Premier League

A lesão de De Bruyne deixa uma lacuna difícil de ser suprida no Manchester City

Líder do Manchester City, De Bruyne passará alguns meses fora de ação e poderá ser submetido inclusive a uma cirurgia por problema recorrente

O Manchester City lidará com um desfalque bastante sensível pelos próximos meses. Nesta terça-feira, o clube confirmou uma séria lesão muscular sofrida por Kevin de Bruyne. Segundo Pep Guardiola, o belga deverá se ausentar por alguns meses diante da contusão recorrente na coxa, que pode requerer até cirurgia. Não é um problema exatamente novo para os Citizens, considerando o histórico recente do armador. Entretanto, há um claro desafio que se impõe para suplantar a referência técnica do time – ainda mais num momento de reformulação do setor, após a saída de outro termômetro, Ilkay Gündogan.

A lesão de De Bruyne é a mesma que o tirou da final da Champions League, substituído no primeiro tempo contra a Internazionale. O craque saiu do banco na Community Shield e deu assistência para Cole Palmer no empate contra o Arsenal, apesar de desperdiçar seu pênalti no final. Já na última sexta-feira, o belga iniciou a primeira rodada da Premier League como capitão diante do Burnley. Todavia, durou apenas 23 minutos em campo, deixando o gramado exatamente para tratar do problema físico.

Guardiola confirmou que De Bruyne será desfalque não apenas na Supercopa Europeia contra o Sevilla, nesta quarta, como também na sequência da temporada. Havia um cuidado especial do Manchester City com o meio-campista, preservado inclusive nos amistosos preparatórios ao longo das últimas semanas. Mesmo com o aval dos médicos, o belga voltou a sentir o problema persistente.

— É sério. Foi um grande golpe, muito difícil para nós. Temos que decidir se ele vai fazer cirurgia ou não, mas ficará de fora por alguns meses. Nos próximos dias decidiremos o que se fará. Kevin é uma grande perda, ele tem qualidades específicas. Você pode perdê-lo por um ou dois jogos, mas por tanto tempo é realmente difícil para nós. Mas temos que olhar para frente. — declarou o treinador, em entrevista coletiva.

Quem pode ocupar a lacuna

Contra o Burnley, Mateo Kovacic entrou no lugar de De Bruyne e tinha sido titular também diante do Arsenal. O croata veio como principal reposição após a saída de Ilkay Gündogan e pode ganhar mais espaço diante das circunstâncias. É um jogador com capacidade na construção e bom passe, embora não tenha o nível de criatividade e definição do titular. Substituir De Bruyne nunca será uma missão fácil para os Citizens.

Outro que pode ser utilizado no setor é Phil Foden, num papel diferente do usual. O inglês enfrentou o Burnley mais aberto pela ponta, na posição de Jack Grealish. Poderia ser uma peça criativa na construção, mas deslocada do comum para substituir De Bruyne. Rodri continua como esteio do meio-campo de Pep Guardiola e intocável em sua posição na cabeça de área. John Stones voltou a ser utilizado na linha de zaga, mas se sobressaiu quando precisou jogar mais à frente na última temporada. Há também alguns garotos, como Cole Palmer e James McAtee, mas não tendem a ser as primeiras escolhas.

Guardiola confirma que uma reposição no mercado de transferências será discutida internamente. Segundo o treinador, ele deve se reunir com o diretor Txiki Begiristain para pensar em possibilidades de contratar alguém. Lucas Paquetá recebeu sondagens recentes do Manchester City e seria uma opção extra para o meio-campo, embora o West Ham peça alto nas tratativas. No entanto, o brasileiro também não viria como uma peça com as características de De Bruyne, sobretudo no passe. Serviria bem mais como alguém para conduzir a bola.

As ausências de De Bruyne

Kevin de Bruyne sempre disputou pelo menos metade dos jogos do Manchester City na Premier League a cada temporada, desde que chegou ao clube. Além disso, somente em uma edição da competição o meia jogou menos de 25 partidas. É uma figura central para os sucessos dos celestes sob as ordens de Pep Guardiola e muitas vezes a capacidade do time dependeu de sua sequência em campo. Todavia, os problemas físicos se repetiram, mesmo que não provocassem desfalques tão duradouros.

De Bruyne soma 21 lesões desde que chegou ao Manchester City. Sua temporada mais atribulada aconteceu em 2018/19, quando teve sequências longas fora do time por causa de problemas ligamentares e só esteve em campo por 19 jogos na Premier League. Desde então, o belga nunca se ausentou mais do que 40 dias do time. Entretanto, sofreu contusões em momentos cruciais. Além de perder quase toda a final da Champions de 2022/23, o armador precisou ser substituído na decisão de 2020/21. Sofreu uma fratura na face, que também atrapalhou seu rendimento na Eurocopa.

Aos 32 anos, é natural que De Bruyne precise lidar com lesões mais corriqueiras. O próprio sistema de jogo praticado pelo Manchester City exige demais do meio-campista em níveis de intensidade. O ponto central para o clube será cobrir a lacuna e lidar com uma ausência fundamental, até pelo ótimo rendimento do belga na Tríplice Coroa em 2022/23. O entendimento de De Bruyne com Erling Braut Haaland foi uma das chaves para as vitórias dos Citizens. Sem mais a presença de Gündogan, fica um vácuo sobre quem poderá assumir a batuta técnica de uma maneira tão clara. Os candidatos no elenco precisam se provar, como Kovacic, e mesmo uma solução no mercado não virá como um passe de mágica.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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