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Ceferin: “Conheci menos delinquentes em 25 anos de direito penal do que em dois de futebol”

O presidente da Uefa voltou a falar sobre a Superliga Europeia e disse que é preciso manter o futebol "afastado dos tubarões"

O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, ainda não deixou para trás o rancor pela criação da Superliga Europeia e, em entrevista ao podcast de Gary Neville, seguiu adotando um tom combativo ao que chamou de “tubarões” que querem se apropriar do futebol. Ele também foi excepcionalmente vago ao ser questionado sobre a possibilidade de novas regulamentações para a multipropriedade de clubes – a nova moda do futebol europeu.

Como a Superliga Europeia na prática substituiria a Champions League, e foi liderada por amigos pessoais de Ceferin, como o ex-presidente da Juventus, Andrea Agnelli, o esloveno levou as intenções do movimento bem para o pessoal. Criticou os dirigentes que tentaram executá-lo diversas vezes, então, embora não dê para ter certeza que o comentário a seguir se refere a eles, pelo menos exclusivamente, a alusão foi bem clara.

“Conheci menos delinquentes em 25 anos de direito penal do que em dois anos de futebol”, afirmou o advogado que era presidente da Federação Eslovena de Futebol e se tornou o chefe da Uefa em 2016. “Temos que manter o futebol afastado dos tubarões”.

Ceferin contou mais bastidores sobre o projeto que naufragou em 48 horas diante da repercussão negativa. Não espanta que o Chelsea tenha sido o primeiro a informar repórteres que estava pulando fora e que o Manchester City tenha sido o primeiro a oficializar a mesma coisa porque ambos foram os últimos ingleses a aderirem à ruptura.

“Até onde eu sei, infelizmente, os donos do seu clube (Manchester United) estavam muito envolvidos, e o Liverpool também. Eu acho que esses foram os dois ingleses mais envolvidos. Os últimos foram Chelsea e Manchester City. Não tenho certeza sobre Tottenham e Arsenal. Quando cheguei à Suíça, recebi uma ligação de um dos clubes ingleses dizendo que eles teriam que aderir ao projeto. Eles não gostavam, mas não queriam ser deixados de fora. Dois clubes da Inglaterra estavam hesitando muito, disseram que queriam continuar nosso amigos, que seriam nossos amigos no lado de dentro. Tanto Chelsea quanto Manchester City hesitaram desde o começo, e foi um desses times que me ligou”, disse.

“Eu tive uma ligação com um dos clubes ingleses, não direi qual, em que eu perdi a cabeça um pouco e disse ‘vai para o inferno. A partir de amanhã, vocês são meus inimigos. Não quero mais falar com vocês’. Foi difícil”, afirmou. “Eles não estão atacando a Uefa. Eles estão atacando a pirâmide do futebol. Estão atacando tudo que esteve aqui há centenas de anos. Eu acho que é muito importante que quem ama futebol se una, fale bastante, que tenhamos líderes no futebol em todo lugar, pessoas que amam o futebol”.

Real Madrid e Barcelona ainda tentam manter vivo o pesadelo da Superliga Europeia. No entanto, o novo órgão regulador criado pelo governo britânico pode impedir que os seus clubes se juntem a uma nova competição e, sem eles, qualquer projeto morre no nascimento. Ceferin disse que não “há maneira” de existir uma Superliga sem os membros da Premier League e ainda acrescentou que não está preocupado com o domínio financeiro da liga inglesa. “Acredito que a Premier League está fazendo um bom trabalho e as outras ligas têm que fazer um melhor”, afirmou.

Ceferin não entrou em muito detalhes sobre o número cada vez maior de investidores que controlam mais de um clube que pode disputar a mesma competição – o que é contra as regras da Uefa -, mas pareceu simpático à ideia. “É uma questão interessante. Eu acho que temos que pensar sobre isso para o futuro e ver o que fazer. Há mais e mais interesse em multipropriedade e não deveríamos simplesmente dizer não aos investimentos e à multipropriedade. Mas temos que ver qual tipo de regras estabelecemos nesse caso porque as regras têm que ser rígidas. Acho que tem que ser rápido porque, sabe, tudo tem que acontecer rapidamente no futebol”, encerrou.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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