Eurocopa 2024

Os problemas que a França precisa resolver antes das oitavas de final da Eurocopa

Time treinado por Didier Deschamps terá a Bélgica pela frente na fase eliminatória da competição

Considerada uma das grandes favoritas a vencer a Eurocopa, a França não conseguiu mais do que um segundo lugar em sua chave. No Grupo D, o time comandado por Didier Deschamps ficou atrás da Áustria, que liderou o grupo com seis pontos.

Com uma vitória e dois empates, apenas dois gols marcados e um sofrido, a seleção francesa ficou muito aquém do esperado. 

A Bélgica será a adversária da seleção francesa nas oitavas de final, em um confronto que promete, e cobrará da equipe de Didier Deschamps um pouco mais de futebol em campo.

O confronto acontece na próxima segunda-feira (1), e até lá o técnico dos Les Bleus terá algum tempo para reparar alguns erros encontrados após a fase de grupos.

Indefinição do time titular

Três jogos, três formações diferentes. A França de Didier Deschamps nesta Euro mudou sua escalação do meio para frente em todos os jogos da primeira fase.

Apenas o setor defensivo, formado por Koundé, Upamecano, Saliba e Theo Hernández parece definido. A partir do meio campo, o treinador francês testou três sistemas de jogo diferentes. 

Na estreia contra a Áustria, Deschamps montou um 4-2-3-1 padrão, formação que teve Rabiot e Kanté a frente da zaga, e uma linha de três formada por Dembelé, Griezmann e Marcus Thuram.

Jogando mais solto na frente, Mbappé era a referência no ataque, mas tinha liberdade para sair da área e trocar de posição com o centroavante da Internazionale.

Contra a Holanda, Mbappé acabou fora do jogo por conta da lesão que sofreu no rariz durante a estreia contra a Áustria.

Sendo assim, Deschamps trocou o 4-2-3-1 para o 4-4-2 em linha, com Rabiot atuando pelo lado, juntamente a Tchouaméni e Kanté como volantes mais plantados, e Dembelé na direita.

No último jogo contra a Polônia, mais uma mudança. Com o retorno de Mbappé, o técnico francês montou a equipe em um 4-3-3, com Barcola entrando na equipe titular.

Curiosamente, foi neste último jogo da fase de grupos que o time francês criou a maior quantidade de chances. Foram 19 finalizações, com cinco grandes chances criadas.

No entanto, a falta de um sistema definido nestes primeiros três jogos pode ter sido um forte motivo para a equipe de Mbappé não ter demonstrado algo melhor nesta fase de grupos da Euro.

França
Deschamps não repetiu a mesma formação da França nos três primeiros jogos da Eurocopa. Foto: Icon Sport

Dependência de Mbappé

Dos dois gols marcados pela França nesta Eurocopa, um foi contra, marcado pelo zagueiro Wöber, da Áustria, no jogo de estreia, e outro foi anotado por Mbappé.

O futuro craque do Real Madrid marcou de pênalti diante da Polônia no empate por 1 a 1 no último jogo da fase de grupos.

Na seleção atual, Marcus Thuram, por exemplo, é um dos mais sacrificados, já que é o centroavante quem volta para marcar e fechar a segunda linha de defesa quando o time perde a bola.

Neste cenário, Mbappé fica menos desgastado para puxar contra-ataques, e consegue quebrar as linhas de defesa adversária com mais eficiência.

Vale ressaltar que a França não venceu nenhum dos últimos sete jogos que fez sem a presença de sua principal estrela. Neste período foram dois empates e sete derrotas.

França
França depende demais de sua principal estrela. Foto: Icon Sport

A posição ideal para Griezmann na França

Como a França possui um esquema de jogo pautado na velocidade de seus jogadores, é necessário que o meio-campo seja rápido e criativo para encontrar soluções e criar jogadas.

Se Mbappé é o grande expoente no último terço do campo, antes da bola chegar ao ataque, Griezmann tem uma função fundamental de criar a jogada de maneira limpa.

O camisa dez foi fundamental para a França na campanha da Copa do Mundo em 2022, e no título de 2018, atuando como armador.

Sem Griezmann, o time francês perde em qualidade criativa, e Mbappé tem dificuldades para conseguir receber algum passe para gol.

Ausente no jogo diante da Polônia, Deschamps justificou que o jogador precisaria descansar, e seu retorno ao time deve acontecer diante da Bélgica.

Griezmann rende muito mais atuando atrás dos atacantes, como um clássico meia armador. Quando foi colocado como um segundo homem de ataque, como no jogo diante da Holanda, acabou não rendendo bem.

Portanto, Deschamps tem alguns quebra-cabeças para resolver até o dia primeiro de julho. Com as peças que tem, e um tempo a mais para trabalhar, a expectativa é que vejamos uma França mais eficiente em campo.

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Lucas de Souza é jornalista formado pela Universidade São Judas em São Paulo. Possui especialização em Marketing Digital pela Digital House, e passagens pelos sites Futebol na Veia e Futebol Interior.
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