O que mudou na situação do técnico do Chelsea após vaias e atrito público com diretoria
Em meio a crise e em rota de colisão com a diretoria, treinador tem futuro debatido já para o mês de janeiro
Enzo Maresca parece cada vez mais com os dias contados no comando do Chelsea. Em meio a um atrito público com a diretoria do clube, o treinador deixou Stamford Bridge sob vaias na última terça-feira (30), após o empate por 2 a 2 com o Bournemouth.
A crise entre o técnico e os dirigentes dos Blues foi externada pelo próprio Maresca em uma série de entrevistas recentes. Curiosamente, desta vez o italiano sequer concedeu entrevista, por conta de uma gripe. O ex-goleiro Willy Caballero, hoje auxiliar técnico, foi o responsável por atender à imprensa.
Mesmo em silêncio, Maresca viu a crise aumentar e ser amplificada primeiro pela reação fria de Cole Palmer ao ser substituído no segundo tempo. Depois pelas vaias por mais um tropeço dentro de casa. O Chelsea tem apenas uma vitória nos últimos sete jogos da Premier League.
Crise pode resultar em saída ainda em janeiro
De acordo com o “The Telegraph”, a reação negativa da torcida depois do tropeço diante do Bournemouth ampliou a crise e serviu como mais um elemento de atrito na relação entre o treinador e Todd Boehly, presidente e proprietário do Chelsea.
Ainda segundo a publicação, neste momento, nem Maresca, nem a diretoria dos Blues pensam em antecipar o fim do contrato, que vai até 2027. Mas o cenário pode facilmente mudar, caso os resultados negativos permaneçam.
Tamanha é a instabilidade, que a saída do treinador já em janeiro não está descartada. Neste contexto, a partida contra o Manchester City, no próximo fim de semana, é crucial para estancar a crise — ou para aumentá-la.

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Maresca criou crise “sozinho” no Chelsea
O curioso é que o próprio Enzo Maresca criou a crise e logo após uma vitória sobre o Everton, em meados de dezembro. Parecia apenas um resultado protocolar. A torcida estava contente, e não havia sinais de instabilidade no noticiário do clube.
E mesmo assim, o treinador foi aos microfones para fazer um forte desabafo, em tom de indireta para a diretoria do clube.
— As últimas 48 horas foram as mais difíceis desde que cheguei ao clube, porque muitas pessoas não apoiaram a mim e ao time — disse Maresca, após a vitória sobre o Everton, em 13 de dezembro.
A declaração pegou mal com a diretoria do Chelsea. Como consequência, logo surgiu a notícia de que a diretoria tem intersse na contratação de Xavi Hernández, ex-Barcelona, para substituir Maresca em uma eventual saída.
Com treinador e diretoria em rota de colisão deflagrada (e pública), outro elemento aumentou a tensão nos bastidores do clube. A notícia de que o Manchester City estaria interessado em Maresca em caso de saída de Pep Guardiola também repercutiu negativamente. E mesmo que o treinador tenha negado qualquer conversa com os Citizens.
Para completar, o bate-boca público seguiu com um novo capítulo nos microfones, desta vez após o empate por 2 a 2 com o Newcastle, no sábado, 20 de dezembro.
Maresca aproveitou que sua equipe conseguiu reagir após estar perdendo por 2 a 0 em um campo hostil fora de casa para dar nova alfinetada na diretoria. Desta vez, com uma crítica direcionada ao elenco.
— Sim, com certeza (deveríamos ter atletas mais experientes). Porque provavelmente eles sabem melhor como lidar com esse tipo de ruído ou com esse tipo de situação. Os que temos, estão fazendo um ótimo trabalho também nesse aspecto — disse o treinador.
Vale lembrar que desde que Todd Boehly assumiu o clube, a postura do Chelsea no mercado tem sido agressiva para comprar jogadores promissores que possam se afirmar na equipe ou ser negociados no futuro, a depender de seu rendimento em campo.
Em meio a esta crise, o Chelsea é quinto colocado na Premier League, com 30 pontos, e está fora da zona de classificação para a Champions League. Os Blues somam dois pontos a menos que o Liverpool, atual quarto, e que enfrenta o Leeds United nesta quinta-feira (1).



