Espanha

Não aprendi dizer adeus: Messi se despede em lágrimas do Barcelona

Messi diz que queria ficar, acertou contrato, e a notícia que não seria possível o deixou em choque. "O PSG é uma possibilidade"

Uma cena impensável. A despedida de Lionel Messi do Barcelona. Não que isso não fosse acontecer um dia, mas se imaginava que seria daqui dois ou três anos, quando o jogador estivesse no fim da sua carreira e estivesse mais perto de pendurar as chuteiras. Não será assim. Neste domingo, com um terno azul-marinho, Messi entrou no Auditório 1899. Tirou a máscara, subiu ao palco e parou. Com um olhar já marejado, não resistiu. Antes de qualquer palavra, chorou. Era o fim da era Messi no Barcelona e isso doía nele tanto quanto aos milhares de torcedores do lado de fora do clube, chorando pelo seu maior ídolo.

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Os jogadores do Barcelona estavam na sala. Gerard Piqué entre eles, mas os demais também. Até ex-jogadores lendários do clube estavam presentes, como Carles Puyol e Xavi Hernández, que compartilharam grandes momentos com Messi. O técnico Ronald Koeman também estava lá, assim como o presidente do Barcelona, Joan Laporta.

“Não sei se vou conseguir falar. Nos últimos dias, pensei que poderia dizer algo. A verdade é que não me saía nada, estava bloqueado. Ainda estou. É muito difícil depois de tantos anos, de fazer toda minha vida aqui, não estava preparado. No ano passado, quando a bagunça do burofax estourou, eu estava convencido [a sair], mas este ano não. Estava convencido que iríamos continuar na nossa casa, era o que mais queríamos”, começou dizendo Messi.

“Colocamos o nosso bem-estar acima de tudo. Estar na nossa casa e seguir desfrutando da nossa vida em Barcelona tanto no esportivo quando no cotidiano, que é maravilhosa. Hoje me dói me despedir disso. Foram muitos anos. Cheguei muito pequeno. Depois de 21 anos, eu vou com a minha esposa, com três catalães argentinos… Não posso estar mais orgulhoso de tudo que fiz e vivi nesta cidade. Depois de estar anos fora, vamos voltar. Foi assim que eu prometi aos meus filhos. Me resta agradecer a todos com quem convivi. Cresci com os valores deste clube e sempre tentarei me comportar com humildade”.

“Passei por muitas coisas bonitas. Ruins também. Mas todo me fez crescer e ser quem sou hoje. Dei tudo sempre por este clube, por esta camiseta desde que cheguei aqui até o último dia. Saio mais do que satisfeito. Agradeço o carinho das pessoas de sempre. Gostaria de me despedir de outra forma”.

“Nunca imaginei porque não pensava em me despedir. Gostaria que fosse com as pessoas, em campo, poder escutar uma última ovação, um último carinho… Senti muita falta deles quando não pudemos jogar com público. Senti falta de festejar um gol com eles, que cantavam meu nome. Deixo este clube sem vê-los há mais de um ano e meio. Gostaria de estar mais próximo aos torcedores e me despedir bem. Se deu assim”.

“Quero agradecer outra vez todo o carinho em todos esses anos. O carinho das pessoas sempre foi o mesmo e senti seu amor como também sentia. Espero que possa voltar a ser parte desde clube, seja como for. Que possa contribuir para dar o melhor e siga sendo o melhor clube do mundo. Certamente me esqueci de muitas coisas… É o que eu posso dizer. Não estou em condições que as palavras saiam. Obrigado a todo mundo”.

Assim terminou o discurso de despedida de Messi. Emocionado, tocado. O auditório todo se levantou em aplausos. Messi voltou a chorar. Seus companheiros de clube, de pé, aplaudiam e choravam junto. Estavam perdendo mais do que o grande craque do time, o seu capitão. Estavam perdendo uma figura lendária e, acima de tudo, amigo de muitos ali. Estavam perdendo um dos maiores da história. Se não foi possível uma ovação no Camp Nou, os companheiros de Barcelona o fizeram cantando seu nome na sala. Messi tentou se recompor. Ainda precisaria responder perguntas dos jornalistas.

Messi deixa um legado imenso no Barcelona. Deixa o clube como o maior jogador da história dos catalães. Um dos maiores da história do futebol. Messi é eterno no coração de cada torcedor do Barcelona. É eterno com a camisa do Barcelona também no coração dos milhões de apaixonados pelo futebol, que não tem qualquer ligação com o Barcelona ou com a Catalunha, mas que se acostumaram a parar para ver aquele que é um dos mais marcantes jogadores da história desse esporte. Só resta agradecer. E chorar.

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Um momento marcante

“São muitos anos, muitas coisas vividas. É difícil, mas talvez o momento que eu estreei. Foi o começo de tudo. Foi fazer meu sonho realidade. Tudo que veio depois foi maravilhosa. Fico com a estreia, quando começou tudo”.

O contrato estava acertado

“Por causa do problema de La Liga, isso não pôde acontecer. Estava tudo acertado e não pôde acontecer”.

O Barcelona fez tudo por você?

“Não sei. Laporta disse que era por causa de La Liga. Eu sim, fiz todo o possível. Escutei muitas coisas que se disseram sobre mim, mas da minha parte, fiz tudo que era possível para ficar. No ano passado não queria e também disse. Este ano eu queria e não foi possível”.

