Champions League

Sporting remete ao passado e acaba com conto de fadas do Bodo/Glimt na Champions

Bodo/Glimt sucumbe em Portugal, deixa escapar vantagem por 3 a 0 conquistada na ida e se despede de maior campanha em sua história da competição

Carlo Ancelotti exaltou a campanha do Bodo/Glimt, em especial o setor defensivo, na convocação da seleção brasileira — “melhor defesa da Europa”, na visão do treinador. Quis o destino que, após os elogios, todas as características que trouxeram a equipe do Círculo Polar Ártico até as oitavas de final da Champions League fossem anulada pelo Sporting no Estádio de Alvalade nesta terça-feira (17).

Na Champions League, desde a semifinal de 2018/19, uma equipe não conseguia reverter uma desvantagem de três gols — na ocasião, o Liverpool venceu o Barcelona por 4 a 0 depois de ser derrotado por 3 a 0 no Camp Nou. Agora, ao vencer por 5 a 0 na prorrogação, avança às quartas de final se coloca na história da competição europeia com a maior “remontada” nesta década.

Na Noruega, no campo sintético e próximo ao Círculo Polar Ártico, o Bodo/Glimt se tornou um “queridinho” nesta edição da Champions League. A vitória sobre o Sporting na ida, por 3 a 0, mostrou um time extremamente organizado, que sabe o que fazer com a bola, em poucos toque, e capaz de ser letal contra o adversário.

Em Lisboa, nada dessa proposta surtiu efeito, e o esquema defensivo norueguês, montado pelo técnico Kjetil Knutsen, sucumbiu às mais de 30 finalizações do Sporting nos 90 minutos. E que levaram a decisão do confronto para a prorrogação. Gonçalo Inacio, Pedro Gonçalves, Luis Suárez, Maxi Araújo e Rafael Nel — este dois últimos, que deram a classificação aos portugueses — garantiram a classificação às quartas de final.

Maxi Araújo comemora gol da classificação do Sporting sobre o Bodo/Glimt (Foto: Fredrik Varfjell/NTB/Imago)

O Sporting, com a goleada, amplia as vítimas nesta edição da Champions League em casa. Além do Bodo/Glimt, Paris Saint-Germain e Olympique de Marseille sucumbiram na campanha dos portugueses, que terminou entre os oito classificados diretamente às oitavas de final nesta temporada. Feito que passa pelo trabalho de Rui Borges, que assumiu a equipe após a saída de Ruben Amorim.

O conto de fadas do Bodo/Glimt se encerra com vitórias sobre Manchester City, Atlético de Madrid e Inter de Milão, uma temporada depois de chegar até as semifinais da Europa League. Já o Sporting, com a classificação, aguarda o classificado do confronto entre Arsenal e Bayer Leverkusen, que se enfrentam ainda nesta terça-feira.

Sporting desperdiça oportunidades contra o Bodo/Glimt

A vitória por 3 a 0 na Noruega permitiu ao Bodo/Glimt se resguardar no início do duelo desta terça-feira com o Sporting. Em Portugal, na capital Lisboa, domínio absoluto dos portugueses desde o primeiro minuto: pressão na saída de bola dos visitantes e um “bombardeio” contra a defesa, que foi classificada por Ancelotti como a “melhor da Europa” neste momento.

A classificação do Bodo/Glimt faz com que os erros defensivos do primeiro tempo sejam esquecidos. Assim como contra a Inter de Milão, os noruegueses não tiveram a bola no confronto de volta. No primeiro tempo, o Sporting finalizou 16 vezes; destas, em cinco Nikita Khaykin precisou evitar o pior para o “conto de fadas” do futebol europeu nesta temporada.

O Sporting enfileirou oportunidades, com atuação de destaque de Francisco Trincão, Luis Suarez e Pedro Gonçalves. O gol, no entanto, só pôde sair aos 34 minutos do primeiro tempo — em um momento no qual o Bodo/Glimt já havia igualado as ações na partida — da cabeça de Gonçalo Inácio, um dos jogadores com mais partidas pelo clube na Champions League.

