Copa da Inglaterra

Perfeito em sua estratégia, o Chelsea nega o sonho quádruplo do City e vai à final da FA Cup

Ziyech marcou o gol da vitória, numa atuação excelente dos Blues também pelo papel defensivo

Durante semanas, muito se falou sobre as chances do Manchester City conquistar uma “quádrupla coroa”. Não será possível, e muito por méritos do Chelsea. Neste sábado, os Blues fizeram uma partida irretocável e derrotaram os Citizens na semifinal da Copa da Inglaterra. O jogo em Wembley teve momentos de superioridade ofensiva dos londrinos e o ataque encaixou ótimos lances rápidos, com Hakim Ziyech garantindo o triunfo por 1 a 0, em combinação com Timo Werner e Mason Mount. Ainda assim, impressionou ainda mais o papel defensivo perfeito da equipe de Thomas Tuchel, travando o ataque celeste. N’Golo Kanté, mais uma vez, jogou demais. E se o final de temporada aponta aos sucessos copeiros do Chelsea, o City precisará se refazer rapidamente de uma atuação insuficiente, na qual ainda perdeu De Bruyne por lesão.

O Manchester City entrou em campo com muitas mudanças em relação à classificação na Champions League. Apenas Rúben Dias, Rodri e Kevin de Bruyne permaneciam na equipe titular. Entre as novidades, Fernandinho usava a braçadeira. Já no setor ofensivo apareciam Ferrán Torres, Gabriel Jesus e Raheem Sterling. O Chelsea, em contrapartida, preservou a base que se classificou diante do Porto. Somente três novidades surgiram: Kepa Arrizabalaga, Hakim Ziyech e Timo Werner. Parecia uma equipe bem mais azeitada para o tamanho da ocasião em Wembley, o que acabou se provando.

O Chelsea começou marcando forte e já teria um gol anulado aos seis minutos, num impedimento de Ziyech. A velocidade do ataque dos Blues era um diferencial, com Werner bastante solto. O City não veria a mesma fluidez, embora tenha testado Kepa pela primeira vez aos dez, sem que Gabriel Jesus desse tanto trabalho ao goleiro. Os celestes tinham dificuldades para romper a linha de cinco na defesa londrina e ainda erravam decisões na construção das jogadas. Ainda houve um pisão de Fernandinho na altura do rosto de Mount, que o jovem reclamou, mas a arbitragem avaliou como normal.

O Chelsea parecia encaixar melhor seu jogo, com um trabalho seguro dos volantes. Os Blues até mantinham mais a posse de bola, algo atípico contra um time de Pep Guardiola. Além disso, as subidas dos alas eram importantes, com Ben Chilwell e Reece James criando oportunidades na sequência do primeiro tempo. Do outro lado, as escolhas ofensivas do City não funcionavam, por mais que De Bruyne ditasse o ritmo da equipe. Até houve uma melhora nos minutos anteriores ao intervalo, com Fernandinho assustando, mas longe de ser a atuação mais impressionante dos celestes.

Se a partida não era fácil ao City, ficou pior logo no início do segundo tempo. De Bruyne se lesionou e deu lugar a Phil Foden. E se os celestes perdiam sua referência, o Chelsea passou a aproveitar ainda melhor suas armas ofensivas, explorando especialmente o lado direito da zaga. Aos dez, um contra-ataque perfeito rendeu o gol da vitória. Werner foi lançado em velocidade por Chilwell e disparou. O atacante invadiu a área e, diante da indecisão do goleiro Zack Steffen, rolou para Ziyech concluir. Pela forma como os Blues jogavam, ficava claro que não seria simples tirar aquela vantagem do marcador.

O segundo gol quase veio na sequência, agora em lançamento de Chilwell para Ziyech, mas Steffen conseguiu se antecipar e evitar o pior. A velocidade do Chelsea era um tormento. Já aos 20, Guardiola colocou Ilkay Gündogan no lugar de Ferran Torres. Não deu tanto resultado, apesar da pressão crescente do Manchester City. Os Blues marcavam bem na cabeça de área, enquanto a linha de zaga não concedia espaços, liderada por Thiago Silva. As finalizações dos celestes mal vinham, no máximo com Rúben Dias mandando uma cabeçada para fora aos 24.

A partida se concentrava no campo ofensivo do Manchester City e, por isso, a entrada de Christian Pulisic no lugar de Mount para explorar os contra-ataques era compreensível. Os maiores méritos do Chelsea, ainda assim, estavam na forma como o time anulava o abafa do outro lado. E a impressão é de que dava para fazer mais, numa arrancada livre de Werner aos 32, por mais que a definição não tenha sido boa. Logo depois o alemão sairia, ao lado de Ziyech, para as entradas de Kai Havertz e Emerson.

Durante os minutos finais, o City parecia bater contra a parede. Tentava muito, mas sempre aparecia um jogador do Chelsea para travar qualquer finalização. Kanté, em especial, impressionava pela vitalidade para fechar os espaços e atrapalhar as construções dos adversários. Também houve a reclamação de um pênalti dos mancunianos, por um toque de César Azpilicueta, corretamente negada pela arbitragem. Aos 42, Thiago Silva sentiu dores e precisou sair de campo, mas isso não foi um problema tão grande. O Chelsea até viu um gol ser anulado por impedimento nos acréscimos, anotado por Pulisic. Os Citizens se limitavam ao chuveirinho. No último suspiro, Rodri mandou sem tanta força e Kepa defendeu no canto. Os méritos dos londrinos na vitória eram claros: foram mais eficazes na estratégia e marcaram muito bem.

O Chelsea aguarda seu adversário na decisão da Copa da Inglaterra, com a outra semifinal realizada neste domingo, entre Leicester e Southampton. Além disso, mesmo sem jogar pela Premier League, os Blues puderam comemorar o tropeço do West Ham – que abre as chances no G-4. Já o Manchester City voltará a Wembley na semana que vem, para fazer a final da Copa da Liga contra o Tottenham. O momento ainda é positivo, mas alguns sinais de desgaste vistos neste sábado deixam certo incômodo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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