Como a merecida indicação de Amanda Gutierres à Bola de Ouro reforça recado à CBF
Artilheira do Palmeiras e da Seleção evidencia olhares atentos de especialistas ao redor do mundo para o futebol brasileiro feminino
Amanda Gutierres é uma das 30 indicadas à Bola de Ouro de melhor jogadora de futebol feminino do mundo. A nomeação é um reconhecimento merecido à artilheira do Palmeiras e da seleção brasileira que tem apenas 24 anos e já mostra constância no alto nível com personalidade e números expressivos.
Não se engane com a pouca idade.
Efeito Amanda Gutierres no Palmeiras
A “Gutigol” é experiente e tem faro de gol bem apurado por onde passa. Amanda superou Bia Zaneratto e se tornou a maior artilheira do Palmeiras em uma única temporada logo no ano de estreia, ao marcar 27 vezes em 34 oportunidades. A campanha seguinte teve 23 tentos da paranaense em 30 embates, e as coisas não são diferentes no ciclo atual.
A atacante esteve em 18 partidas até agora e balançou as redes 15 vezes, além de registrar três assistências. Os dados somados refletem média de envolvimento em um gol Alviverde por jogo.

Certamente defesa alguma fica tranquila quando a imponente camisa 9 está na área com o tradicional coque alto — que em nada atrapalha, diga-se de passagem. Gutigol tem categoria para finalizar tanto de cabeça quanto com a bola no chão, e o fato de ser fazer isso bem com ambos os pés é mais um grato bônus.
Suas performances não passaram desapercebidas por Arthur Elias, que a colocou para estrear na Seleção principal em 2024, após as Olimpíadas de Paris. O técnico reforçou a pretensão de reformular o elenco, e Amanda se firmou como uma das atletas de confiança neste novo contexto.
Na Copa América de 2025, por exemplo, fez seis gols em cinco jogos e empatou com Claudia Martinez, do Paraguai, na artilharia da competição.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Amanda reforça novo olhar para o futebol feminino brasileiro
A ascensão de Amanda coincide com a evolução do futebol feminino no Brasil, que passa a ter cada vez mais profissionais em destaque no contexto global. No caso da Bola de Ouro, Marta, do Orlando Pride-EUA, também está na disputa pelo prêmio, e Arthur Elias concorre na categoria de melhor treinador da modalidade.
Antes da Rainha e de Gutigol, Gabi Portilho já havia sido indicada e eleita a 18ª melhor jogadora do mundo no ano passado, quando ainda defendia o Corinthians. Debinha representou o País em 2023, enquanto jogava pelo North Carolina Courage-EUA.

Se considerarmos as duas últimas nomeações, atletas que jogam no futebol brasileiro recebem mais atenção dos especialistas ao redor do mundo.
O alto nível das jogadoras não apenas ajuda a projetar a Seleção ao mais elevado patamar como passa à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e às demais federações a mensagem de que a modalidade já é uma realidade no Brasil e merece ser tratada com o devido carinho e responsabilidade.
O Brasileirão feminino de 2025 começou sem divulgação, o Campeonato Gaúcho retirou a premiação em dinheiro aos times e diminuiu de nove para cinco a quantidade de clubes participantes e a Conmebol deu uma verdadeira aula do que não fazer na organização de um torneio como a Copa América.
Trajetórias como a de Amanda Gutierres servem para mostrar às entidades a importância de investimentos adequados e gestão profissional para vislumbrar um futuro de mais igualdade entre o futebol feminino e o masculino. A situação ganha contornos maiores ao levar em consideração que a próxima edição da Copa do Mundo feminina, em 2027, será em terras brasileiras.
O Brasil já evoluiu bastante na modalidade, porém, ainda há um longo caminho a percorrer. É bom ter Amandas, Dudinhas, Jhonsons e Angelinas, mas elas precisam de plataformas e organizações que facilitem a jornada.



