Até rival envolvido: Como polêmica nos bastidores implodiu relação entre Maresca e Chelsea
Clube anuncia saída do treinador após declarações enigmáticas, tropeços e crise interna
“O Chelsea e o técnico Enzo Maresca encerram a parceria”. A frase sóbria e direta anunciou neste 1º de janeiro a saída do italiano do comando dos Blues com efeito imediato e sacramentou uma despedida melancólica para um treinador com feitos expressivos pelo clube e que, até o começo de dezembro, sequer corria risco de demissão.
O comunicado oficial não dá detalhes sobre a decisão, e fala em acreditar que mudanças devem surtir efeito mais positivo. Resultados aquém do esperado tiveram parcela de contribuição no veredito, porém, foi nos bastidores que a relação Maresca – Chelsea implodiu de maneira irremediável. Até o rival Manchester City esteve, de certa forma, envolvido na crise.
Entrevista controversa, vaias… Chelsea ‘perde a paciência’ com Maresca
As dúvidas sobre o futuro de Maresca nos Blues começaram em 13 de dezembro, após a vitória da equipe diante do Everton acabar ofuscada por declarações enigmáticas do técnico.
— As últimas 48 horas foram as mais difíceis desde que cheguei ao clube, porque muitas pessoas não apoiaram a mim e ao time. De modo geral — afirmou ele na ocasião.
Ao ser questionado se a crítica poderia ser aos torcedores, o treinador enfatizou: “Amo os torcedores e estamos muito felizes com eles”, o que levou a imprensa inglesa a considerar que os destinatários estariam na diretoria do clube.
Pouco depois, o “The Athletic” noticiou que o Manchester City considerava levar Maresca de volta ao Etihad Stadium, dessa vez, para substituir Pep Guardiola ao término da atual temporada.
O jornal apurou com fontes ligadas ao assunto que o italiano seguiu obrigações contratuais e informou à diretoria dos Blues manter conversas com pessoas associadas ao City em outubro e dezembro sobre a eventual vaga.

O interesse dos Citizens e a declaração surpreendente depois do jogo contra o Everton ligaram sinal de alerta quanto ao período de Enzo Maresca em Stamford Bridge.
O técnico não quis explicar qual seria o motivo do descontentamento, e isso não ajudou em nada na sua situação.
O “The Guardian” afirmou que a rusga ocorreu porque ele estaria pressionando o clube a apoiá-lo a “ignorar” recomendações do departamento médico quanto ao retorno de jogadores lesionados. Segundo o jornal, a direção não lhe deu permissão para contrariar os especialistas.
O time, porém, acreditaria que Maresca fez isso em alguns momentos. Por exemplo, ao deixar Reece James atuar os 90 minutos em três jogos consecutivos enquanto ele lida com grande histórico de lesões recentemente.
Da parte do treinador, haveria insatisfação com a pouca autonomia, destacou a publicação. A queixa seria principalmente em questões de contratação de novos atletas.
A estrutura de recrutamento vigente nos Blues, focada em jovens talentos, é tratada como fundamental na gestão atual e, portanto, pouco suscetível a mudanças.

Neste período, surgiram comentários sobre como a entrevista enigmática e polêmica poderia deixar Maresca vulnerável no cargo se os resultados não fossem satisfatórios, e a projeção se confirmou rapidamente.
Depois da vitória sobre o Cardiff nas quartas de final da Copa da Liga Inglesa, o time perdeu para o Aston Villa e empatou em 2 a 2 com Newcastle e Bournemouth. Conquistou apenas sete pontos de 21 possíveis nos últimos sete embates da Premier League.
O jogo contra os Cherries foi mais um ponto negativo para o italiano na avaliação interna. Maresca chegou a ser vaiado no tropeço em casa e não concedeu entrevista coletiva para comentar a partida.
Ele disse que não se sentia bem e seu auxiliar, Willy Caballero, foi o responsável por falar com a imprensa. A mudança surpreendeu “pessoas ligadas” ao Chelsea, de acordo com o “Guardian”.
As especulações eram de que o técnico não se sentia muito motivado e buscava opções a considerar em caso de saída da equipe.
Nesta semana, a diretoria se reuniu e optou por encerrar o vínculo iniciado em julho de 2024, cuja previsão de término era em 2029. A preferência seria manter Maresca no cargo até o final da temporada, mas “o clube perdeu a paciência”.
— Durante sua passagem, Enzo liderou o time ao sucesso na Conference League e no Mundial de Clubes. Essas conquistas permanecem parte importante da história recente do clube, e agradecemos suas contribuições — dizia a nota.
O favorito a substituir Maresca no Chelsea é Liam Rosenior, que impressiona a alta cúpula pelo trabalho feito no Strasbourg — time que pertence à mesma empresa dos Blues. Oliver Glasner, do Crystal Palace, é outro cogitado, segundo o “The Athletic”.
A equipe deve ter um interino na área técnica contra o Manchester City no domingo (4), às 14h30 (de Brasília), no Eithad Stadium, pela Premier League.



