Inglaterra

‘Gostaria de ter jogado na época do Ronaldinho, devia ser extraordinária’

Cherki, do Manchester City, assume desejo de retomar futebol 'à moda antiga' de Ronaldinho e companhia nos anos 2000

A magia que Ronaldinho transmitia com seus dribles, gols e assistências no futebol europeu dos anos 2000 marcou a geração de muitos dos jogadores que estão em atividade no momento. O brasileiro foi citado em algumas oportunidades por Rayan Cherki, do Manchester City, em uma longa entrevista à revista “France Football”.

O meia, conhecido por sua habilidade com a bola no pé como era o “Bruxo”, disse que gostaria de ter vivido a época de Ronaldinho. “Devia ser extraordinária“, assumiu, com empolgação.

— Gostaria de ser o melhor nessa era, mesmo que houvesse jogadores absurdos. Devia ser mágico ir ao estádio — disse, em outra resposta, questionado se queria ser eleito o número um daquela época.

Em um daqueles jogos de “esse ou aquele” feito com jogadores, Cherki ainda elegeu Gaúcho como o maior driblador da história em disputa com Hatem Ben Arfa, Riyad Mahrez, Lamine Yamal, Eden Hazard, Cristiano Ronaldo, Diego Maradona, Lionel Messi, Neymar, Zidane e Ronaldo Fenômeno.

Cherki celebra gol do Manchester City
Cherki celebra gol do Manchester City (Foto: IMAGO / Sportimage)

Cherki tenta voltar à moda futebol de Ronaldinho

Por vezes criticado pelo excesso de dribles e firulas — inclusive por seu próprio técnico, Pep Guardiola –, Cherki não se vê incompatível com o futebol moderno. Ele assumiu uma meta inusitada de retomar o esporte “à moda antiga”, o que para ele é o período dos anos 2000 até 2014-2016. “Depois disso, começou a ir em outra direção”.

— Eu tenho um objetivo: ajudar a colocar o futebol à moda antiga de volta na moda. Um dia, espero conseguir. Hoje, meu futebol é eficaz, mas também tem essa parte de jogo à moda antiga. Então, se eu conseguir juntar os dois, vou conseguir fazer as pessoas curtirem como eu quero — disse.

Ele voltou a mencionar jogadores que admirava na infância ao citar que o futebol que joga hoje não é mais o mesmo por ter virado seu trabalho. “Mas eu tento jogar o futebol que me fez amar o esporte. O futebol de Eden Hazard, Neymar, Ronaldinho, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi”, disse.

Ao falar de quem lhe dá prazer ao assistir jogos atualmente — Lamine Yamal, Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e outros –, Cherki disse que há poucos artistas, apesar de jogadores com “talentos extraordinários”. O meia francês se vê nesse grupo artístico.

— Porque eu faço coisas que às vezes nem eu mesmo entendo — disse, sorrindo.

Cherki passa por Rüdiger em jogo entre Manchester City e Real Madrid
Cherki passa por Rüdiger em jogo entre Manchester City e Real Madrid (Foto: IMAGO / Alberto Gardin)

Cherki ainda criticou a forma como se vê o futebol de hoje, muito focado na tática, fisicalidade e números, e pouco em momentos inventivos.

— Não sou necessariamente fã de todos os aspectos do futebol atual. Eu gostaria que a gente dissesse: ‘os robôs são bons, mas a magia é melhor’. Fazer um jogo perfeito, com 99% de passes certos, é bom, mas fazer um com cinco ou seis momentos de genialidade sempre será melhor — aponta.

— Frustra um pouco, porque hoje muitos treinadores estão na busca constante por quem vai correr mais, saltar mais alto. Para mim, futebol não é isso. Mas eu não tenho a verdade absoluta — completou, em outra resposta.

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Meia do City garante boa relação com Guardiola

Em dezembro passado, Cherki impressionou ao dar um lindo cruzamento de letra para Foden marcar. A assistência, porém, não caiu bem com Guardiola. “Nunca vi Messi fazer um cruzamento como ele fez […] Eu gosto da simplicidade, porque aprendi com Messi que nunca se comete um erro com coisas simples”, reclamou Pep.

À “France Football”, o francês garantiu que a relação com o comandante citizen é boa e tem períodos mais leves ou tensos tratados com naturalidade.

— Ele pode ser mais duro do que outros treinadores, mas gosta de todos os jogadores. Temos uma boa relação. A gente ri e conversa bastante. Ele é duro comigo. Eu também sou duro com ele, isso é importante para mim. Quando estou no banco de reservas, não fico feliz, e ele sabe disso. Quando estou em campo, fico feliz, e ele também sabe. É uma relação de mão dupla. É uma relação humana.

Cherki e Guardiola conversam após partida do Manchester City
Cherki e Guardiola conversam após partida do Manchester City (Foto: IMAGO / Sportimage)

Também no fim do ano passado, o técnico disse que tem vontade de gritar ou beijar o jogador francês, a depender da situação. “Para mim é igual. Há momentos em que fico irritado e momentos em que tenho vontade de abraçá-lo. É normal!”, assumiu Cherki.

Alguns torcedores citam de forma crítica que o francês só foi titular em 21 das 46 partidas do Manchester City nesta temporada por essa visão de Guardiola sobre o jogador. Cherki soma nove gols e dez assistências pelo City em seu primeiro ano no clube.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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