Copa do Mundo 2026

Espanha à lá 2010 ‘mata e morre’ com seu falso nove e elimina um decepcionante Portugal da Copa

Cristiano Ronaldo se despede da Copa do Mundo com gol espanhol aos 90 minutos e em jogo decepcionante

Espanha e Portugal se enfrentaram em um clássico ibérico nas oitavas de final da Copa do Mundo nesta segunda (6), que carimbou a classificação da seleção espanhola após vitória por 1 a 0.

Com um Lamine Yamal bem marcado, a Espanha conseguiu marcar seu gol apenas aos 90 minutos cravados com Mikel Merino, que entrou como substituto. E mais do que a mudança de Luis De La Fuente, a dinâmica espanhola tradicional com seu falso nove foi o que desbloqueou a jogada do gol.

Jogo equilibrado vê Portugal decepcionante dar adeus à Copa do Mundo

Em uma partida de alternância de domínio da bola, a Espanha naturalmente passou mais tempo com ela e criou as principais chances na primeira etapa. Ainda assim, o clássico foi equilibrado em quase todos os sentidos.

Nos momentos de posse longa espanhola, o time de Luis De La Fuente parecia constantemente a um passe de criar uma grande chance. Defensivamente, os portugueses fizeram um bom jogo impedindo a construção por dentro da Espanha, principalmente no início. Mas os espanhóis mostraram suas armas.

Yamal teve dificuldades contra a Espanha, mas foi um bom criador
Yamal teve dificuldades contra a Espanha, mas foi um bom criador (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)

No início da primeira etapa, Mikel Oyarzabal teve duas chances em diferentes cenários: primeiro, pressionou forte e recuperou a posse rapidamente no campo ofensivo; depois, recebeu um belo passe de Dani Olmo em uma situação de transição rápida pós-perda.

Artilheiro da Espanha na Copa, Oyarzabal foi importante justamente na sua melhor qualidade: atacar as costas da última linha. Foi assim que recebeu o passe de Olmo, aproveitando a brecha de Renato Veiga dando condição em um raro momento em que a linha portuguesa estava quebrada. 

O time de Roberto Martínez defendia em 4-4-2 e em bloco médio/alto, fechando as opções de Rodri e Pedri, mas com um Cristiano Ronaldo de pouca intensidade defensiva, o que por vezes fazia o trabalho de manipular os encaixes mais fácil durante a construção espanhola.

E isso permitiu que a Espanha tivesse mais momentos de posse, mesmo que o jogo tenha sido de trocas constantes e transições em diversos momentos. E nessa “trocação”, ninguém necessariamente levou vantagem — por mais que fosse um tipo de jogo mais favorável aos portugueses.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e fique por dentro do melhor conteúdo de futebol!

Um conteúdo especial escolhido a dedo para você!

Aoa se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Portugal não aproveita jogo de transição e Espanha consegue manipular para criar

Se Portugal teve dificuldade durante a Copa para criar quando tinha a bola no campo adversário de forma pausada, imaginava-se que, em um jogo de transições, pudessem levar vantagem. 

Durante a construção, João Neves lateralizava pela esquerda para João Félix cair por dentro e dar a amplitude à frente para Nuno Mendes. Bruno Fernandes também caía por aquele lado e deixava Pedro Neto aberto pela direita. Cristiano Ronaldo, isolado, tinha pouco impacto.

A Espanha, por outro lado, teve mais sucesso trabalhando a bola do que contra-atacando. Mesmo que a defesa portuguesa estivesse muito bem individualmente, principalmente Nuno Mendes e Renato Veiga, as dinâmicas com Lamine Yamal para abrir a defesa deram certo.

Cristiano Ronaldo teve jogo apagado contra a Espanha
Cristiano Ronaldo teve jogo apagado contra a Espanha (Foto: IMAGO/ ZUMA Press Wire)

Em diferentes momentos, Yamal caía da direita para o meio-espaço para puxar Nuno Mendes. Pedro Porro abria para ocupar seu espaço e atrair a marcação para abrir a defesa – e, nessas situações, Pedri já chegou a atacar as costas da defesa.

Yamal foi um importante criador. Se não conseguiu desequilibrar com dribles, foi importante para atrair a marcação e acionar jogadores atacando a área em diagonal para estes sim darem cruzamentos rasteiros para trás – os famosos cutbacks. O problema, no entanto, era a falta de jogadores atacando a pequena área para finalizar a jogada criada.

Se Oyarzabal perdeu a chance no início e não teve bom jogo, Ferrán Torres entrou para ser um falso nove mais clássico e criativo. E foi com essa dinâmica que surgiu o gol de Merino, no fim do jogo: Ferrán desce para receber e atrai a defesa, e aciona Merino atacando a profundidade no espaço criado para marcar.

A Espanha teve um jogo positivo e criou para vencer, mesmo que não tenha dominado. Mas Portugal e Cristiano Ronaldo dão adeus à uma Copa do Mundo decepcionante e frustrante para uma das melhores gerações do país na história.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo