Espanha à lá 2010 ‘mata e morre’ com seu falso nove e elimina um decepcionante Portugal da Copa
Cristiano Ronaldo se despede da Copa do Mundo com gol espanhol aos 90 minutos e em jogo decepcionante
Espanha e Portugal se enfrentaram em um clássico ibérico nas oitavas de final da Copa do Mundo nesta segunda (6), que carimbou a classificação da seleção espanhola após vitória por 1 a 0.
Com um Lamine Yamal bem marcado, a Espanha conseguiu marcar seu gol apenas aos 90 minutos cravados com Mikel Merino, que entrou como substituto. E mais do que a mudança de Luis De La Fuente, a dinâmica espanhola tradicional com seu falso nove foi o que desbloqueou a jogada do gol.
Jogo equilibrado vê Portugal decepcionante dar adeus à Copa do Mundo
Em uma partida de alternância de domínio da bola, a Espanha naturalmente passou mais tempo com ela e criou as principais chances na primeira etapa. Ainda assim, o clássico foi equilibrado em quase todos os sentidos.
Nos momentos de posse longa espanhola, o time de Luis De La Fuente parecia constantemente a um passe de criar uma grande chance. Defensivamente, os portugueses fizeram um bom jogo impedindo a construção por dentro da Espanha, principalmente no início. Mas os espanhóis mostraram suas armas.
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No início da primeira etapa, Mikel Oyarzabal teve duas chances em diferentes cenários: primeiro, pressionou forte e recuperou a posse rapidamente no campo ofensivo; depois, recebeu um belo passe de Dani Olmo em uma situação de transição rápida pós-perda.
Artilheiro da Espanha na Copa, Oyarzabal foi importante justamente na sua melhor qualidade: atacar as costas da última linha. Foi assim que recebeu o passe de Olmo, aproveitando a brecha de Renato Veiga dando condição em um raro momento em que a linha portuguesa estava quebrada.
O time de Roberto Martínez defendia em 4-4-2 e em bloco médio/alto, fechando as opções de Rodri e Pedri, mas com um Cristiano Ronaldo de pouca intensidade defensiva, o que por vezes fazia o trabalho de manipular os encaixes mais fácil durante a construção espanhola.
E isso permitiu que a Espanha tivesse mais momentos de posse, mesmo que o jogo tenha sido de trocas constantes e transições em diversos momentos. E nessa “trocação”, ninguém necessariamente levou vantagem — por mais que fosse um tipo de jogo mais favorável aos portugueses.
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Portugal não aproveita jogo de transição e Espanha consegue manipular para criar
Se Portugal teve dificuldade durante a Copa para criar quando tinha a bola no campo adversário de forma pausada, imaginava-se que, em um jogo de transições, pudessem levar vantagem.
Durante a construção, João Neves lateralizava pela esquerda para João Félix cair por dentro e dar a amplitude à frente para Nuno Mendes. Bruno Fernandes também caía por aquele lado e deixava Pedro Neto aberto pela direita. Cristiano Ronaldo, isolado, tinha pouco impacto.
A Espanha, por outro lado, teve mais sucesso trabalhando a bola do que contra-atacando. Mesmo que a defesa portuguesa estivesse muito bem individualmente, principalmente Nuno Mendes e Renato Veiga, as dinâmicas com Lamine Yamal para abrir a defesa deram certo.
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Em diferentes momentos, Yamal caía da direita para o meio-espaço para puxar Nuno Mendes. Pedro Porro abria para ocupar seu espaço e atrair a marcação para abrir a defesa – e, nessas situações, Pedri já chegou a atacar as costas da defesa.
Yamal foi um importante criador. Se não conseguiu desequilibrar com dribles, foi importante para atrair a marcação e acionar jogadores atacando a área em diagonal para estes sim darem cruzamentos rasteiros para trás – os famosos cutbacks. O problema, no entanto, era a falta de jogadores atacando a pequena área para finalizar a jogada criada.
Se Oyarzabal perdeu a chance no início e não teve bom jogo, Ferrán Torres entrou para ser um falso nove mais clássico e criativo. E foi com essa dinâmica que surgiu o gol de Merino, no fim do jogo: Ferrán desce para receber e atrai a defesa, e aciona Merino atacando a profundidade no espaço criado para marcar.
A Espanha teve um jogo positivo e criou para vencer, mesmo que não tenha dominado. Mas Portugal e Cristiano Ronaldo dão adeus à uma Copa do Mundo decepcionante e frustrante para uma das melhores gerações do país na história.