Contra o Manchester City, surpresa da Premier League volta a mostrar que não teme gigantes
Comandados de Pep Guardiola veem sequência de vitórias na temporada chegar ao fim e terminam rodada a quatro pontos da liderança
Na briga com o Arsenal, o Manchester City poderá sentir falta de uma vitória contra o Sunderland no primeiro dia do ano. Depois de derrotar o rival por 3 a 0, no início de dezembro, no Etihad Stadium, o confronto como visitante nesta quinta-feira se mostrou incômoda para os comandados de Guardiola, e termina em um empate sem gols, no Stadium of Light, pela 20ª rodada da Premier League.
Sétimo colocado e invicto como mandante, o Sunderland montou uma estratégia clara: reforçar sua defesa e explorar os contra-ataques deixados pelo Manchester City. O plano tirou os Citizens de sua zona de conforto e minou as chances criativas de Erling Haaland e companhia ao longo da partida.
Nesta temporada, o Sunderland já havia sido uma “pedra no sapato” para o Arsenal sob seus domínios. Em novembro, empate por 2 a 2 permitiu que o City se aproximasse na corrida pelo título. Agora, com o empate sem gols, permite aos Gunners abrirem quatro pontos no topo da tabela.

Os números também mostram o feito do Sunderland. Antes da partida, o Manchester City vinha de oito vitórias seguidas na temporada, sendo que seis destas foram pela Premier League, e marcou em 15 das últimas 16 partidas. Além disso, os donos da casa haviam perdido os últimos oito jogos contra o vice-líder, estatísticas que foram “por água abaixo” no primeiro dia do ano.
Na próxima rodada, o Manchester City encara o Chelsea, neste domingo (4), pelo Campeonato Inglês. No mesmo dia, o Sunderland visita o Tottenham para se colocar de vez na briga por uma vaga às competições europeias na próxima temporada.
Manchester City incomodado com o Sunderland
Se na tabela era o Manchester City quem precisava buscar o resultado, para seguir na perseguição ao Arsenal pela liderança da Premier League, em campo o que se viu foi uma superioridade do Sunderland. O técnico Régis Le Bris conseguiu montar um esquema capaz de reforçar a defesa e explorar falhas de Guardiola.
Logo aos cinco minutos, Bernardo Silva foi às redes depois de desvio de Haaland de cabeça. No entanto, o gol foi anulado por impedimento do português. Esta foi um dos raros momentos de liberdade de um jogador do City ao longo da partida, dado a imposição física da defesa do Sunderland ao longo dos 90 minutos.
Muito por conta desse controle sobre o rival, que o Sunderland foi quem esteve mais próximo de marcar na primeira etapa. Gianluigi Donnarumma precisou intervir, em uma finalização cara a cara de Brian Brobbey, para manter o empate sem gols. A formação do Sunderland também colocou o City em uma posição de desconforto na partida, e forçou erros na saída de bola.

Com “apenas” 88% de precisão no passe — ligeiramente inferior à média de 90% de acertos por partida —, o City encontrou dificuldades para criar. Em uma jogada de Ryan Cherki pela ponta-direita, Erling Haaland desperdiçou a única chance clara dos Citizens nos 45 minutos iniciais, e parou na defesa de Robin Roefs.
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Imposição física do Sunderland segura segundo tempo
O início do segundo tempo mostrou um Manchester City disposto a buscar a vitória. Rodri entrou em campo no lugar de Nico González e voltou a disputar uma partida desde novembro. A presença do volante ajudou a equipe de Guardiola a manter o controle no meio-campo, e ser mais perigoso nos 15 primeiros minutos.
Savinho chegou com duas chances claras logo no início, mas parou no goleiro do Sunderland. Logo depois, também lesionado, precisou ser substituído por Jérémy Doku, mudança que acabou com o raro momento de controle no City na partida.

Invicto em casa até aqui, o Sunderland também contou com o apoio de sua torcida para segurar a equipe de Guardiola. Foi somente aos 25 minutos que Doku conseguiu repetir o início de Savinho e teve uma chance clara de abrir o placar. O atacante belga parou no “muro defensivo” do Sunderland, que chegou a ter três homens na frente do jogador do City na pequena área.
Em geral, uma partida parada, com raras oportunidades de gol, se mostrou favorável ao Sunderland. Próximo ao final dos 90 minutos, o City chegou a ter cerca de 90% de posse de bola, em um intervalo de 15 minutos. Mas mesmo com a bola, encontrou dificuldades para furar a compacta defesa do Sunderland na reta final.
Além disso, a dificuldade em encontrar Haaland, artilheiro do City e da Premier League, fez com que nem a “blitz” do ataque do City nos minutos finais fosse capaz de tirar o zero do placar. Agora, precisará recuperar os pontos perdidos e contar com tropeços do líder nas próximas rodadas para seguir na perseguição ao Arsenal.



