Premier League

Os finalistas da Champions não mostraram suas cartas, mas o Chelsea buscou uma virada fantástica e adiou o título do City

Num jogo repleto de reservas, mas com boas emoções, o Chelsea conquistou três pontos que valeram a terceira posição

Na semana em que Manchester City e Chelsea se definiram como finalistas da Champions League, quis o destino que a Premier League oferecesse uma prévia do duelo neste sábado. O jogo no Estádio Etihad não deu quase nenhuma pista do que se viverá em Istambul, já que os dois treinadores optaram por equipes praticamente reservas. Mas, se o City poderia ser campeão antecipado com uma vitória, o Chelsea barrou a comemoração dos adversários e buscou uma virada bem mais importante para sua vida no campeonato. Depois de eliminarem os Citizens nas semifinais da Copa da Inglaterra, desta vez os Blues construíram uma emocionante reviravolta, nos acréscimos do segundo tempo. Agüero recebe críticas, ao perder um pênalti bisonho de cavadinha, enquanto Marcos Alonso foi o herói no fim. Além do moral, ficam também três pontos que tranquilizam a vida dos londrinos no G-4.

Os dois treinadores entraram com formações que escondiam o jogo em relação à final da Champions. Pep Guardiola até testou um sistema com três atrás. Ederson e Rúben Dias eram os únicos que tinham encarado o Paris Saint-Germain desde o início no meio de semana. Rodri e João Cancelo também voltaram à equipe. No ataque apareciam Sergio Agüero e Gabriel Jesus. Não que Thomas Tuchel tenha usado seus principais nomes. A defesa até mantinha Édouard Mendy, Andreas Christensen, Antonio Rüdiger e César Azpilicueta. De resto, várias mudanças, repetindo somente Timo Werner e N’Golo Kanté em relação à classificação sobre o Real Madrid. Hakim Ziyech e Christian Pulisic eram as novas armas ofensivas. Considerando a força dos dois elencos, ainda assim, se viam duas equipes interessantes.

O Manchester City não pareceu se acertar com seu novo sistema de jogo durante as primeiras movimentações. O Chelsea manteve sua característica de pressionar alto sem a bola e causava incômodo. Ainda que os celestes tenham criado as primeiras chances, se viam travados pelos londrinos na hora de finalizar. Os Citizens até controlavam um pouco mais a bola, mas o duelo terminava muito disputado na intermediária. Faltava um pouco mais de capricho nas jogadas ofensivas, mesmo que o City insistisse um pouco mais. Não era um jogo bom, até pelo desacerto dos times.

O Chelsea teve um bom momento por volta dos 30 minutos, quando ficou mais tempo com a bola e acionou seus atacantes. Timo Werner chegou a balançar as redes, mas um impedimento anulou a jogada. A partida melhorou nos minutos anteriores do intervalo, com a resposta do City permitindo que o time crescesse. Édouard Mendy realizou uma defesa segura diante de Sterling, antes de Ziyech testar Ederson. Aos 44, então, Sterling anotou o primeiro gol. Num contra-ataque, Christensen errou o corte e ainda se machucou. Isso permitiu que Gabriel Jesus entrasse na área e rolasse para Agüero. O centroavante deixou escapar, mas Sterling apareceu para aproveitar o lance e mandar às redes.

Na sequência, o Chelsea precisou se virar com um homem a menos, enquanto Kurt Zouma não entrava. E foi assim que o City ganhou também um pênalti nos acréscimos. Billy Gilmour derrubou Gabriel Jesus e o árbitro apontou para a marca da cal. Agüero ganhou uma chance imensa de marcar o gol do título e se despedir com glórias nesta temporada. Quis inventar e falhou miseravelmente. O argentino bateu de cavadinha e, mesmo caído, Mendy conseguiu se levantar para segurar a bola. Pep Guardiola sequer olhava para o campo, claramente incomodado com a decisão do atacante.

O erro de Agüero permitiu que o Chelsea revivesse durante o segundo tempo. Os Blues tomaram a iniciativa e passavam a jogar mais no ataque, mas com paciência. Uma mostra disso aconteceu no gol de empate, aos 18 minutos. Pulisic deu um bom giro e tocou com Azpilicueta, que imediatamente conectou com Ziyech. O marroquino dominou e mandou o chute no cantinho de Ederson. A melhora dos londrinos era premiada. Ainda levaria mais um tempo para que o jogo realmente pegasse fogo, mas as substituições nos minutos finais ajudaram. Guardiola confiou em Phil Foden e Ilkay Gündogan, enquanto Tuchel apostou em Jorginho e Callum Hudson-Odoi.

Depois dos 30, a partida virou uma trocação. Werner e Jesus deram sustos, até que o Chelsea visse dois gols serem anulados a partir dos 34. Werner estava impedido no primeiro lance, enquanto Hudson-Odoi acabou flagrado no segundo. Apesar dos avisos, o City responderia com força. Rüdiger travou Sterling, antes que Foden chutasse uma bola venenosa que cruzou a pequena área. Até haveria a reclamação de um pênalti sobre Sterling que a arbitragem deixou passar. Mas, nos últimos instantes, o Chelsea acreditou mais. Acabou arrancando a emocionante vitória nos acréscimos.

Marcos Alonso teve um lance aos 44, em que poderia ter passado a Werner, mas tentou a finalização e mandou para fora. Já aos 47, veio a apoteose. Hudson-Odoi deu a enfiada e Werner teve o tempo de bola perfeito, mesmo cercado. O atacante avançou à linha de fundo e tocou para trás, onde Hudson-Odoi chegava rasgando. Marcos Alonso, entretanto, se antecipou e do mesmo jeito mandou para as redes. O apito final logo permitiu a alegria dos Blues. Thomas Tuchel entrou em campo muito vibrante na comemoração, cumprimentando cada jogador, em especial Hudson-Odoi.

O Manchester City fica com 80 pontos e sabe que o título ainda é questão de tempo. O Manchester United entra em campo contra o Aston Villa neste domingo e, se perder, o troféu será assegurado pelos Citizens. A preocupação maior é com a final da Champions. E se o tropeço deste sábado não significa quase nada em termos de estratégia, ele indica mais uma vez que o Chelsea (sobretudo com Tuchel) pode competir. Com as necessárias ressalvas, o treinador ganha outra vez do City e garante uma vitória bem mais importante para a  situação do seu time na Premier League. Os Blues ultrapassam o Leicester e assumem a terceira posição, com 64 pontos, abrindo uma vantagem provisória de seis pontos no G-4.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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