganhar troféus em um experimento fracassado’
Blues vivem crise após demissão de Liam Rosenior e podem ficar de fora da próxima Champions League
A demissão de Liam Rosenior representou a saída do quinto treinador efetivo no Chelsea em quatro anos, o que intensificou o volume de críticas quanto a forma como a BlueCo, donos do clube, têm gerido a equipe londrina..
Jamie Carragher, ídolo do Liverpool e ex-jogador da seleção inglesa, vê a gestão dos atuais donos como um fracasso absoluto. Para o ex-zagueiro, a forma como o Chelsea é comandado se tornouum exemplo vívido de imagem em detrimento da substância.
— No início da temporada passada escrevi que o Chelsea havia se transformado no clube de desenvolvimento mais rico do mundo. Na verdade, a situação é pior do que isso. Agora, o clube é acusado de pagar caro demais por uma regressão alarmante –, afirmou em sua coluna ao jornal “The Telegraph”.
Para o ex-zagueiro, a escolha pelo inexperiência técnicoLiam Rosenior – e a sua inevitável saída – é um sintoma da má gestão da diretoria, que chegou a fazer altos investimentos desde a compra do clube em 2022, mas obteve poucos resultados, em meio “a uma série de decisões desastrosas, alegando que o clube está construindo a longo prazo”.
— Desde o início, os dirigentes do Chelsea agiram como se fossem mais inteligentes e perspicazes do que qualquer outro que já tenha administrado um clube de futebol. Tornaram-se o exemplo mais extremo de um clube que vê jogadores e treinadores como meros peões — declarou.
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Carragher reforça que a forma como a BlueCo administra o Chelsea serve de alerta para outras equipes, ressaltando que o sucesso é fruto da colaboração que passa por diferentes funções e acontece “quando os melhores profissionais atuam em todos os níveis”.
— Quando o poder passa para as mãos dos dirigentes em vez daqueles que trabalham diariamente no campo de treinamento para melhorar o desempenho, o resultado é este: um desastre, com uma completa desconexão entre torcedores, jogadores, técnicos e dirigentes –, pontuou.
O ex-jogador também comparou a gestão atual com a de Roman Abramovich, antigo dono dos Blues, que destinou investimentos maciços à equipe, resultando na conquista de 21 títulos, incluindo 5 Premier Leagues e 2 Champions Leagues durante os anos de 2003 a 2022, apesar de ponderar as falhas do antigo dirigente, como a multa de 10 milhões de libras e a suspensão condicional da contratação por pagamentos não declarados a agentes e terceiros.
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— Os responsáveis pelo Chelsea queriam fazer negócios de uma maneira diferente da de Roman Abramovich e certamente conseguiram, gastando mais de 1,5 bilhão de libras para tornar o Chelsea menos vitorioso, menos temido, menos respeitado e menos lucrativo. Uma máquina de conquistar troféus foi transformada em um experimento futebolístico caro e fracassado — reforçou.
Para além das questões burocráticas, James Carragher também destacou a relação com os jogadores, em meio às tensões com nomes importantes do plantel, que demonstraram interesse em uma possível saída.
— O Chelsea acaba de oferecer uma grande extensão de contrato a Moisés Caicedo, como se quisesse demonstrar a felicidade de seus jogadores. Os rumores em torno de outros, como [Enzo] Fernández e Marc Cucurella, sugerem o contrário. Quando um clube entra em crise, as maiores estrelas querem sair –, completou .
Como deve ser o perfil do novo técnico do Chelsea?
Com a saída de Liam Rosenior e as frequentes mudanças no comando do elenco do Chelsea, uma dúvida paira no ar em meio a temporada fracassada dos Blues: quem será o novo técnico e qual será o perfil do treinador que ficará à frente do time de Stamford Bridge.
Em análise publicada no “The Times”, o jornalista Martin Samuel apontou que o novo comandante precisará ser capaz de impulsionar o time diante da falta de motivação do elenco, listando nomes como Andoni Iraola [Bournemouth], Oliver Glasner [Crystal Palace], Cesc Fàbregas [Como] e Xabi Alonso [sem clube].
Para Samuel, a cultura do clube é o que o próximo técnico do Chelsea precisa “superar” e, apesar de toda a conversa sobre um período de autoavaliação, a mudança necessária fora de campo é ainda mais significativa do que a reformulação do elenco.
— O técnico precisa ter confiança, precisa ter mais voz. Laurence Stewart e Paul Winstanley — e os outros três diretores esportivos com diferentes níveis de influência — tiveram mais oportunidades do que qualquer outro técnico, e mesmo assim fracassaram miseravelmente — escreveu.
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Este é um clube que precisa mudar drasticamente de rumo. Existe uma cultura de ditar regras para o treinador, de desconsiderar seus instintos como inferiores, de considerá-lo dispensável. No entanto, quem quer que assuma o comando precisa ser um agente de mudança. O Chelsea está caminhando a passos largos para um abismo infernal. Eles precisam repensar agora ou o purgatório os aguarda–, alertou.
O jornalista também criticou a formação do elenco, que caracterizou como disfuncional e desorganizado, detalhando a falta de equilíbrio entre os setores e a falta de autonomia dos técnicos quando solicitaram reforços.
— Este é um elenco disfuncional e desorganizado, denso em algumas áreas e leve em outras e os treinadores não têm qualquer participação nisso. Enzo Maresca avisou o clube, após a saída de Levi Colwill antes do início da temporada, que era essencial ter um reserva para a zaga. Ele foi ignorado. O Chelsea sofreu tantos gols quanto o Nottingham Forest nesta temporada e seis a mais que o Crystal Palace. E embora muito se atribua à inexperiência dos reforços, vale ressaltar que Tosin Adarabioyo — que ninguém considera um zagueiro capaz de conquistar títulos — foi contratado sem custos junto ao Fulham aos 26 anos –, relembrou.