Nada de novo no front: Manchester City e Haaland continuam muito bons
O recém-promovido Burnley até conseguiu alguns momentos, mas levou um choque de realidade
A Premier League terminou 75 dias atrás. Houve mais de um mês de preparação, muitos milhões mudaram de mãos e, por enquanto, tudo parece igualzinho: Manchester City e Erling Haaland continuam muito bons. O maior artilheiro de uma única edição da era moderna do Campeonato Inglês precisou de apenas quatro minutos para abrir a conta e depois marcou novamente na vitória sossegada do atual tricampeão inglês sobre o recém-promovido Burnley por 3 a 0, no Turf Moor.
Quis o destino, porque não é sempre o caso, que a temporada começasse com o campeão da primeira divisão contra o vencedor da segunda. O gostinho extra é que também foi um duelo entre Pep Guardiola e um dos grandes jogadores que ele treinou. Vincent Kompany transformou o Burnley daquele time que era um dos últimos bastiões do antigo estilo inglês com Sean Dyche em uma organização mais moderna, com fome de posse de bola e pressão alta, inspirada nos ensinamentos do seu mestre.
É claro que, com os recursos à disposição, isso funcionou melhor na Championship do que na estreia da Premier League. Foi um choque de realidade – outro: levou 6 a 0 do City na Copa da Inglaterra em março – de que precisará fazer alguns ajustes ou subir de patamar para encarar os times mais ricos do mundo. Ainda assim, teve alguns bons momentos no primeiro tempo em que conseguiu deixar o adversário um pouco no contrapé até levar o segundo gol de Haaland.
Burnley escala seu time mais jovem na Premier League
O Burnley passou seis anos na elite do Campeonato Inglês e sempre pareceu um time de veteranos. Principalmente quando a fórmula esgotou. O rebaixamento foi a oportunidade de renovação. Kompany buscou talento jovem e cru em ligas europeias, principalmente da Bélgica, onde tem vários contatos. Com mais recursos após a promoção, fez investimentos interessantes, mantendo o perfil. Resultado: o Burnley escalou o time mais jovem da sua história na Premier League, com média de 23 anos e 206 dias, segundo dados da equipe de estatísticas da Opta.
23y 206d – Burnley’s starting XI has an average age of just 23 years and 206 days, the youngest line-up they’ve ever named in the Premier League and the youngest a manager – Vincent Kompany – has ever named in his first game in the competition. Bold. pic.twitter.com/kaUV0J7rhN
— OptaJoe (@OptaJoe) August 11, 2023
As principais novidades foram a estreia de Dara O’Shea na defesa e a nova dupla de meio-campo, formada por Sander Berge, um ótimo volante contratado do Sheffield United, e Josh Cullen, o motorzinho do Burnley. Zeki Amdouni, artilheiro do Basel e destaque da Conference League, começou no comando de ataque. Guardiola ainda não teve força total, com Nathan Aké e Manuel Akanji na defesa. Na ausência de John Stones, sobrou para Rico Lewis fazer aquela função híbrida: lateral esquerdo ou zagueiro sem a bola e volante ao lado de Rodri com ela. Os reforços Mateo Kovacic e Josko Gvardiol começaram no banco.
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Era quase uma seca
Haaland estava passando por um jejum. Não estava em um jejum jejum, a gente que gosta de exagerar às vezes, mas é fato que havia marcado apenas uma vez em seus últimos nove jogos. Sem problemas: logo aos quatro minutos, De Bruyne cruzou para a segunda trave após uma cobrança de escanteio curto, Rodri ajeitou de cabeça e Haaland mandou de primeira para o fundo das redes.
O Burnley precisou de cerca de 15 minutos para se adaptar à dificuldade de enfrentar o melhor time do mundo e, por pouco, não levou o segundo em uma cabeçada de Rodri, em cobrança de falta de De Bruyne. O jovem goleiro James Trafford, destaque do título europeu sub-20 da Inglaterra, fez uma grande defesa e de qualquer maneira o volante espanhol estava impedido
Burnley dá um calorzinho, mas…
Os donos da casa começaram a se soltar. E deram alguns sinais de que podem causar problemas. A pressão alta foi bem eficiente, mesmo contra um time tão qualificado – e corajosa. Até rolaram algumas chances de gol. Luca Koleosho acionou Amdouni, que deixou Aké para trás com um drible e bateu cruzado para boa defesa de Ederson. Aos 29 minutos, o City não conseguiu sair jogando direito. Lyle Foster interceptou, entrou na área e bateu para fora, mas com perigo.
O problema, e não sei se eu já mencionei, é que o Manchester City é muito bom. Após o susto, trabalhou a bola pela direita. Foden deu bom passe para a projeção de Walker, que encontrou Álvarez dentro da área. O jovem argentino rolou para Haaland bater forte pelo alto e ampliar com um belo gol.
Segundo tempo tranquilo
O Manchester City não quis levar mais sustos. Mesmo com menos posse de bola que no primeiro, teve um controle mais amplo no segundo e não permitiu que o Burnley assustasse. O terceiro gol quase saiu em uma cabeçada de Rodri, aos nove minutos, mas Trafford fez boa defesa. Haaland arrancou e serviu Álvarez, que bateu meio desequilibrado. O placar foi fechado depois de uma cobrança de falta da esquerda. Foden dividiu, e a sobra ficou com Rodri para afundar as redes.
Isso também foi uma continuidade do fim da temporada passada. O autor do gol do título da Champions League continuou mostrando que também pode ser perigoso no ataque.



