Espanha

Será o fim? Barcelona diz que Messi não continuará vinculado ao clube e culpa La Liga

Em comunicado, o clube catalão afirma que, apesar do desejo das duas partes de renovar, os "obstáculos financeiros" de La Liga foram intransponíveis

Após mais de 20 anos, quase 800 partidas, quatro Liga dos Campeões e dez títulos espanhóis, Lionel Messi não será mais jogador do Barcelona, segundo o clube anunciou em uma nota oficial na tarde desta quinta-feira.

O contrato do craque argentino de 34 anos havia terminado durante a disputa da Copa América no Brasil e as discussões para renová-lo estavam perto do fim. De acordo com o comunicado dos catalães, as duas partes tinham “a clara intenção de assinar um novo contrato” nesta quinta-feira, mas as regras financeiras de La Liga impediram que ele fosse inscrito para a próxima temporada que, para o Barça, começa em 15 de agosto contra a Real Sociedad.

No fim de agosto do ano passado, após levar 8 x 2 do Bayern de Munique nas quartas de final da Champions League, Messi, a um ano do fim do seu contrato, informou ao Barcelona que desejava exercer uma cláusula que permitiria a rescisão unilateral. Caiu como uma bomba no Camp Nou a notícia de que o maior jogador da história do clube catalão não desejava mais ficar no clube. O então presidente Josep Bartomeu, porém, fez jogo duro e cobrou a literalidade do contrato.

Isso porque a cláusula exigia que Messi informasse ao clube que queria rescindir o seu vínculo até 10 de junho. Ela previa um calendário normal em que as competições provavelmente teriam terminado até aquela data, mas a pandemia empurrou tudo para a frente. Os advogados de Messi argumentaram que seria uma situação excepcional, mas o jogador não quis entrar em uma briga jurídica com o clube que o formou. Ficou para disputar a última temporada, e cada gesto de insatisfação ou felicidade era analisado como um indicativo do seu futuro em médio e longo prazo.

“É verdade que fiquei muito mal, durante o verão (da Europa), antes do verão, por como terminou a temporada”, afirmou em uma entrevista à emissora La Sexta, em meados de dezembro.” Depois veio tudo que passou durante o verão, o burofax (o pedido oficial de transferência), tudo isso. E, depois, a verdade é que também arrastei um pouco disso durante o começo (da nova temporada)”.

No fim de outubro, o então presidente do Barcelona, Josep Bartomeu, com quem Messi havia rachado, renunciou ao cargo e novas eleições foram marcadas. A vitória de Joan Laporta, com quem o jogador tem uma relação próxima, foi tida como um bom sinal. As notícias de bastidores passaram a ser todas na direção de um final feliz para o impasse, mas as dificuldades financeiras continuavam desafiadoras.

Muito dependente de receitas de dia de jogo, de royalties de seus produtos e de excursões de pré-temporada, e com as contas já abaladas por uma folha salarial vultuosa e uma série de decisões equivocadas no mercado de transferências, o Barcelona foi um dos clubes mais fortemente atingidos pela pandemia, o que também explica o seu entusiasmo pela Superliga Europeia.

Chegou a oferecer a Messi um acordo a prazo em que o jogador atuaria mais dois anos pelo clube, mas seria pago além desse período, como um embaixador. Uma maneira de manter um valor bruto alto e esticá-lo ao longo de mais anos para tentar encaixar o contrato nas normas de Fair Play Financeiro de La Liga. Embora Messi tenha aceitado, nem isso foi possível.

Ainda assim, o Barcelona seguiu em um planejamento que previa a permanência de Messi. Contratou Sergio Agüero, um de seus melhores amigos. Reforçou o elenco com Memphis Depay, Emerson Royal e Eric García e estava em busca de mais nomes, como o zagueiro da seleção argentina, Cristian Romero, outro pedido de Messi.

A renovação era tratada como “em andamento”, com questões a serem resolvidas, mas otimismo de todas as partes. Até que, na última segunda-feira, o presidente do clube catalão, Joan Laporta, cobrou mais “flexibilidade” de La Liga em seus regulamentos financeiros para “incorporar mais alguém”.

Laporta disse também que estava tentando “resolver questões importantes para as duas partes” e que estava “indo bem”. Javier Tebas, presidente de La Liga, havia dito pelo menos duas vezes que a liga espanhola não faria vista grossa ao caso de Messi, mas elogiara o esforço do Barça para enxugar a sua folha salarial. Acreditava que ele estava próximo de permanecer.

Dois dias depois da declaração de Laporta, La Liga anunciou um acordo com o fundo de investimentos CVC que renderia € 2,4 milhões para os clubes, aproximadamente € 250 milhões para Barcelona e Real Madrid, mas exigiria um comprometimento com o Campeonato Espanhol durante as próximas décadas. Os dois gigantes, porém, insistem na fundação da Superliga Europeia, e se posicionarem oficialmente contra.

Esse acordo foi aprovado por unanimidade pelo comitê executivo da liga e precisará ser ratificado na quinta-feira da semana que vem pela maioria dos 42 clubes das duas primeiras divisões. O dinheiro que o Barcelona receberia ajudaria a aliviar as contas para inscrever Messi, mas significaria também abrir mão dos planos de criar uma liga paralela que, na prática, seria concorrente de La Liga. A situação também colocou Barça e La Liga ainda mais em rota de colisão em uma semana na qual se esperava que a renovação de Messi fosse finalmente anunciada.

Messi chegou a Barcelona na última quarta-feira, e esta quinta era um dia importante para o processo. Entre as repercussões pelo acordo anunciado por La Liga e novas informações nos jornais catalães de que a não contratação de Romero e a incapacidade da diretoria de montar uma equipe competitiva haviam travado as discussões, de repente se abriu a possibilidade de uma reviravolta.

Às 14h46 minutos desta quinta-feira, o Twitter em espanhol do Barcelona publicou que Leo Messi não seguirá vinculado ao FC Barcelona, junto com a nota oficial, fria, um pouco ambígua, que deixa claro que havia desejo das duas partes de renovar, mas que “não foi possível” por causa dos “obstáculos econômicos e estruturais” de La Liga.

Sem foto, sem grandes emoções, sem uma convocação para uma entrevista coletiva de despedida, como aconteceu com ídolos anteriores como Puyol, Xavi e Iniesta. Cerca de uma hora depois, o Barça também publicou um vídeo de sete minutos com lances e imagens dos 20 anos de Messi como jogador do Barcelona.

Há poucos clubes no mundo com capacidade para contratar Messi. Neste momento, apenas dois parecem plausíveis. Um deles, o Manchester City, está com outras prioridades. Anunciou Jack Grealish nesta quinta-feira e segue tentando tirar Harry Kane do Tottenham. O outro é o Paris Saint-Germain, que já engordou bem a sua folha salarial com as contratações de Donnarumma, Sergio Ramos, Wijnaldum e Hakimi.

Diante de todo o contexto, tanto das brigas internas do Barcelona, quanto do mercado, não é impossível que haja uma reviravolta. Alguém precisará aparecer com uma rota de saída para Messi. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

Confira a nota oficial do Barcelona: 


“Apesar de terem chegado a um acordo entre o Barcelona e Leo Messi, com a clara intenção das duas partes de assinar um novo contrato no dia de hoje, isso não poderá ser formalizado pelos obstáculos econômicos e estruturais (regra de La Liga espanhola).

Diante desta situação, Lionel Messi não continuará vinculado ao Barcelona. As duas partes lamentam profundamente que no fim, não se possa cumprir os desejos tanto do jogador como do clube.

O Barcelona quer agradecer de todo o coração a apartação do jogador e o engrandecimento da instituição e o deseja o melhor em sua vida pessoal e profissional”.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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