Premier League

Os fatores táticos que levam Guardiola a querer Lucas Paquetá

Polivalente, o brasileiro tem tudo para se beneficiar com uma ida ao Manchester City

O brasileiro Lucas Paquetá ainda não completou um ano de West Ham, mas pode já estar de saída. Um dos destaques do clube londrino na recente conquista da Conference League, o meio-campista está na mira do Manchester City. Segundo o portal italiano TuttoMercato, o atual campeão europeu tem uma proposta de 70 milhões de libras (aproximadamente R$ 437 milhões) pronta para fazer pelo jogador de 25 anos.

Paquetá chegou ao West Ham no fim de agosto de 2022 por 51 milhões de libras, a contratação mais cara da história do clube. Apesar de um começo difícil, com atuações irregulares e briga contra o rebaixamento na Premier League, o brasileiro cresceu na reta final da temporada e foi decisivo título dos Hammers sobre a Fiorentina, dando a assistência para o gol que garantiu a vitória por 2 a 1 e a taça da Conference League.

Com as saídas de Declan Rice, para o Arsenal, e Lanzini, para o River Plate, Paquetá assumiu a camisa 10 do West Ham e é um dos principais jogadores para a temporada 2023/24. Por esses motivos, o time londrino não deve facilitar sua saída.

Como Paquetá encaixaria com Guardiola

Essa não é a primeira vez que Paquetá é especulado no Manchester City. Antes de ir para o West Ham, o meio-campista foi procurado para substituir Bernardo Silva, mas a permanência do português fez com que as negociações terminassem. Uma nova investida no brasileiro pode ser um pedido do técnico Pep Guardiola, que gosta de trabalhar com jogadores polivalentes.

Não é segredo para ninguém a preferência de Guardiola em atletas capazes de executar mais de uma função dentro de campo e com qualidade técnica para construir jogo. E é exatamente isso que Paquetá pode entregar. Seja por Flamengo, Milan, Lyon, West Ham ou pela Seleção Brasileira, já atuou em praticamente todas as posições do meio para frente.

Paquetá é um meio-campista associativo, que gosta de se aproximar dos companheiros para trocar passes. No West Ham, teve seus melhores momentos atuando como um camisa 10, mas caindo bastante pelos lados para auxiliar na saída de bola ou participar da construção das jogadas. Habilidoso, formou um bom trio no mata-mata da Conference League jogando à frente de Declan Rice e Tomas Soucek, completando o poder físico dos dois companheiros com sua qualidade técnica em dribles e passes.

Caso vá realmente ao Manchester City, Paquetá não chegará com status de titular absoluto. Sua facilidade em jogar em diferentes funções, no entanto, pode lhe garantir boas oportunidades. O brasileiro pode ser um segundo volante criativo (disputando espaço com Kovacic), um meia de muita chegada na área e que também participa da construção (como era Gündogan) ou um meia pela direita que prefere jogar por dentro do que pelo lado (como tantas vezes fez Bernardo Silva).

Em sua primeira temporada no futebol inglês, Lucas Paquetá somou cinco gols e sete assistências em 41 partidas pelo West Ham. Para efeito de comparação, Bernardo Silva teve nove gols e nove assistências em seu primeiro ano no City, mas em 53 aparições. Ambos possuem características semelhantes, já que são canhotos e polivalentes.

Guardiola impulsionou jogadores “não tão jovens” no City

Prestes a completar 26 anos, Paquetá não é mais um garoto, mas também está longe de ter atingido todo seu potencial. Trabalhar com Pep Guardiola pode ajudar o brasileiro a alçar voos ainda maiores. Afinal, foi com o técnico que alguns jogadores que chegaram não tão jovens ao City se tornaram destaques mundiais.

O exemplo mais claro talvez seja Ilkay Gündogan. O alemão foi uma das principais contratações de Guardiola no City e desembarcou na Inglaterra com 25 anos. Apesar de ter se destacado no Borussia Dortmund, onde conquistou uma Bundesliga, uma Copa da Alemanha e uma Supercopa da Alemanha, foi pelos Citizens que o meia melhorou seus números e se tornou um dos melhores do mundo na posição, sendo fundamental na maioria dos 14 títulos que conquistou pelo clube. Foi com o renomado treinador também que ele teve sua temporada mais goleadora, marcando 17 gols em 2020/21. Antes de ser comandado pelo espanhol, sua melhor marca havia sido em 2010/11, ainda pelo Nürnberg, com cinco.

Outro jogador que veio do Borussia Dortmund e foi potencializado por Guardiola foi Manuel Akanji. O suíço de 28 anos até teve bons momentos na Alemanha, mas ninguém era capaz de imaginar o nível que atingiria no Manchester City. Em apenas uma temporada, se tornou titular absoluto e um dos pilares da equipe que conquistou a Premier League, a Copa da Inglaterra e a Champions League.

Ainda na defesa, Nathan Aké, Kyle Walker, João Cancelo e Aymeric Laporte foram outros impulsionados pelo técnico. Todos os quatro já tinham mostrado potencial em outros clubes, mas não eram os atletas de primeira prateleira que são hoje. Nenhum deles chegou antes de completar 24 anos, com Walker sendo contratado já com 27.

Por fim, Jack Grealish, contratado aos 25 anos em agosto de 2021, também deu um salto de qualidade com Pep. É verdade que o inglês não teve um bom primeiro ano pelo City, mas foi fundamental na temporada passada com 12 assistências, sua melhor marca na carreira. Mesmo que não tenha o mesmo protagonismo ou número de gols que obteve no Aston Villa, definitivamente é um jogador mais completo após duas temporadas em Manchester.

Foto de Felipe Novis

Felipe Novis

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.
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