Futebol feminino

‘É tão cruel’: Por que jogadoras da Espanha estão na bronca com o vice da Eurocopa

Campanha 'dominante' de La Roja não foi o suficiente para superar garra da Inglaterra

Existe justiça no futebol? Esse questionamento pairou entre as jogadoras da Espanha, desoladas com a derrota nos pênaltis para a Inglaterra que deu às Lionesses o título da Eurocopa Feminina de 2025.

— Nos entregamos. Preciso me desculpar por ter perdido meu pênalti e parabenizar a Inglaterra. Mas jogamos bem. Fomos o melhor time, mas isso não é tudo, você tem que marcar. Para mim, a Inglaterra é um time capaz de não jogar bem e ainda vencer. Há times que não precisam de muito para vencer — disse Aitana Bonmatí à “RTVE” após o jogo.

A partir dos 70 minutos, controlamos o jogo. Fomos o melhor time. A Inglaterra não estava atacando. (…) É tão cruel. Parece que tudo está ruim, mas acho que fomos as melhores do torneio, quem jogou melhor, quem tem mais talentos — complementou a meio-campista.

A equipe treinada por Montse Tomé jogou com as mesmas credenciais com as quais se destacou nos últimos anos: entrosamento, toques precisos e pressão, que visa não dar espaços às adversárias e aplicar a dominância La Roja. Na etapa inicial, teve ao menos três boas chances de marcar antes da abertura do placar com Mariona aos 25 minutos.

Espanha ‘merecia mais’ na final da Eurocopa feminina?

Irene Paredes, zagueira da Espanha, na final da Euro
Irene Paredes, zagueira da Espanha, na final da Euro (Foto: Imago)

Analisar uma partida apenas com base em estatísticas não é o ideal, mas aqui os números representam bem o que foi o embate. A seleção da Espanha levou vantagem na posse de bola (65% a 35%), nos duelos vencidos (64 a 48) e nas finalizações (22 a 8) segundo a “Flashscore”, o que justifica — em parte — a frustração.

Se afunilarmos os dados, porém, o equilíbrio aparece. O placar de grandes chances criadas ficou em 3 a 2 para as espanholas e houve empate nas finalizações no alvo, 5 a 5. O jogo de paciência e garra de Sarina Wiegman foi premiado com o gol de Alessia Russo aos 12 do segundo tempo e duas defesas de Hannah Hampton nas cobranças de pênaltis.

— Realmente não sei o que dizer. É um momento muito difícil. Tentamos de tudo, e os pênaltis não nos favoreceram. Achei que merecíamos mais, mas, no fim das contas, não se trata de quem merece — disse a capitã Irene Paredes, zagueira, à “RTVE”.

— Sinto que elas estavam em uma posição confortável, queriam passar o tempo. Houve tempo perdido, goleira no chão, jogadoras no chão. Acho que, para vencer um torneio como esse, é preciso um pouco de sorte. A Inglaterra teve isso durante todo o torneio. Pensamos que poderíamos superar isso, mas não conseguimos. Tivemos mais controle do jogo do que elas, criamos mais chances, tivemos mais posse, mas não se trata disso, se trata de marcar — concluiu.

A narrativa se estendeu às análises feitas por jornais. O “Marca” estampou que “o futebol é injusto às vezes”, enquanto o “as” escreveu que o desempenho de Bonmatí e companhia apontava para o inédito título.

“A Espanha merecia mais na final. A seleção tem pouco do que se culpar, se consolidando como a equipe mais atraente e dominante. (…) A perseverança da Inglaterra acabou com o sonho da Espanha. Um desfecho trágico, mas que não estragou a impressão positiva no geral. A história, às vezes, também é escrita pelos perdedores”, dizia o texto.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes que integra a equipe de redação da Trivela. Antes, passou por Premier League Brasil, ESPN e Estadão. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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