Inglaterra

‘Muitos não me apoiam’: Maresca cria crise no Chelsea mesmo após vitória

Vitória tranquila sobre o Everton foi ofuscada por comentário enigmático do treinador, que expôs ruídos internos

A vitória do Chelsea sobre o Everton poderia ter sido apenas mais um resultado protocolar em casa para os Blues. O desempenho foi suficiente, o placar confortável e o adversário pouco ameaçador. Ainda assim, o pós-jogo ganhou contornos inesperados quando Enzo Maresca afirmou que viveu “as 48 horas mais difíceis desde que chegou ao clube”, alegando falta de apoio ao time e a si próprio.

A declaração soou deslocada diante do contexto. Não havia crise aberta com a torcida, tampouco embate público com a imprensa. O próprio treinador fez questão de isentar os fãs logo em seguida.

A leitura feita por torcedores e imprensa britânica foi que a mensagem teve como destino o interior do clube, ainda que Maresca tenha evitado confirmar isso, respondendo apenas que falava “em geral”.

Chelsea e Maresca entrando em crise sozinhos

O episódio reforça uma sensação recorrente nesta temporada: o Chelsea de Maresca raramente é simples. Mesmo quando vence, há ruídos. Mesmo quando controla o jogo, transmite insegurança.

O elenco é jovem, caro e tecnicamente privilegiado, capaz de produzir sequências de futebol de alto nível — mas também de oscilar drasticamente, às vezes dentro dos mesmos 90 minutos. E isso tem sido ponto de debate da torcida.

Palmer celebra gol com Pedro Neto e João Pedro
Palmer celebra gol com Pedro Neto e João Pedro (Foto: Imago)

“As últimas 48 horas foram as mais difíceis desde que cheguei ao clube, porque muitas pessoas não apoiaram a mim e ao time”, disse o italiano.

Após empatar com o Arsenal jogando com um a menos, o Chelsea havia perdido apenas uma vez em 12 partidas e parecia pronto para se inserir na briga mais acima na tabela. Desde então, veio a derrota para o Leeds, o tropeço contra a Atalanta e o empate em Bournemouth.

A equipe iniciou o fim de semana em quinto lugar na Premier League e fora da zona de classificação direta na Champions League. Há a crítica sobre essa inconsistência não ser apenas consequência da juventude, mas fruto de uma política esportiva deliberada, que trata jogadores como ativos financeiros e aceita volatilidade como parte do processo.

As críticas do treinador, no entanto, não foram diretamente endereçadas à direção — segundo o próprio. “Eu amo os torcedores e estamos muito felizes com os torcedores“, afirmou.

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Ausências, defesa frágil e um teto conhecido

Desfalques ajudam a explicar parte do problema. A suspensão de Moisés Caicedo pesou, ainda que sua presença não tenha sido suficiente para evitar o colapso contra a Atalanta.

Na defesa, a ausência prolongada de Levi Colwill e o uso controlado de Wesley Fofana escancaram outra questão: o Chelsea ainda não substituiu, em liderança e leitura de jogo, o papel que Thiago Silva exercia.

Os números são claros. Com Fofana titular, o Chelsea perdeu apenas uma vez na temporada. Não se trata de falta de qualidade nos demais zagueiros, mas de ausência de referência — algo comum em elencos muito jovens.

Contra o Everton, Cole Palmer voltou a marcar após quase três meses, Malo Gusto também deixou o seu, e o jogo nunca saiu completamente do controle. Ainda assim, uma bola na trave de Ndiaye no fim lembrou o quão tênue é a margem de segurança do time.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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