Terry: ‘É ridículo dizer que o Arsenal deveria ter um asterisco se ganhar a Premier League’
Ídolo do Chelsea, ex-zagueiro rebate críticas ao estilo dos Gunners e defende uso das bolas paradas como parte legítima (e decisiva) do jogo
As críticas ao uso intensivo — e para muitos agressivo — de bolas paradas pelo Arsenal ganharam novos capítulos nas últimas semanas na Premier League. Em meio ao debate, quem saiu em defesa do time comandado por Mikel Arteta foi um personagem pouco suspeito: o ex-capitão do rival Chelsea, John Terry.
Ídolo histórico dos Blues, o ex-zagueiro classificou como “ridícula” a ideia de que um eventual título dos Gunners devesse vir acompanhado de algum tipo de ressalva por conta da forma como a equipe tem explorado escanteios e faltas laterais.
— É ridículo dizer que o Arsenal deveria ter um asterisco se ganhar a Premier League.
O ex-defensor também recorreu à própria história para sustentar o argumento. Capitão do Chelsea na conquista da Champions League de 2011/12, Terry lembrou que um dos momentos mais emblemáticos daquela campanha nasceu justamente de um escanteio convertido por Didier Drogba, na final contra o Bayern de Munique.
— O Chelsea ganhou sua primeira Champions League com um escanteio convertido por Drogba. Não podemos eliminar as bolas paradas do jogo, e o Arsenal aprendeu a usá-las corretamente e é o melhor time atualmente.
Terry rebate avalanche de críticas ao Arsenal de Arteta

A defesa pública de Terry surge em um momento em que o Arsenal tem sido alvo frequente de críticas dentro e fora de campo. Rivais, técnicos e parte da imprensa inglesa questionam o estilo da equipe de Arteta, que se tornou especialmente eficiente em lances de bola parada, sobretudo nos escanteios.
O atacante Mathys Tel, do Tottenham, por exemplo, não citou diretamente os Gunners, mas descreveu recentemente esse tipo de situação na área como um verdadeiro “zoológico”, criticando os empurrões, bloqueios e a dificuldade dos goleiros para se movimentar.
Na mesma linha, Arne Slot, técnico do Liverpool, também questionou o peso que as bolas paradas passaram a ter no futebol inglês. O treinador holandês afirmou que muitos jogos da Premier League deixam de ser um “prazer” de assistir justamente pelo excesso de disputas físicas nesses lances e pela tolerância da arbitragem com contatos dentro da área.
O debate se estende também à imprensa britânica. O jornalista Dominic King, do “Daily Mail”, chegou a classificar a estratégia dos Gunners como previsível e pouco criativa para um campeonato que reúne alguns dos principais treinadores do mundo.

— Uma das táticas mais rudimentares no futebol amador é ter jogadores altos no ataque e lançar a bola para eles de longe. Seria de se esperar que as maiores mentes do futebol profissional pudessem criar algo um pouco mais inovador — disse King.
Terry, porém, vê o cenário de maneira bem diferente. Para ele, o sucesso do Arsenal nesses lances não diminui o mérito do trabalho de Arteta — pelo contrário, evidencia a capacidade de uma equipe de explorar uma ferramenta histórica do jogo.
— Marquei muitos gols de bola parada que nos ajudaram a vencer muitas partidas durante minha carreira como jogador. Não podemos subestimar as coisas maravilhosas que o Arsenal está fazendo.
No fundo, a discussão expõe um choque de visões sobre o futebol moderno: de um lado, quem cobra espetáculo e criatividade; do outro, quem valoriza eficiência e adaptação. No caso do Arsenal, os números e os resultados recentes sugerem que, goste-se ou não do método, a fórmula tem funcionado.



