Campeonato Brasileiro Feminino

Campanha vexatória do Atlético-MG no Brasileirão feminino estava nos planos do clube; entenda

Com um ponto em em 12 rodadas, Atlético se tornou o primeiro time rebaixado no Brasileiro A1 -- mas isso já estava previsto

O Atlético-MG se tornou o primeiro clube rebaixado no Campeonato Brasileiro Feminino de 2024. O Galo somou apenas um ponto em 12 rodadas disputadas até aqui, e, faltando duas rodadas para acabar a primeira fase, amarga a lanterna e não pode mais se salvar.

Por incrível que pareça, isso “estava nos planos” do Galo.

O único ponto conquistado pelo Atlético no Brasileiro A1 foi contra o Botafogo, que também luta contra o rebaixamento.

Fora isso, o Galo foi humilhado em vários outros jogos, inclusive sofrendo duas goleadas de 6 a 0, para América-MG e São Paulo. O saldo de gol é de −32, tendo buscado a bola na rede 40 vezes em 12 jogos.

Atlético no Brasileiro A1

  • 12 jogos
  • 0 vitória
  • 1 empate
  • 11 derrotas
  • 8 gols marcados
  • 40 gols sofridos

Atlético “planejou” ano ruim esportivamente

Pode parece algo muito fora da realidade, mas o Atlético já sabia que iria ter um péssimo ano esportivamente. Estava nos planos do clube, indo completamente na contramão das equipes que cada vez investem mais.

No relatório do Atlético sobre o ano de 2023, o clube citou as grandes reformulações que passou no feminino no ano, dentro e fora de campo. Para 2024, o Galo destacou que o foco era em evoluir estruturalmente.

Neste ano, o Galo reformou a Vila Olímpica para ser o novo centro de treinamentos do feminino, que intercala treinos também na Cidade do Galo. Isso depois de colocar as mulheres para treinar em locais sem condição mínima em 2023. Além disso, o clube também conseguiu um ônibus novo e exclusivo para a modalidade.

Mas, o que chama atenção na projeção do Galo, é que o clube não colocou foco algum no desempenho esportivo. Não à toa, o elenco foi montado com atraso em relação a todos os outros, só com jogadores de Série C e Série B, com um técnico do mesmo calibre.

Para o ano de 2024, o Clube tem como prioridade continuar o trabalho de melhorias estruturais das condições de treinamento, logística de jogos e fornecimento de materiais esportivos, sem foco no desempenho esportivo — diz o relatório do Atlético

Crescimento gradual e saudável

Como já previa um péssimo ano em campo, o Atlético explica no relatório que a ideia é obter um crescimento gradual e saudável. Com CT próprio, rotina de treinamentos, material esportivo, padronização e ônibus, o Galo Feminino entende que está no caminho para, em alguns anos, voltar a elite e conseguir se autossustentar.

Parte do relatório do próprio Atlético que cita não focar no desempenho esportivo (Reprodução)

O problema é que, tudo isso que o Atlético “se gaba” de ter dado ao futebol feminino em 2024, é o mínimo das condições de trabalho para atletas de futebol. Para um clube que sonha tanto em ser “paixão nacional”, como diz seu slogan atual, ser humilhado em uma categoria não ajuda nada nisso.

Enquanto isso, o Atlético, que foi dominante em Minas Gerais por três anos, vê o Cruzeiro investir e se tornar um dos melhores times do país, com jogadora na Seleção Brasileira, e o América, time com bem menos investimento também no masculino, que consegue manter um time feminino minimamente competitivo.

Campanha do Atlético no Brasileiro Feminino

  • Fluminense 3×0 Atlético
  • Atlético 1×3 Santos
  • Bragantino 2×1 Atlético
  • Atlético 2×3 Flamengo
  • América-MG 6×0 Atlético
  • Atlético 0x4 Cruzeiro
  • Botafogo 1×1 Atlético
  • Atlético 1×3 Corinthians
  • São Paulo 6×0 Atlético
  • Real Brasília 3×1 Atlético
  • Internacional 4×0 Atlético
  • Atlético 1×2 Avaí Kindermann

Galo ainda enfrenta Grêmio (jogo atrasado), Ferroviária e Palmeiras.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.
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