Champions League

Superliga europeia vence Uefa e Fifa na Justiça e agora tem direito de existir – não que isso vá acontecer

TJUE comunicou decisão nesta semana, e campeonatos europeus já se opuseram ao desfecho da ação

O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) emitiu uma decisão que funciona como aval necessário para a criação da Superliga – o torneio lançado em 2021 que reunia 12 clubes da Europa, e que depois de muitas questões políticas, não foi para frente.

A ação considera que as atitudes da Fifa e da Uefa, em ameaçar punir os clubes que decidirem participar do torneio, em uma espécie de retaliação prévia, são contrárias à legislação europeia. O órgão judiciário do continente também apontou que ambas as entidades abusam de sua “posição de poder” para se opor à criação do campeonato independente.

– O Tribunal observa que a organização de competições interclubes de futebol e a exploração dos meios de comunicação social são, evidentemente, atividades econômicas. Devem, portanto, respeitar as regras da concorrência e respeitar as liberdades de circulação, embora a prática econômica do desporto tenha certas especificidades características, como a existência de associações com determinados poderes de regulação e controlo e o poder de impor sanções – diz um trecho da decisão publicada pelo TJUE. 

Bernd Reichart, CEO da A22 Sports Management, empresa responsável pela criação e organização da Superliga, comemorou a decisão, no mesmo dia em que anunciou atualizações em seu formato, como a gratuidade para as transmissões. 

– Conquistamos o direito de competir. O monopólio da Uefa acabou. O futebol é gratuito. Os clubes estão agora livres da ameaça de sanções e livres para determinar o seu próprio futuro. Propomos que todos os jogos da Superliga possam ser assistidos de forma gratuita.

Decisão do TJUE causa revolta aos organizadores das ligas

Por outro lado, houve quem não gostou nada da decisão. Foram os casos de Premier League e La Liga. Em seus perfis oficiais, as organizações dos campeonatos da Inglaterra e Espanha publicaram seus posicionamentos contrários à Superliga.

– A Superliga é um modelo egoísta e elitista. Qualquer formato que não seja totalmente aberto, com acesso direto, ano após ano, via ligas nacionais, é um modelo fechado – escreveu a La Liga.

A decisão não endossa a chamada “Superliga Europeia” e a Premier League continua a rejeitar qualquer conceito deste tipo. Os torcedores são de vital importância para o futebol e têm repetidamente deixado clara a sua oposição a uma competição “separatista” que rompe a ligação entre o futebol nacional e o europeu – afirmou o Campeonato Inglês em seu comunicado.

A22 apresenta mudanças no formato da competição

O modelo apresentado pela A22 para a Superliga Europeia, em 2021, foi revisitado a fim de tornar o campeonato mais inclusivo. Nesta quinta-feira (21), a empresa apresentou as novidades, incluindo uma plataforma de streaming que permite aos torcedores acompanharem todos os jogos de forma gratuita.

A nova competição masculina tem uma estrutura de 64 clubes divididos em três divisões – Star League e Gold League, com 16 clubes cada, e a Liga Azul, com 32. As divisões funcionam no tradicional esquema de rebaixamento e ascenso, mas dependem do desempenho nas ligas locais.

Já a Superliga feminina teria duas divisões, a Star League e a Gold League, cada uma com 16 equipes participantes. 

Superliga Europeia nem foi criada e já é polêmica

A polêmica em torno da criação da Superliga Europeia começou em abril de 2021, quando 12 grandes clubes europeus anunciaram uma aliança para competir de forma privada, em um evento de grande arrecadação econômica. Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Tottenham, Atlético de Madrid, Barcelona, Real Madrid, Milan, Inter de Milão e Juventus estavam envolvidos no projeto.

Nesse meio tempo, a Uefa havia apresentado a reformulação na Champions League. As mudanças realizadas pela instituição tornavam a Champions mais competitiva e abrangente, algo que a Superliga desconsiderava à época. A concorrente direta da competição continental, caso fosse criada, seria mais “exclusiva”. 

No entanto, após as ameaças feitas por Fifa e Uefa, uma a uma, as equipes envolvidas no projeto foram desistindo da ideia, com medo das sanções que poderiam receber, e a Superliga Europeia voltou à estaca zero. 

Sem aceitar a derrota no primeiro momento, a A22 foi atrás dos seus “direitos” e entrou com uma ação, implicando Fifa e Uefa no Tribunal Comercial de Madrid (Espanha). O processo escalou para o CURIA, que deu o “sinal verde” após a decisão emitida nesta semana.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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