Espanha

Stoichkov critica Laporta por saída de Messi: “A mentira se tornou muito grande”

A saída de Messi deixou Stoichkov decepcionado e ele culpa também o presidente Laporta por não ter conseguido fazer as coisas funcionarem, como prometeu na eleição

A saída de Lionel Messi ainda repercute de forma intensa, inclusive entre ex-jogadores. O búlgado Hristo Stoichkov, ídolo do clube nos anos 1990, criticou o presidente Joan Laporta pelo que chamou de mentiras. Uma das suas promessas eleitorais era a renovação com o argentino por sua boa relação com ele. Por mais que a saída do craque seja um reflexo direto do caos que se instaurou nas finanças do Barcelona, Laporta não foi capaz de contornar um problema que parecia iminente.

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Hristo Stoichkov é um dos jogadores que marcaram época nos anos 1990 e deixou uma bela história no Barcelona. O búlgaro defendeu os blaugranas de 1990 a 1998, com uma temporada fora, em 1995/96, no Parma. Fez parte do chamado Dream Team do Barcelona que conquistou a Champions League em 1991/92.

O PSG anunciou Messi na última terça-feira e vestirá a camisa 30. A imagem causou muita estranheza, porque Messi se tornou quase um sinônimo de Barcelona desde que surgiu para o futebol, lá em 2004. Sua imagem de despedida do clube, às lágrimas no último domingo, foi marcante. Dois dias depois, ele estava em Paris. Na sua apresentação, falou sobre a ida para o clube parisiense, ainda causando estranhamento, mas também com uma empolgação enorme dos torcedores do clube francês, não por acaso.

O Barcelona se tornou o clube da vida de Stoichkov, por vezes atuando como embaixador da equipe catalã. “Me tocou o coração quando Leo presenteou meus filhos com camisas, quando nasceu a minha neta, ele também a presenteou. Tenho coisas dele na minha casa, no meu museu. Vê-lo agora com esta imagem, com outra camisa, é diferente”, contou o ex-atacante à TUDN, canal em espanhol nos Estados Unidos e onde trabalha como comentarista.

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O búlgaro, então, criticou o presidente Joan Laporta. “Eu acho muito estranho que pessoas que prometeram, pessoas que tocaram nossos corações… ‘Vou tornar isso possível’, ‘Eu quero’, ‘Eu isso’, mas no final, a mentira se tornou muito grande”, declarou o jogador.

“Essa imagem é muito estranha. É difícil, mas assim é a vida. Aonde quer que ele vá, sempre o respeitarei por tudo que ele fez pelo Barcelona, tudo que fez pelo povo, pelas crianças… Tivemos grande sorte de ter ele por aqui. É difícil”, continuou Stoichkov.

Um dos astros da Copa do Mundo de 1994, Stoichkov contou sobre como conheceu Messi. “Eu o conheci quando tinha 12, 13 anos, ia durante a tarde ver como treinava. Era um menino como é até hoje. Humilde, tranquilo, sempre respeitado. Me emocionou viver coisas importantes com ele, tantas premiações. Compartilhamos muitas vezes juntos e estas são imagens que ficarão gravadas por toda a minha vida”.

Sem Messi, o Barcelona precisará começar uma nova era. O rompimento promete ser muito mais duro ao clube que ao jogador. A saída de Messi representa, de certa forma, um sinal dos tempos atuais do futebol. O PSG diz que está em dia com o Fair Play Financeiro, embora o histórico mostre que isso não aconteceu muitas vezes. O que se sabe é que tanto Messi quanto Barcelona precisam seguir suas vidas. O jogador terá um esquadrão ao seu lado para tentar voltar ao topo da Europa. O Barcelona precisa se reconstruir para seguir em frente e buscar uma nova identidade, com novas referências e um time que não orbite em torno do craque.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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