Os portugueses se mantiveram à frente nos minutos finais da primeira etapa, mas com dificuldades de furar o bloqueio do Bodo/Glimt — e visivelmente cansados após a “blitz” no início da partida. Com menos de 100 passes trocados, os noruegueses ainda conseguiram acertar o travessão no final do primeiro tempo, mas sem chegar às redes.

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Blitz do Sporting anula jogo do Bodo/Glimt

A defesa do Bodo/Glimt tem sido o destaque da campanha vitoriosa na Champions League. Contra a Inter de Milão, sofreu apenas dois gols, somando confrontos de ida e volta dos playoffs. Depois de resistir, aos trancos e barrancos, à pressão do Sporting no início da partida, os noruegueses conseguiram igualar o controle da partida, aumentar a sua posse de bola e afastar os mandantes da sua área. o Sporting voltou

Somado a isso, também conseguiu criar suas próprias oportunidades. Kasper Hogh, convocado à seleção dinamarquesa e autor de um dos gols na ida, desperdiçou chances de colocar o Bodo/Glimt no marcador. Esse momento de “igualdade” no confronto pouco durou, no entanto. A partir de dez minutos no segundo tempo, o Sporting voltou a dominar as ações no duelo.

Pedro Gonçalves comemora gol sobre o Bodo/Glimt na Champions League (Diogo Faria Reis/Avant Sports/Imago)

A “blitz” do Sporting teve de ser parada como era possível pelo Bodo/Glimt. A partir da criação de jogadas, com a bola sendo passada de pé em pé, os noruegueses conseguiram resistir, com os zagueiros se jogando para bloquear as finalizações e Khaykin, como uma muralha, debaixo das traves.

A chuva em Lisboa também acelerou o jogo, e foi seguida pelo aumento das chances do Sporting na partida. Usando do mesmo remédio do Bodo/Glimt, o Sporting passou da linha defensiva a partir do contra-ataque: três toques rápidos para Suárez sair de cara pro gol e servir Pedro Gonçalves, aos 16 minutos da segunda etapa.

Dois gols atrás do marcador, o Bodo/Glimt se segurou como podia, e com o Sporting empurrando os visitantes contra as cordas. Em determinados lances, era possível observar uma linha formada por seis ou sete homens na defesa. Depois de 32 finalizações sofrida, mais um deslize dos noruegueses destruíram o esquema defensivo.

Bodo/Glimt desperdiça vantagem conquistada sobre o Sporting (Foto: Marius Simensen/Imago)

Fredrik Bjorkan precisou marcar, durante 90 minutos, os cruzamentos do Sporting pela lateral-esquerda. Em um desses, Ivan Fresneda acertou a mão do defensor e, com o auxílio do árbitro de vídeo, foi assinalada a penalidade máxima. Suárez, substituto de Viktor Gyokeres, marcou o seu depois da assistência para Pedro Gonçalves, e fez o Sporting chegar a seu primeiro objetivo no confronto: não ser eliminado nos 90 minutos.

Sporting dá o golpe final ao Bodo/Glimt na prorrogação

Dos 30 minutos adicionais, o Sporting precisou apenas de dois para manter o ritmo do tempo regulamentar e dar o golpe final no conto de fadas norueguês. Pela ponta-esquerda, que atormentou a defesa do Bodo/Glimt, Trincão assistiu Maxi Araújo, dois dos destaques do clube português, para marcar o quarto e último gol em Alvalade.

Maxi Araújo deslizou pelo gramado de Lisboa. Nesta quarta-feira, completam-se 62 anos da última remontada do Sporting, deste tamanho, na Champions League. Na temporada 1963/64, os portugueses golearam o Manchester United por 5 a 0 e avançaram à semifinal da Liga dos Campeões. Faltava um gol para igualar o feito, que veio dos pés de Rafael Nel, nos acréscimos do segundo tempo.

Exausto, o Sporting baixou a guarda para o decorrer da prorrogação, e viu o Bodo/Glimt, somente pela segunda vez na partida, ter o controle da posse de bola. Não conseguiu, no entanto, incomodar Rui Silva. E só observou a comemoração do Sporting, que roubou para si o “conto de fadas” de maior virada desta temporada na Champions League.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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