La Liga

Declarações de Laporta reforçam que situação de Messi no Barcelona é uma disputa com La Liga

Presidente do Barcelona reclama da falta de flexibilidade de La Liga e que isso resulta na saída do jogador do clube, mesmo com um acordo acertado

A culpa é de La Liga. Foi isso que Joan Laporta disse, em outras palavras, na coletiva de imprensa convocada para esta sexta-feira para explicar a saída de Lionel Messi do clube – ao menos é o que alega o Barcelona. O dirigente diz que os limites salariais que a liga colocou e entrou em vigor nesta temporada tornaram a permanência de Messi impossível, mesmo tendo um acordo já acertado com o argentino. Além de La Liga, Laporta foi muito duro com a diretoria anterior, que deixou uma situação descrita pelo dirigente como “nefasta”.

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“A razão que nos fez decidir chegar a este ponto é a situação econômica do clube, porque fazer um investimento do volume que representa Messi comporta riscos. Não queremos colocar mais risco na instituição. O Barça está acima do melhor jogador do mundo. Não vou hipotecar o clube”, afirmou Laporta.

“O jogador sempre se dispôs a tornar as coisas fáceis. Leo queria ficar, mas não foi possível. Ele não está feliz”, continuou o dirigente, que disse que o clube superaria a saída do seu maior craque da história. “Temos 122 anos de história e faremos todo o possível para que o pós-Messi também seja de sucesso”.

Uma das possíveis soluções para a permanência de Messi seria aceitar o acordo de La Liga com a CVC, que permitiria ao Barcelona tem recursos para renovar com o argentino. Essa possibilidade foi rechaçada por Laporta, que aproveitou para criticar mais um pouco o projeto. “Não estou disposto a hipotecar os direitos do Barcelona durante meio século”, afirmou.

“Desgraçadamente, recebemos uma herança nefasta, que fez a folha salarial esportiva ser de 110% em relação às receitas totais do clube e não temos margem. Não temos margem salarial. Sem o contrato de Messi, já excedemos a folha salarial”.

“Fizemos todo o possível para renovar e chegamos a um acordo, mas não pudemos assiná-lo pela nefasta situação econômica do clube, que não nos permite ter uma margem salarial”, afirmou, mais uma vez, o presidente do Barcelona.

“Os resultados da auditoria sobre as nossas finanças são muito piores do que esperávamos, baseado em números oficiais. Isso significa perdas muito maiores do que as esperadas e uma dívida muito maior também, o que significa que os atuais contratos não têm margem”, continuou. “Diante de tudo isso, tinha que tomar uma decisão e tomei. Nos deixaram uma herança que ultrapassa o limite salarial permitido. É tão simples quanto doloroso. E cumprir o Fair Play Financeiro cedendo os direitos televisivos por 50 anos não faremos”.

“O acordo com Leo Messi tinha certos riscos e estávamos dispostos a assumi-los, mas quando nós vimos a situação do clube por essa auditoria, nós não tivemos margem após a desastrosa diretoria anterior”, explicou ainda o dirigente.

“Não quero gerar falsas esperanças. É verdade que o jogador tem outras propostas, ouvimos isso durante as negociações. Há também o prazo para nós, La Liga começará em breve. O Fair Play Financeiro também está claro e o jogador não pode ficar no limbo”, continuou. “A negociação com Messi acabou. La Liga não é flexível com seu limite salarial, eles só fariam isso se hipotecássemos os direitos de transmissão deste clube por meio século”.

Pode ser pressão do Barcelona em La Liga?

A resposta simples é que sim, pode. O Barcelona não concorda com a forma como o limite salarial foi colocado, diante de uma situação como a da pandemia. Com as perdas enormes de arrecadação que o clube teve, seu limite salarial, que é calculado baseado na receita, caiu de € 671 milhões para € 382,7 milhões. Isso significa que de um ano para o outro, o clube precisaria baixar cerca de 40% da sua folha para continuar disputando o Campeonato Espanhol.

Anunciar que Messi não vai ficar, mesmo com tudo acertado, porque os limites impostos por La Liga não permitem é uma forma de jogar uma imensa pressão em cima do colo dos dirigentes e de Javier Tepas, presidente da liga espanhola. Além do mais, é uma forma de dizer que o acordo com a CVC, uma empresa de investimentos com alguma experiência em esporte, é ruim, mesmo que a curto prazo ele salvasse a inscrição de Messi.

Sem o principal jogador de La Liga, quanto ela valeria? Inevitavelmente menos a curto prazo. E isso, em si, já causa problemas para a valorização que Tebas tem colocado e que a CVC avaliou para fechar o acordo. Se isso será suficiente para que La Liga e seus dirigentes se mexam para alterar alguma coisa em relação ao teto de gastos ou mesmo em relação a esse acordo comercial, ainda é cedo para saber.

Inicialmente, La Liga não deu qualquer indício que faria isso. Mas é uma queda de braço pesada, porque tanto Barcelona quanto Real Madrid está juntos contra essa iniciativa e alguma consequência veremos acontecer. Até porque os dirigentes do Barcelona basicamente fizeram um jogo de cena para lavar as mãos sobre a saída de Messi. Havia quem defendia que ele deveria ser liberado já ano passado, justamente pela situação financeira caótica do clube. Ninguém, porém, quer entrar para a história como alguém que dispensou Messi, até porque ele segue sendo um dos melhores do mundo, se não o melhor.

A solução encontrada pelo Barcelona resolverá o problema, de um jeito ou de outro. Ou La Liga irá ceder e Messi poderá, enfim, assinar pelo Barcelona o novo contrato, ou a saída do jogador ficará na conta de La Liga, com a torcida dos dois maiores clubes do país insatisfeitas por um acordo comercial que pode ser aprovado mesmo sem os dois concordarem. O Barcelona teria aliviado uma grande parte da sua folha salarial sem Messi sem que o presidente tenha que ficar com o ônus disso. Fez o que poderia, tentou permanecer e não foi possível, ao menos como discurso.

Resta ver quais serão as cenas dos próximos capítulos, porque essa novela parece que ainda continuará mais algum tempo. LA Liga está próxima de começar. O jogo inaugural da temporada acontece no próximo dia 13 de agosto, sexta-feira da próxima semana. Como diz o meme: vamos ver o que vem por aí. Não dá para saber ainda.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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