Champions League

Tuchel aprimorou o Chelsea para ir além do esperado com título da Champions

Contratado em janeiro, Tuchel chegou para dar um novo rumo ao Chelsea e foi além do esperado com a conquista do maior título europeu em apenas quatro meses de trabalho

Se alguém dissesse no início da temporada que Thomas Tuchel seria campeão da Champions League, ninguém estranharia. Ele estava no PSG, clube que tinha acabado de ser vice-campeão europeu perdendo uma final bem apertada contra o Bayern de Munique. Só que ele foi demitido em dezembro, com um desgaste que já era grande. Quando ele chega ao Chelsea, em janeiro, ninguém poderia esperar que a temporada acabasse com o troféu mais desejado da Europa. Neste sábado, na cidade do Porto, o seu Chelsea venceu o Manchester City e conquistou seu segundo título de Champions League na história.

Tuchel tornou o Chelsea um time mais competitivo. Melhorou os aspectos defensivos, que foram por vezes um problema com Frank Lampard. Com ele, o time se tornou mais seguro, mesmo atuando às vezes com os mesmos jogadores e com um sistema de jogo relativamente similar ao antigo. Claro, cada um com uma abordagem, mas o que mudou foram detalhes. Suficientes para melhorar o time de forma bastante consistente e visível.

Um dos pontos com uma imensa melhora foi a forma como o time se tornou capaz de defender a própria área. Entrar na área do Chelsea se tornou uma tarefa difícil e, mesmo dentro dela, finalizar nunca era tranquilo. Duas vezes isso ficou muito claro no primeiro tempo da final: em um lançamento de Éderson para Raheem Sterling, em contra-ataque, que o zagueiro Antonio Rüdiger chegou para bloquear. Depois, em uma finalização de Phil Foden, dentro da área, que novamente o zagueiro alemão apareceu para bloquear.

Defensivamente o Chelsea se tornou forte, mas ofensivamente tinha armas para agredir e machucar muito o adversário. Tanto é que no primeiro tempo quem teve as melhores chances foi o time de Tuchel. Timo Werner poderia ter se consagrado com dois gols no primeiro tempo, por exemplo. Sem falar em lances que não viraram finalizações, mas que mostraram um time preparado para retomar a bola e causar problemas na linha defensiva rival.

É preciso dizer que o time de Guardiola não defende mal. Ao contrário, é um dos times mais consistentes defensivamente nesta temporada. Uma melhora que passou pelo coletivo, mas teve uma grande contribuição de Rúben Dias, mais uma vez muito bem na sua atuação na partida contra o Chelsea. Mesmo assim, o time de Tuchel encontrou os espaços porque os criou, uma das tarefas mais difíceis no futebol.

Tuchel tinha batido na trave na temporada passada, mas conseguiu o título desta vez encontrando um adversário que se acostumou a incomodar. Desde que chegou, foram três jogos com o Manchester City e em todos o técnico alemão causou muitos problemas ao time de Guardiola. Eliminou os azuis celestes da Copa da Inglaterra e venceu de virada pela Premier League em um jogo quando os dois já eram finalistas da Champions. Desta vez, venceu de novo, mais uma vez por 1 a 0, e outra vez com uma ótima atuação. Não pode ser por acaso conseguir tantas vitórias contra o mesmo time em um período curto de tempo. Naquele momento, aliás, Tuchel chegou a dizer que a vitória contra o Manchester City os fazia acreditar ser possível ganhar a Champions League. Bingo.

O seu modo de trabalhar é muito elogiado por ser um cara que deixa o ambiente leve. Ele dá muitas dicas aos jogadores e, segundo pessoas que falaram com o site The Athletic de dentro do clube, “ele sabe como inspirar os jogadores”. Saber inspirar é importante, mas é preciso prepará-los bem. Foi isso que o técnico fez muito bem. Algo, aliás, que o seu adversário se acostumou a fazer muito bom. Não por acaso, os dois se tornaram próximos. A relação de admiração de Tuchel com Guardiola se tornou mútua quando se enfrentaram na Bundesliga. Dali, nasceria uma amizade que, mais tarde, se tornaria um duelo duríssimo para os dois lados.

Há nomes que Tuchel recuperou no Chelsea. Rüdiger estava na porta de saída do clube e só não foi vendido porque não chegaram propostas por ele em valor que agradasse ao Chelsea. Lampard queria vender o jogador. César Azpilicueta estava sendo sacado aos poucos do time com Lampard, embora ainda fosse um jogador importante. Esses dois ganharam uma nova vida com o técnico e se tornaram parte crucial do time.

O time melhorou e chegou mais longe até do que se esperava. Ele conseguiu um lugar na próxima Champions League, fazendo o time jogar melhor do que vinha jogando. Só que conseguiu um bônus. Um título da Copa da Inglaterra seria mais esperado, mas a derrota diante do Leicester feriu essas pretensões. Restava a Champions League contra o time que tinha nadado de braçada na Premier League para vencer o título na segunda metade da temporada. Diante dos favoritos, o Chelsea de Tuchel mais uma vez venceu o City de Guardiola.

Com moral pelo que fez e o título magnífico que conseguiu, Tuchel já deve renovar o seu contrato ainda na intertemporada. Ele ganhará força para moldar o time da maneira como pensa melhor, o que tende a tornar o trabalho ainda mais afinado. O problema é que o patamar estabelecido agora é o máximo. Ganhar a Champions League é o topo. Dá, porém, para ser mais competitivo na Premier League e brigar por mais títulos. Tuchel já disse que irá caçar o Manchester City pelo título inglês na próxima temporada. Será precisamente o desafio do técnico a partir de agora.


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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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