O mais triste deste final

“Passam muitas coisas pela cabeça. Estou bloqueado e não caio na realidade de deixar este clube, de mudar completamente a minha vida. Faz 16 que estou no time principal e, para mim, era sempre o mesmo. Agora é começar do zero, mudar. Sei que é uma mudança dura para minha família, sei o que sentem nesta cidade. Sei que vamos nos adaptar e vamos estar bem. É uma mudança difícil, mas temos que aceitar, assimilar e começar de novo”.

Onde vai jogar na próxima temporada?

“O PSG é uma possibilidade. No dia de hoje, não tenho nada acertado com ninguém. Quando saiu o comunicado, recebi muitas ligações. Vários clubes se interessaram. Mas não havia nada fechado, mas sim, estamos conversando”.

Valores do clube

“Gosto de ser reconhecido pelos valores do clube e isso à parte do jogo. Estou muito agradecido pela carreira que tive no Barcelona, os títulos ganharam, as derrotas… Me fizeram aprender e crescer. Tivemos mais alegrias que derrotas. Há imagens muito lindas. Compartilhando as alegrias dos títulos. Tenho muitas imagens para recordar e muito boas”.

Momento mais difícil da carreira

“É este. Tive momentos duros, difíceis, derrotas… Mas no outro dia, voltava a treinar, tinha outra chance. Isto não volta, é o final. Agora começa outra história. É um momento muito difícil”.

Sentimentos

“Tenho muita tristeza por sair do clube que amo em um momento que não esperava. Nunca menti, fui de frente e com a verdade. No ano passado queria sair, este ano não. Por isso, a tristeza”.

Barcelona sem Messi

“Vão seguir chegando mais jogadores. Os jogadores passam. Como disse Laporta, o clube sempre é mais importante que qualquer um. No começo será estranho, mas as pessoas terminarão se acostumando. Vieram muitos bons jogadores, há um grande elenco e tudo se acomoda”.

Conversa com Laporta

“Após as eleições, jantei com Laporta. Falamos e depois disso estava convencido a seguir, que não teríamos problemas. O contrato nunca foi um problema. Depois, aconteceu o que aconteceu. Não tive dúvidas. Sabíamos o que tínhamos decidido e o que tínhamos pensado em fazer”.

Homenagem no Camp Nou

“Eu gostaria que fosse agora, mas obviamente, para essas pessoas eu estou disposto a qualquer coisa. Claro que sim”.

Falsas esperanças sobre ele continuar

“Não, falsas esperanças não. Estávamos convencidos que eu ficaria. Tão claro que tínhamos tudo acertado e sem problemas. Acredito que fui sincero com a torcida. Como disse antes, não aconteceu pelo que já comentou. Da minha parte, nunca enganei as pessoas”.

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O que diria a Tebas

“Não sei. Não sei bem a estrutura de tudo isso. Não pôde acontecer por causa de La Liga, a dívida do clube, o clube não queria se endividar mais. Não tenho nada a dizer a Tebas. O vi uma ou duas vezes e tive um trato cordial. Não tenho nenhum problema com Tebas”.

Como recebeu a notícia

“Foi um balde de água fria. Estamos assimilando como podemos. Quando eu sair, as fichas vão cair mais. Vai ser ainda pior. Vou estar cercado dos meus entes queridos e minha família. Vou continuar jogando e, quando começar, isso vai passar um pouco”.

Jogar em um rival do Barcelona

“Sou um ganhador. Quero seguir competindo. Se tivesse ficado, teria lutado por tudo. No meu último ano, quero seguir lutando. Quero dar os parabéns a Daniel Alves, estou perto em títulos e vou lutar para ultrapassá-lo. As pessoas me conhecem para me questionar. Eu queria ficar. Agora a minha ideia é seguir competindo e ganhando”.

A foto em Ibiza

“A foto é uma bobagem. Nos juntamos em Ibiza com Di Maria e Paredes. Neymar me chamou e juntamos todos. Também estava Verratti. Me diziam, brincando, que fosse para Paris. Foi uma coincidência e então veio o que aconteceu e esta foto ganha mais importância. Uma coisa de amigos nas férias. Nada mais”.

Quantos anos restam a Messi?

“Depende de como me responda o físico. Tenho muitos companheiros que me contam que é difícil o dia a dia. Estamos acostumados a uma rotina e logo, é duro. Até que possa eu vou seguir competindo”.

Anúncio do fim da negociação tão longe do fim da janela

“O presidente explicou. O clube tem uma dívida grande, não quer se endividar mais. Não poderia fazer e La Liga não permitia. Para que estender mais se é impossível? Tenho que pensar na minha carreira e o que acontece a partir de agora”.

Fazer uma loucura para ficar

“Eu disse antes. Fiz tudo que era possível e não pôde acontecer. Não tenho mais nada a dizer. Não posso dizer mais nada. Fizemos tudo que pudemos”.

Faltou uma Champions?

“Me resta um espinho de não ter ganhado outra Champions. Estivemos perto com a semifinal de Liverpool e iríamos a outra final. A do Chelsea com Pep… Tivemos uma geração que poderíamos ter conseguido alguma outra Champions. Me emocionou ganhar outras coisas. Não me arrependo. É verdade que ficou essa espinha por uma mais. É um dos meus objetivos, voltar a ganhar a Champions e mais títulos. Com todos os possíveis e tentar chegar até Dani, que onde vai, ganha e ganha. Vou tentar me aproximar”.

A redução do salário

“Eu baixei 50%, fechamos o contrato e não se pediu mais nada. O resto é mentira. Fizemos tudo o que foi possível e não pôde acontecer. Há muitas coisas que se dizem que Não são verdadeiras”.

Aplausos no final

Depois de uma coletiva de imprensa de 40 minutos, o auditório se colocou de pé para aplaudir, uma última vez, a Messi.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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