Champions League

Estratégia de Arteta faz Arsenal pagar o preço justamente na decisão da Champions

Gunners sucumbem à pressão do PSG e perdem a segunda final da Champions de sua história

O Arsenal deu fim ao sonho de quebrar um tabu de mais de duas décadas ao perder a decisão da Champions League para o PSG. Os Gunners empataram em 1 a 1 no tempo normal e acabaram vice-campeões no pênalti decisivo perdido pelo brasileiro Gabriel Magalhães.

No entanto, a grande crítica fica em torno das decisões de Mikel Arteta ao longo da partida, adotando uma postura mais defensiva e “chamando” o Paris para o seu campo. A postura mais burocrática foi um padrão em grande parte da temporada 2025/26, o que foi tema de críticas contundentes ao estilo adotado pelo treinador espanhol.

Em números, o Arsenal se mostrou um dos desafiantes menos ameaçadores ofensivamente em uma decisão de Champions League. Os Gunners, com 24% de posse de bola, foram a equipe com menos dominância em uma final desde 2003/04, além de ter executado menos chutes no gol (1) desde 2021.

Qual foi a postura do Arsenal?

Com algumas surpresas na escalação inicial, incluindo Piero Hincapié, Martin Ødegaard e Kai Havertz, o Arsenal iniciou a partida com uma proposta de espelhar o PSG no sentido de exercer pressão na saída de bola, mantendo, ao menos, um bloco médio. A estratégia deu certo, com Havertz abrindo o placar com menos de 10 minutos a partir de uma ação de perde e pressiona.

A partir do gol cedo, o Arsenal baixou mais o bloco para prevenir um desgaste físico que seria insustentável com a manutenção do ritmo inicial, o que chamou o Paris para o seu campo. No entanto, mesmo com a posse absoluta do time de Luís Enrique, as ações ofensivas não tinham espaço e fluidez para construir chances contundentes. Vitinha, líder da articulação parisiense, não conseguiu apresentar o nível habitual e se resumiu a passes mais pragmáticos diante da postura defensiva dos Gunners.

O segundo tempo acabou por escancarar mais espaços e rotas para o PSG em busca do gol de empate. A razão disso está também relacionada com o desgaste físico natural do Arsenal focando em defender e fechar espaços. A resistência gunner não durou 20 minutos, com o pênalti cometido por Cristhian Mosquera a partir da principal jogada do PSG: associação e ultrapassagem no lado esquerdo com Khvicha Kvaratskhelia. Ousmane Dembélé garantiu a igualdade no marcador.

Mesmo com quase meia hora de jogo pela frente, o Arsenal não esboçou reação para contrapor a superioridade com bola do PSG, mantendo o padrão de posse superior a 70% para os franceses, que criaram chances o suficiente para virar o jogo e decidir o título ainda no tempo regulamentar. Em uma dessas oportunidades, Kvaratskhelia acertou a trave. Os minutos finais foram marcados por pouca inspiração e receio em excesso em ceder um gol, que seria derradeiro.

Declan Rice consola companheiros após apito final. Foto: IMAGO/SPORT PICTURES
Declan Rice consola companheiros após apito final. Foto: IMAGO/SPORT PICTURES

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e fique por dentro do melhor conteúdo de futebol!

Um conteúdo especial escolhido a dedo para você!

Aoa se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Decisões de Artetas foram questionáveis

A postura do Arsenal na decisão da Champions League repete um padrão de toda uma temporada, que originou o título da Premier League e, na maioria das ocasiões, foi positiva. Com o contexto favorável, os Gunners tomaram a mesma postura que foi criticada ao longo do ano, principalmente pelo contraste do jogo praticado em outros anos.

Duelo entre meio-campistas foi decisivo na decisão. Foto: IMAGO/SPORT PICTURES
Duelo entre meio-campistas foi decisivo na decisão. Foto: IMAGO/SPORT PICTURES

Para além disso, algumas decisões de Arteta ao longo da partida também foram questionáveis. A substituição de todo o quarteto ofensivo, a falta de cobradores de pênaltis ao fim dos 120 minutos, além de abdicar da articulação durante minutos importantes do jogo, promovendo a dupla Havertz e Viktor Gyokeres logo após o empate do PSG, foram algumas das estratégias contestáveis.

Algo que era uma preocupação prévia à decisão era o embate entre os dois meio-campos, setor em que o PSG se notabiliza. No entanto, o antídoto à Vitinha e companhia durou apenas 45 minutos. Desde então, o que se viu foi um cenário de maior fluidez para o time de Luis Enrique. No fim, mesmo sem o gol da virada, os aspectos mental e físico, em questão de desgaste, pode ter pesado no momento de ser superior na decisão por pênaltis.

Foto de Gabriel Mota

Gabriel MotaRedator de esportes

Nascido e criado em Petrópolis, mas 'naturalizado' carioca, é jornalista pela ESPM-Rio. Já passou por 365Scores, Lance! e Footure. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2026.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo