Copa do Mundo 2026

Rodri se transforma junto da Espanha em meio à Copa e precisa ser alvo para França anular

Volante do Manchester City evoluiu durante o torneio após fase de grupos abaixo

A evolução da Espanha na Copa do Mundo, dos jogos lentos e sem inspiração às partidas mais intensas e com o jeito espanhol, veio junto da ascensão do capitão Rodri. A Fúria, depois de uma fase de grupos com atuações abaixo de seu potencial, emplacou três vitórias difíceis seguidas no mata-mata: Áustria, Portugal e Bélgica.

Na semifinal, terá outro concorrente europeu, a França, em mais um jogo que testará seu nível. A seleção espanhola era, junto dos franceses, apontada como a favorita ao título do Mundial antes da competição iniciar.

Nos primeiros jogos, porém, esse status foi questionado. O empate por zero com Cabo Verde e a sofrida vitória sobre um cambaleante Uruguai marcaram mais do que a fácil vitória sobre a Arábia Saudita. Nessas partidas, quase ninguém se destacou. Rodri, por seu peso como um Bola de Ouro, recebeu críticas pesadas, mas conseguiu dar a volta por cima.

Rodri evolui e vira pilar da Espanha na Copa do Mundo

Rodri comemora vitória da Espanha na Copa do Mundo
Rodri comemora vitória da Espanha na Copa do Mundo (Foto: IMAGO / Xinhua)

Na fase de grupos, o dono da braçadeira de capitão ainda parecia aquele jogador impactado pela grave lesão no joelho que sofreu em setembro de 2024. O nível, em especial contra o Uruguai, assustou. Lento, com pouca ousadia nos passes para furar o bloqueio adversário, optando por toques seguros com os zagueiros, e uma grande dificuldade em girar o corpo para dar andamento às jogadas.

Mas, assim como seu time, o jogador pareceu ganhar ritmo após o mata-mata. A atuação frente aos austríacos já foi mais intensa pelo adversário muito forte fisicamente e exigiu de Rodri mais velocidade na troca de passes e movimentação para sair da pressão.

Contra Portugal, em contexto de menor posse de bola do que o habitual para a Fúria (55%), o primeiro volante seguiu com um impacto na construção ofensiva, mas também sem bola, com sete recuperações de bola, quatro duelos vencidos no chão e três desarmes. Até por isso, foi eleito o melhor em campo, mesmo que o gol salvador da classificação tenha sido de Mikel Merino.

Nas quartas de final, Rodri encontrou talvez o cenário com mais liberdade na competição. Teve Kevin de Bruyne, de 33 anos e longe do físico ideal, como marcador em boa parte do tempo. Com isso, conseguiu impactar totalmente o jogo espanhol: desafogava a pressão adversária, direcionava por qual setor a Espanha atacaria e distribuía lançamentos, somando 118 ações com a bola.

Ele tentou 29 passes quebras linhas e acertou 28, além de ter atingido 62 passes desse tipo no terço final em toda a competição, maior número desde Toni Kroos, pela Alemanha, em 2014, de acordo com a “Opta”.

— Sinto-me bem e estou feliz com a evolução da equipe, algo muito importante em torneios. Fomos pegando o ritmo da competição aos poucos e agora estamos vivendo um bom momento. Vejo um time tão competitivo quanto foi na Eurocopa [2024, quando foram campeões] — disse Rodri antes da partida com a França.

— A condição em que cada jogador chegou era diferente, tanto em termos de forma quanto de preparo físico. Por isso eu dizia que seria um torneio longo, que precisaríamos ‘digeri-lo’ aos poucos para alcançarmos nossa melhor versão. Agora já conseguimos enxergar isso. Se continuarmos evoluindo dessa forma, poderemos atingir nosso nível máximo. Mas, acima de tudo, eu destacaria o quanto este time é competitivo.

Rodri em ação pela seleção espanhola
Rodri em ação pela seleção espanhola (Foto: IMAGO / Crystal Pix)

Em outubro do ano passado, o então técnico do Manchester City, Pep Guardiola, disse que Rodri retomaria sua forma física ideal depois da lesão grave apenas na Copa do Mundo. Uma previsão do maior treinador da história que se mostra acertada, mesmo que tenha demorado três jogos para se confirmar.

Rodri na Copa do Mundo 2026

  • 629 passes certos (líder em todo o torneio)
  • 9 passes decisivos
  • 237 vezes que deu opção de passe à frente da marcação adversária (líder)
  • 235 vezes que deu opção de passe dentro da marcação adversária (6º)
  • 210 vezes que recebeu a bola sob pressão adversária (líder)
  • 1322 envolvimentos no jogo (líder)

Fonte: “SofaScore” e Fifa

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Seleção francesa precisa parar o volante

Em todos os jogos da Espanha na Copa, Rodri liderou ou esteve entre os primeiros jogadores em ações com bola, passes e lançamentos certos. É inevitável que isso aconteça.

O papel do camisa 16 no esquema de Luis de La Fuente é ser o primeiro homem a ser acionado pelos zagueiros, seja à frente ou junto deles, e direcionar por onde atacará o time.

Lamine Yamal, maior craque da Fúria, muitas vezes é potencializado por isso: se Rodri recebe pela esquerda, onde está concentrada a marcação, ele tem qualidade para acionar, pelo chão ou pelo alto, o ponta para as jogadas mano a mano. Contra a Bélgica, melhor jogo do Yamal na Copa, o meio-campista o acionou nove vezes, terceiro jogador que mais passou a bola, só atrás de Fabián Ruiz e Pau Cubarsí.

A França precisa de alternativas para tirar a influência do volante do jogo. A Bélgica, deixando De Bruyne cuidando do volante espanhol, não só deu espaço para ele brilhar com a bola, mas também sem, atraindo o camisa 10 para outros setores e dando espaço para o apoio de Dani Olmo.

A seleção francesa também marca em 4-4-2, como os belgas, tendo Kylian Mbappé e Michael Olise sobrando à frente. No momento de pressão mais alta, Rodri deve ser pressionado por Adrien Rabiot, jogador muito intenso que deve incomodá-lo. O desafio é nos momentos de construção mais avançada, próximo do grande círculo, quando esse trabalho deve sobrar para um dos atacantes e permitir mais espaço.

As respostas virão a partir das 16h (horário de Brasília) desta terça-feira (14). Quem avançar para a grande decisão, marcada para 19 de julho, enfrenta Inglaterra ou Argentina.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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