Europa

Ceferin desiste e Uefa terá novo presidente em 2027

Desde 2016 no cargo, Aleksander Ceferin não seguirá no comando da entidade, mesmo com 'vitória' política

A luta pelo poder na entidade máxima do futebol europeu estará aberta em 2027. O atual presidente da Uefa, o esloveno Aleksander Ceferin, afirmou que não buscará a reeleição no próximo pleito, encerrando 11 anos no poder, iniciado em 2016. O anúncio aconteceu no congresso anual da organização, na última quinta-feria (8), e o mandatário alegou que eles precisam de “sangue novo”, além de poder ficar mais próximo da família.

– Decidi há cerca de seis meses que não queria me candidatar em 2027. O motivo é que, depois de um certo tempo, cada organização precisa de sangue novo, mas principalmente porque fiquei longe da minha família durante sete anos e ficarei longe deles por mais três – justificou Ceferin, emendando:

– Estou feliz e orgulhoso de ter capitaneado um navio que navegou muito bem em tempos de tempestade e continuarei fazendo isso nesses três anos [de mandato] que restam. Satisfeito de ver que a comunidade do futebol está unida como nunca antes – finalizou.

Desde 2017, já sob comando de Ceferin, a Uefa não permite que um presidente tenha mais do que três mandatos consecutivos, uma medida que seguiu a onda do que acontecia na Fifa e no Comitê Olímpico Internacional (COI), naquele momento envoltos de problemas relacionados a corrupção. E como o esloveno iria se reeleger para um mandato se a Uefa proibia? Bom, uma votação no mesmo dia do congresso manteve a medida, mas incluiu um ponto que, em casos de mandatos “que começaram antes de julho de 2017”, poderia haver reeleição, abrindo a porta para Aleksander permanecer no poder.

Mesmo desistindo ontem, o presidente da Uefa tinha levantado a possibilidade de continuar no poder e realizar a votação de mudança na reeleição em dezembro do ano passado, durante a reunião do comitê executivo da organização, em Hamburgo, na Alemanha. Por conta desse desejo do esloveno, Zvonimir Boban, ex-jogador do Milan e da Seleção Croata, renunciou ao cargo de chefe de futebol da UEFA como forma de protesto contra o que considerou uma tentativa do presidente de se manter no poder. Publicamente, até o congresso, Ceferin não assumia que tentaria se reeleger.

– Apesar de ter expressado a minha mais profunda preocupação e total desaprovação, o presidente da UEFA não considera que haja quaisquer questões legais com as alterações propostas [de reeleição], muito menos quaisquer questões morais ou éticas, e ele pretende seguir em frente independentemente de suas aspirações pessoais. – disse Boban, em janeiro desse ano.

Inclusive, Ceferin aproveitou o anúncio que não concorrerá a próxima eleição da Uefa para atacar Boban.

– Ele foi uma das raras pessoas que sabia que eu não planejava concorrer em 2027. No momento em que ele recebeu a informação de que eu não planejava fugir, ele saiu com sua carta narcisista. Ele mal podia esperar porque depois da minha revelação suas lamentações não fariam mais sentido – disparou.

O esloveno é o presidente da Uefa desde 2016, quando bateu Michael van Praag, então mandatário da Federação Holandesa, substituindo Michel Platini, que seria detido em 2019 por suspeita de corrupção na escolha da Copa do Mundo de 2022 e liberado após 15 horas de interrogatório. Nas reeleições de 2019 e 2023, Aleksander não teve concorrentes para vencer o pleito.

Dá para dizer que Ceferin superou uma das grandes crises da Uefa nos últimos anos. Em 2021, os maiores clubes da Europa, com exceção dos alemães e do Paris Saint-Germain, se reuniram para realização de uma Superliga, substituindo a Champions League e com muito pouco mérito esportivo. Com o apoio dos torcedores, a ideia foi deixada de lá por quase todos os times (Real Madrid e Barcelona seguem no barco e há novos planos) e a entidade máxima do futebol europeu fortaleceu sua principal competição, que terá novo formato (e mais dinheiro) na próxima temporada.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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