Inglaterra

Como Enzo Fernández agravou crise do Chelsea

Meio-campista argentino deu duas entrevista 'bombásticas' não garantindo sua continuidade em uma e em outra exaltando ex-treinador dos Blues

A crise no Chelsea não ameniza e o vice-capitão do time, Enzo Fernández, não tem ajudado a melhorar o cenário. A equipe londrina vem de eliminação nas oitavas de final da Champions League com agregado de 8 a 2 para o PSG e só venceu uma nas últimas cinco rodadas da Premier League.

O argentino, em duas entrevistas após a queda na competição europeia, conseguiu complicar ainda mais as coisas. Primeiro, à “ESPN”, não garantiu sua permanência no clube londrino. “Não sei. […] Depois da Copa veremos”, assumiu. Para a “TUDN”, o meio-campista, um dos líderes do elenco, foi ainda mais longe.

Enzo deixou claro como não digeriu bem a saída de Enzo Maresca, técnico demitido na virada do ano para a chegada de Liam Rosenior. Ele destacou como o comandante italiano tinha uma filosofia de jogo clara (seria uma indireta ao treinador atual?) e como a demissão impactou a temporada.

— Eu não entendo [a saída]. Às vezes, como jogador, há coisas que a gente não entende e a forma como tentam gerir as situações. Não tenho uma resposta pra te dar porque não sei. Obviamente, foi uma saída que doeu muito, porque a gente tinha muita identidade, ele nos dava organização, mas é assim que é o futebol, às vezes é bom, às vezes é ruim — analisou.

— A gente sempre teve uma identidade clara nos treinos, nos jogos e, obviamente, a saída dele nos afetou, ainda mais no meio da temporada, acaba interrompendo tudo — completou.

Saída de Enzo Fernández passaria péssima imagem ao Chelsea

Ao não entender a decisão de saída de Maresca, a crítica de Enzo parece bem mais direta à diretoria do Chelsea. As falas surgem justamente no mesmo momento em que a emissora “TyC Sports” revelou que o meio-campista estaria pronto para um “salto rumo à primeira prateleira do futebol mundial”.

Imaginar uma saída de Fernández, pilar do time dos Blues atuando de segundo volante, camisa 10 e até meia esquerda, seria óbvio impacto dentro de campo. Afinal, o jogador marcou 12 gols e distribuiu seis assistências nesta temporada. Mas, ainda mais, seria um golpe à imagem da instituição.

Que pretensão passaria um clube gigante como o do oeste de Londres perder um atleta próximo do auge físico aos 25 anos e com ainda muitas temporadas de alto nível?

Uma negociação de Enzo Fernández, com o jogador expondo não concordar com as decisões da gestão do consórcio BlueCo, dono do time, reforçaria a imagem de que o Chelsea largou o objetivo de ser campeão e competir esportivamente com os gigantes ingleses para estar mais focado em adquirir jovens antes de vendê-los.

O técnico Liam Rosenior em partida do Chelsea
O técnico Liam Rosenior em partida do Chelsea (Foto: IMAGO / Mark Pain)

Essa impressão é passada por um time quase que de garotos, como na eliminatória europeia com o PSG. A defesa tinha dois de 20 anos. No meio-campo, um de 21. Saíram do banco mais opções com 19, 21 e 22. Tudo bem ter jovens, mas a base de seu time ser toda nessa faixa de idade mostra que o clube não está pensando em vencer.

Muitos dos “adolescentes” comprados pelo Chelsea nos últimos anos nem tiveram muitas chances no time, e alguns já até foram vendidos, como Renato Veiga, Chukwuemeka e Ângelo. Outros sete estão emprestados em clubes pelo mundo.

Enquanto o clube não tem um norte definido, Liam Rosenior precisa reagir, ainda mais depois de “exposto” por seu vice-capitão Enzo. O jovem treinador, assim como Enzo, tem contrato até 2032. As chances de ambos estarem no Blues até lá, no momento, parecem baixas.

O Chelsea nem está dentro da zona de classificação à próxima Champions no momento, ocupando a sexta colocação com 48 pontos. A quinta posição, que, pelo coeficiente da Uefa, deve garantir uma vaga na principal competição europeia ao fim da temporada, é do Liverpool, com 49. Os Blues ainda são pressionados pelo Brentford, sétimo, com apenas três de pontuação a menos.

Neste sábado (21), o time de Rosenior visita o competitivo Everton e precisa reencontrar o caminho das vitórias para continuar vivo no objetivo final da temporada.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo