‘Temos poucos artistas e creio que sou um deles. Faço coisas que nem eu entendo’
Astro do Manchester City, Cherki fala sobre fama de 'bad boy' e sucesso na parceria com Pep Guardiola
Um dos talentos mais imprevisíveis do futebol francês, Rayan Cherki, do Manchester City, voltou a falar sobre sua trajetória, marcada por altos e baixos e por uma reputação controversa desde os primeiros anos no profissional.
Em entrevista à revista “France Football”, o jogador analisou sua carreira até aqui, comentou a imagem de rebelde que o acompanha desde a base e falou sobre sua adaptação ao futebol da Premier League, sob o comando de Pep Guardiola.
Fama de rebelde e a identidade de Cherki
Cherki, de 22 anos, foi uma das ausências mais comentadas no time titular do City na partida contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu, mas aproveitou a entrevista para refletir sobre a própria identidade dentro de campo.
Ao falar sobre seu status no futebol, o francês tentou equilibrar confiança e humildade:
“Dizer que não existem dois jogadores como eu não faz parte necessariamente da minha personalidade. Conheço meu nível, meus pontos fortes e minhas fraquezas. Qual o sentido de dizer ‘sou o melhor’? Isso só atrai críticas ou faz as pessoas pensarem que você não é humilde.”

Desde muito jovem, Cherki convive com a reputação de jogador problemático ou indisciplinado, algo que ele considera exagerado. Revelado pelo Lyon, o meia afirma que parte das críticas surgiu ainda na adolescência, quando seu estilo irreverente em campo passou a chamar atenção.
“Me colocaram rótulos injustos. Não pegaram leve comigo. Mas eu gosto dessa fase da vida. As pessoas te menosprezam e, quando você chega ao topo, param de falar porque não têm mais o que dizer”, afirmou à France Football.
Segundo ele, muitas críticas vinham de gestos aparentemente simples em campo:
“Aos 15 anos inventavam histórias sobre mim. Diziam que eu levantava os braços demais, que driblava demais. Mas onde estavam essas pessoas quando tinham 15 ou 16 anos? Quem nunca comete erros? Cristiano Ronaldo, Lionel Messi…”
O jogador reconhece, no entanto, que erros fazem parte da evolução. “Cometo erros todos os dias. Eles ajudam a construir meu futuro. Sem erros, não existe progresso.”
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Mudança no Manchester City de Guardiola e os ‘artistas do futebol’
Cherki também falou sobre sua relação quase artística com o futebol — algo que considera essencial para sua forma de jogar. Para ele, o futebol é mais do que resultado.
“O futebol é magia, sonho, paixão. As pessoas vivem problemas e momentos difíceis. Temos a chance de dar a elas 90 minutos para esquecer tudo isso.”
Essa visão também aparece quando ele descreve sua relação com a bola. “Quando estou com a bola, quero que as pessoas digam: ‘Como ele fez isso? Como ele viu isso?’. Tento acariciá-la. Não posso machucá-la. Quero que a bola goste de estar nos meus pés.”
O francês usou até uma metáfora curiosa para explicar a sensação. “Tenho um gato. Ele não vem se não gostar de como eu o acaricio. É a mesma coisa.”
Rayan Cherki 🥶👋 pic.twitter.com/V9icTnijqM
— Manchester City (@ManCity) March 10, 2026
Cherki também destacou a sintonia tática com Guardiola.
“Com o Pep vemos isso cada vez mais. A forma dele jogar é a minha forma de ver o futebol. Muitas vezes estou sozinho nos espaços livres. Como ele diz, não preciso correr muito para estar no lugar certo.”
Ao falar sobre outros talentos da nova geração, Cherki citou alguns dos principais nomes do futebol atual. Entre eles estão Lamine Yamal, Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé.
Ainda assim, o meia acredita que existe uma diferença entre talento e arte no futebol. E concluiu com uma frase que resume bem sua relação intuitiva com o jogo:
“Existem muitos jogadores com talento extraordinário, mas poucos artistas. Acho que sou um deles. Porque faço coisas que às vezes nem eu mesmo entendo.”



