Eliminação constrangedora do Chelsea para o PSG recai sobre dois responsáveis
Derrota por 3 a 0 em Stamford Bridge escancara erros de Liam Rosenior e aprofunda questionamentos sobre projeto confuso dos donos dos Blues
A queda do Chelsea na Champions League foi tão pesada quanto simbólica. Depois de sofrer 5 a 2 no jogo de ida, em Paris, os Blues alimentaram durante a semana o discurso de uma possível remontada diante de sua torcida. O que se viu em Stamford Bridge, porém, foi o oposto: derrota por 3 a 0 para o PSG, agregado de 8 a 2 e uma eliminação impiedosa nas oitavas de final.
Um desfecho que expôs falhas profundas — tanto no banco de reservas quanto na estrutura de decisões do clube.
No campo, o principal alvo recai sobre o técnico Liam Rosenior. A tentativa de ousadia virou imprudência. Em um confronto já delicado, o treinador decidiu escalar o jovem zagueiro Mamadou Sarr, de apenas 20 anos, que fazia justamente sua estreia na Champions — e logo contra o atual campeão europeu.
A aposta se mostrou arriscada demais: Sarr falhou no primeiro gol parisiense e não conseguiu se recuperar emocionalmente na partida. Rosenior o conhecia da passagem pelo Strasbourg, clube que também pertence ao mesmo grupo controlador dos Blues, e bancou a escolha. O risco, no entanto, cobrou seu preço.
O problema não se limitou ao nome escalado. A própria estrutura do time foi um convite à vulnerabilidade. Rosenior armou o Chelsea com três zagueiros — Sarr, Trevoh Chalobah e Jorrel Hato — e o trio acabou se tornando o calcanhar de aquiles da equipe. Inseguros, lentos nas coberturas e frequentemente mal posicionados, facilitaram o trabalho ofensivo do PSG.
Chelsea e seu projeto bilionário que não convence

Se Rosenior errou no plano de jogo, o problema estrutural parece ainda maior. A responsabilidade pela eliminação constrangedora recai principalmente sobre os donos do clube, o consórcio BlueCo, liderado pelo empresário Todd Boehly e pela gestora Clearlake Capital. Desde que assumiu o controle do Chelsea, o grupo gastou bilhões em contratações, mas adotou uma política quase obsessiva por jogadores jovens, muitos deles ainda em formação.
O resultado é um elenco talentoso, porém imaturo. Foi essa inexperiência que ficou evidente no primeiro jogo, quando o Chelsea saiu de um competitivo 2 a 2 para um devastador 5 a 2 nos minutos finais.
A montagem do elenco também levanta questionamentos em posições-chave. Na defesa, a solução encontrada na última janela foi o retorno emergencial de Sarr. No gol, os erros de Filip Jorgensen na ida e a constante insegurança de Robert Sánchez reforçam a sensação de um time ainda longe da solidez necessária para brigar no topo da Europa.
A ironia é que boa parte desse grupo chegou a conquistar o Mundial de Clubes, em 2025, justamente diante do próprio PSG, o que alimentou a narrativa de um projeto promissor.
Mas noites como esta em Stamford Bridge recolocam o debate no lugar: o Chelsea gasta como candidato a potência, mas ainda parece ser construído como um laboratório.
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Como foi a vitória dos PSG sobre o Chelsea

O Chelsea não poderia ter começado de jeito pior o jogo em Stamford Bridge. Afobado no ataque, os Blues não conseguiam pressionar o Paris, que se sentia à vontade com e sem a bola. Como se isso não bastasse, na defesa, uma falha clamorosa de Sarr praticamente sacramentou a eliminação inglesa.
Logo aos cinco minutos, Safonov deu chutão para frente, e o zagueiro senegalês errou o domínio. A bola ficou limpa com Kvaratskhelia, que invadiu a área e finalizou a meia altura para abrir o placar. E não demorou muito para o drama dos donos da casa aumentar.
Em seu segundo ataque na partida, o Paris castigou novamente. E com uma pintura de Barcola. Hakimi disparou pela direita e serviu o atacante francês na entrada da área. Ele acertou lindo chute colocado no ângulo direito e ampliou a vantagem para 7 a 2 no agregado.
O punhal parisiense veio aos 16′ do segundo tempo. Kvaratskhelia fez ótima jogada pela esquerda e rolou na entrada da área. Hakimi tentou o chute, acabou travado, e a bola sobrou para Mayulu finalizar de pé esquerdo, sem chances para Robert Sánchez.



