Inglaterra

Embaixadinhas do Cherki: Críticos querem te fazer esquecer que futebol pode ser divertido

Camisa 10 do Manchester City tem enfrentado reação negativa por 'firula' na final da Copa da Liga Inglesa contra Arsenal

No esquenta da briga pela liderança da Premier League, o Manchester City venceu o Arsenal e se sagrou campeão da Copa da Liga Inglesa. Entretanto, um dos lances que mais repercutiu na final foram as embaixadinhas de Rayan Cherki, que tem sido criticado por sua atitude.

Já com 2 a 0 no placar, o camisa 10 dos Citizens dominou um lançamento com o peito e, antes de deixar a bola cair, fez a “firula”. Ao todo, foram três embaixadinhas que antecederam o passe para trás. Na sequência do lance, Cherki sofreu uma entrada por trás de Ben White, que pareceu não gostar da postura do rival.

Na “Sky Sports”, o ex-jogador Gary Neville descreveu a ação do meia-atacante francês como “arrogante”. O treinador Alan Pardew foi ainda mais incisivo no “TalkSport” ao declarar que a embaixadinha de Rayan Cherki foi “um insulto ao futebol”.

Até mesmo Pep Guardiola foi filmado balançando a cabeça fazendo um sinal de negativo, o que foi interpretado como uma desaprovação ao que seu atleta acabara de fazer em campo. Entretanto, não custa perguntar: está proibido se divertir com futebol?

Por que condenação às embaixadinhas de Cherki são exageradas?

Para o debate, a discussão sobre o exibicionismo de Cherki ser desnecessário é válida. Do lado dos Gunners, as embaixadinhas podem ser vistas como uma provocação, o que explicaria a reação firme do camisa 4 da equipe londrina, que estava frustrado em perder um título para o rival. E tudo bem.

Contudo, o camisa 10 do Manchester City já se posicionou inúmeras vezes sobre como enxerga seu papel como jogador de futebol profissional. À revista “France Football”, por exemplo, Rayan Cherki falou em tom de nostalgia sobre a magia que Ronaldinho Gaúcho transmitia em seu auge no Barcelona.

— Tenho um objetivo: trazer o futebol à moda antiga de volta. Não sou fã de tudo no futebol de hoje. Robôs são bons, mas a magia é melhor. Fazer um jogo com 99% de passes certos é bom, mas um jogo com cinco ou seis lances geniais… — declarou o meia-atacante.

Desde que despontou na elite europeia, o francês tem se colocado como porta-voz do retorno ao futebol arte, que seria uma forma dos torcedores “esquecerem seus problemas por 90 minutos”. Portanto, é justo condená-lo por tentar entreter o fã do esporte?

Mesmo que seu próprio treinador não aprove todos os dribles e firulas, Cherki continua fiel a sua filosofia de jogo (e de vida). E isso não significa perder a objetividade que o futebol de alto nível precisa, até porque o camisa 10 tem contribuído ativamente no último terço graças a sua critiativade.

Rayan Cherki pelos Citizens em 2025/26

  • 41 jogos — 23 como titular
  • 9 gols
  • 11 assistências
  • 2182 minutos em campo — média de 53 por partida

Em uma temporada na qual o título de “melhor liga do mundo” da Premier League tem sido contestado devido à febre das bolas paradas, é no mínimo positivo ter alguém que se coloque como alternativa às cobranças de faltas, escanteios e “latereios”.

Vale reforçar que isso não é uma depreciação às jogadas ensaiadas. Muito pelo contrário. É uma defesa da pluralidade de estilos no futebol. Que novos “artistas” do futebol, como Rayan Cherki costuma se definir, possam surgir para manter o esporte mais famoso do mundo apaixonante e divertido.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo